Livre

O que ele* diz faz sentido

17/11/2015

Uma das formas de resolver problemas é sabermos o que o outro quer, outra é saber o que ele teme, que coincidem com as formas mais eficazes de sermos deixados em paz. Nesta esquizofrenia coletiva que é o ISIS, isso é o que mais assusta, o não percebermos o que quer, não haver um alvo específico, um motivo concreto, honestidade na guerra, um propósito, um objetivo. Muito menos sabemos o que os assusta.

Li umas coisas entretanto sobre o assunto mas nenhuma me convenceu tanto quanto esta, escrita por um francês alegadamente refém do ISIS. Também não sei qual é o critério para matar uns e libertar outros, já que bondade e compaixão não cabem na cabeça de gente alucinada, tomada pela sombra.

É verdade que os radicais do ISIS não se importam de morrer, ou não se suicidavam pela suposta causa. Muito menos que morram inocentes dos seus, tudo faz parte do sacrifício.

Diz ele que a união os assusta mais do que os ataques aéreos à Síria e ao Iraque. Se o ocidente entrar no jogo do ISIS, usar a religião como bode expiatório para justificar o que quer que seja, de ambos os lados, os muçulmanos, todos, vão procurar a proteção do ISIS, que, mal por mal, pelo menos fala a mesma língua, prega o mesmo Deus, que é a linguagem que eles entendem. Quando somos atacados, procuramos a proteção de pessoas com as quais nos identificamos, e unimo-nos contra os outros.

Quando vemos os nossos irmãos a ser vítimas de um grupo comum, como é o ocidente, unimo-nos contra ele. Não há um inimigo comum enorme, há meia dúzia de alucinados que precisam de ser travados com urgência. Segundo este francês, liderados por Bashar al-Assad, o chefe máximo da Síria, o grande responsável pela tomada do poder pelo ISIS, que não se coíbe de manter, patrocinar e instigar uma guerra contra o seu próprio povo. Quem o patrocina, não sabemos ao certo, mas Putin já veio dizer que quem financia o ISIS no que ao armamento diz respeito são países como a Arábia Saudita e não só, entre eles, estão os EUA e alguns países da Europa, todos incluídos no G20.

Se duvidarmos que um só homem pode levar uma nação inteira à loucura, é só lembrarmo-nos do Hitler. Basta que saiba onde tocar, insista no medo e na ameaça externa, e diga: comigo podem contar que eu vou proteger-vos contra o mal, perpetrado pelo Ocidente. Embarcar nisto é fazer da alucinação de meia dúzia uma guerra entre o ocidente e o oriente, entre Roma e a Pérsia, entre Jesus Cristo e Maomé. E isto é ridículo, mas pode vir a ser trágico.

O Ocidente em geral e a Europa em particular não são melhores do que o ISIS enquanto pactuarem com esta barbárie. E bombardear o ISIS para mostrar que não nos ficamos de nada adianta se amanhã lhes estivermos a vender armas.

Já os grandes responsáveis por ver tudo como um negócio, como lucro, não olhando a meios para enriquecer e ter mais e mais poder, são os Estados Unidos, que assistem a tudo impávidos e serenos, porque o negócio das armas lhes interessa, porque onde houver petróleo, há interesse, que é tudo menos humanista. E esta inversão de valores é tão torpe quanto o massacre de inocentes numa universidade ou num estádio de futebol. Valores por valores, porque hão de os do “Islão” ser inferiores aos do Ocidente?

Não há bons nem maus, há foco, frieza e consciência para atacar a doença pela raiz, indo à origem, não ao sintoma, à consequência.

Para os muçulmanos, Maomé, foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até à Península Ibérica.

Isto, bem trabalhado, com o ódio instalado e a propaganda bem feita, é motivo suficiente para unir o Islão, por uma estupidez, pela esquizofrenia de um maluco, como o Hitler, basta que milhares se identifiquem com a sua “causa”, a sua crença, e estejam frágeis e se sintam ameaçados o suficiente para embarcar nessa loucura.

*

You Might Also Like

error: Content is protected !!