Livre

O problema das relações de poder

14/12/2015

É que não deixas viver, mas também não vives. Não vives o teu potencial incrível, não és feliz, não és pleno, inteiro, completo. Ficas-te pelo controlo, o poder, deixando de lado o amor, que é o que tens de mais precioso nesta vida, que te preenche de verdade e não apenas de mentirinha, de ilusão. O pior das relações de poder é a castração, a limitação, o viver no medo, na amargura de ter deixado para trás a oportunidade de seres feliz, pleno e realizado. O problema das relações de poder vê-se no corpo, no atrofio dos ombros, no pescoço enterrado, nas costas curvadas, nas pernas enferrujadas, nos movimentos controlados, rígidos, hirtos, sem ondulações, meneios, movimentos redondos, tão libertadores quanto saudáveis. O pior das relações de poder é o controlo, o teu, sobre ti mesmo, sobre as tuas emoções, sobre a vida que acontece lá fora e que deixas de viver. O pior das relações de poder são as relações aos sacões, vai não vai, não sais do mesmo lugar, não há gradação, crescendo, êxtase. E o prolongamento do estágio pelo prolongamento do estágio por si só não dá prazer nenhum, apenas te dá a tal sensação de controlo, e de frustração.

O problema das relações de poder é a incapacidade de fazer o outro feliz e de ficar feliz só por ele estar feliz. Deve haver poucas tristezas maiores do que essa.

É precisa muita coragem para se ser, por inteiro, todos os sentimentos e emoções incluídos. Para se ser poderoso só é preciso estar-se apavorado, morrer de medo, de cagaço puro. Para se ser poderoso só é preciso ter uma capacidade quase sobre-humana de nos escondermos.

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