Uncategorized

"O meu pé esquerdo"

14/05/2010

O pézinho já esteve assim, que é pra verem que não sou nenhuma maricas…

Então que passadas duas semanas, a coisa não sarou. A pomada que estava a pôr dizia que se passado esse temponão melhorasse, não ficasse bom, para ir ao hospital. Ora eu, e isto talvez seja um bocado estúpido, só vou ao hospital se estiver a morrer de dores, se estiver acagaçada de morte, se não tiver outra hipótese. Um hospital, por mais que se pareça com o Ritz, é sempre um hospital. Não que estivesse acagaçada de morte, digamos que o facto de continuar a doer e com uma bola do lado de fora do pé me começava a preocupar ligeiramente… Daí que…

O Einstein nem sequer cheira a hospital, nem se vê gente de branco. As pessoas na sala de espera não gemem nem têm ar de quem está a morrer, e eu estava no pronto atendimento, que é como quem diz, nas urgências. Umas urgências soft. Não naquelas urgências em que se vê gente esventrada, gente a morrer, nada disso. Mas urgências ainda assim.

E lá estava eu. Toda a gente muito simpática e tal, tinham até uma cadeira de rodas à minha disposição, acaso a dor no pézinho fosse insuportável. Não era o caso, fui pelo meu próprio pé.

O médico lá me recebeu, ortopedista, que me chamou de tigrona quando lhe disse que isto já tinha acontecido há duas semanas mas só agora é que tinha decidido ir. Porque não gostava de hospitais e se vocês dependessem de pessoas como eu morriam de fome. Achei que fosse um insulto, perguntei-lhe se isso era bom ou mau e ele não me respondeu. Concluí que era mau… Que era uma crítica… Ainda pra mais porque ele se pôs pra lá a ver o pé e a apertar daqui e dali e aí é que reparei que afinal me doía mais do que pensei… E foi aí que ele disse que era capaz de haver uma fracturinha… Radiografia pra confirmar.

É inacreditável como nos começa logo a doer tudo quando entramos num hospital…

Nada na radiografia. De qualquer forma, não era normal a dorzinha ao fim de duas semanas de Cataflan. Tomografia. Nunca tinha feito uma tomografia. Achei que estava no House… Quando nos chamam, sempre que nos chamam, vem sempre alguém connosco, acompanhar-nos aonde quer que seja que tenhamos de ir. E é tudo perto, não temos de andar km dentro de um hospital para fazer uma radiografia. Uns passinhos apenas. Mas sempre com companhia, sempre.

Não deixa de me surpreender como é que num espaço daquele tamanho (o Einstein deve ser assim do tamanho de Óbidos, só que cheio de corredores e entradas e recantos. E são não sei quantos edifícios diferentes) as pessoas andem sempre pelos corredores com ar de quem sabe pra onde vai. Eu queria ver-me a trabalhar ali, havia de ser bonito…

Enquanto esperava plo resultado, fui beber um café. Há uma Kopenhagen dentro do Einstein. Os judeus tratam-se a Kopenhagen. Se calhar isto não vos diz grande coisa mas é basicamente o mesmo que ter uma Toblerone, Carte d’or, Lindth, sei lá, imaginem o melhor chocolate do mundo? É isso… Uma dessas dentro da Cuff… Optei pelo Vienna, bem bom… Cigarrinho lá fora e pronto, logo mais calma.

Já começava a ficar fartinha de ali estar, não que demorasse muito, mas já estava há tempo demais enfiada no mesmo sítio e a pessoa parece que fica com bichos carpinteiros. Deve ser da ansiedade. Já só me queria vir embora… Marisabel, faxavor…

Lá está, duas fracturinhas, podia ter sido uma só, podia não ter sido nenhuma, mas foram duas. Resultado: virada cultural por um canudo, só ténis, com tensor, que é um pé elástico mas em branco e sem calcanhar. O gajo queria que eu pusesse uma bota, botão mesmo, pra isolar. Mas sendo que não tinha assim tanta dor e que já tinha passado aquele tempo todo, um tensor bastaria. Um mês sossegadita, quieta o mais que puder, quente e frio até passar o inchaço. 5 minutos água quente, um minuto de gelo. As temperaturas estão abaixo dos 15º… Sensação térmica, sabe Deus… Enfim… E lá vim eu pra casa decidida a ter juizinho e a obedecer cegamente ao dôtô. Ainda com a história da tigrona na cabeça…

PS: Foi preciso entrar no msn para que a Débora me explicasse o que quer dizer tigrona: Tigrona é algo que soa como sensual. A tradução mais literal seria: alguem maduro e sensual, não é uma gatinha, é uma tigrona, entende???? Cantada do médico… Tá certo…

You Might Also Like

  • Luci 15/05/2010 at 00:21

    miuda tigrona!
    to a sentir saudades de ti
    li tudo até lá embaixo
    bj

  • Isa 15/05/2010 at 02:04

    Ai Luci, somos duas, muitas saudades mesmo. bj imenso

  • Nuno Medon 15/05/2010 at 18:08

    Olá! Vai-se a ver e o médico achou, que apesar do inchaço, que tem um pezito de princesa, tipo a cinderela e deu um ar de sedutor. já devia de ter ido ao médico! as melhoras ! beijos e continuação de um bom fim de semana.

  • Anonymous 17/05/2010 at 09:15

    Credo Marisa!!! Como fizeste isto, mulher? Estás melhor? Tigrona é muito bom!!! : ))) E ele era Tigrão??? : ))) Beijo e melhoras rápidas!
    Rita

  • Isa 17/05/2010 at 15:21

    Ele não era nada tigrão, tadito. Era bem enfezadinho :D já tou mt melhor, esta foto foi tirada pouco depois da queda. Caí, pá, a correr pro busão. Até agora tou para perceber como foi que fiz isto, onde bati pra ser tão violento… bjos

  • Sonia 19/05/2010 at 20:07

    Afinal era caso pra médico, bolas… As melhoras! :)

  • error: Content is protected !!