Uncategorized

:o.O

14/09/2012
A agressão visa a separação e, não obstante, termina por unir, na medida em que há o desejo de se fazer sentir pelo outro. A ânsia é golpear, machucar e até destruir. O resultado final, entretanto, é o vínculo e a conexão. A ânsia de Eros, por outro lado, é de união, é satisfazer as necessidades próprias ou alheias, é penetrar ou ser penetrado, conforme o caso. No entanto, o resultado é geralmente a separação e o afastamento após a saciedade e, muitas vezes, a dor e a destruição. […] A violência almeja apaixonadamente destruir o seu objeto, e o mesmo faz Eros em seu desejo de união, pois na satisfação das necessidades pessoais busca a dissolução da distância a que o outro se mantém. […] Para personalizar a violência e saborear a possibilidade de uma vitória através da agressão, é preciso que exista um objeto a ser vencido. A psicologia da personalização da violência por meio da agressão expressa o facto de que a vitimização e a submissão exigem ser vivenciadas ativa e passivamente. Não se pode vencer e ser forte e independente o tempo todo. Vencedor e vencido, o mais forte e o mais fraco são parceiros inseparáveis, reciprocamente necessários para a representação integral das ânsias de agressão e de dependência dentro das inter-relações humanas. Em toda a parte, a vida emparelha o desejo com a possibilidade da satisfação, mas também com a frustração e a resistência. Sem tensão da resistência que nos convoca a superá-la, não há satisfação genuína, não há senso de identidade, de “eu posso”, só o tédio. Sem a rendição instala-se uma tensão interminável. Sem a reunião só existe o isolamento. Edward C. Whitmont     

You Might Also Like

error: Content is protected !!