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O sucesso dos meus é [também] o meu sucesso II

05/05/2012
Ontem fui assistir à defesa da tese de mestrado da minha querida Luzinha. Era sobre direitos de autor, compartilhamento em rede e propriedade intelectual. Não vou saber reproduzir o título, nem sei sequer se sei o que é semiótica, apesar de já a ter ouvido explicar milhares de vezes. E as explicações dela são boas. Mas perco-me na terceira frase. Tem a ver com símbolos, isto, no fundo, ‘tá tudo ligado. Quando a conheci ela tinha acabado de entrar. Acompanhei desde o início e celebrei a bolsa que recebeu com tanta alegria como se fosse minha, apesar de não duvidar em momento algum que ela iria conseguir. E ainda me perguntou se eu ia. Como não, filha? Ontem lá estava ela, mignonne, a defender os artista, com galhardia. A encarar os professores doutores que estudaram na Sorbonne e privaram com Deleuse, quer dizer. E a miúda ali, a responder segura, confiante, firme e forte. Gostei daquela parte em que ela pergunta: Valor pra quem? Pro Youtube. Pra quem? Ali, olho no olho e firmeza na voz, prá economia. Então… E os artistas? A mesma palavra tem significados diferentes consoante a nossa visão de mundo. A do professor é a lógica do mercado, a nossa é a lógica humanista, da criação, dos artistas. E a Lu viveu a vida toda com dois. Um deles pai dela. E quando disse que subir um vídeo pro youtube não é o mesmo que criar e viver disso. A defender os artistas. Toda a gente quis falar e ninguém falou. A minha vontade foi citar este* post e acrescentar: tem a certeza que quer viver num mundo sem arte? Seja lá a sua arte qual for? A minha? Livros e cinema… 
No fim, todos de pé, a orientadora dela, uma querida sem tamanho, diz que a Luisa é Mestre em Comunicação e Semiótica, e aí diz o título da tese que eu sou incapaz de reproduzir aqui, com nota 10. Desatámos todos a bater palmas e a mim saiu-me um AÊ pela boca afora. O raio da miúda conseguiu, o que nunca duvidei, mas estar lá a ver e a celebrar é outra coisa.. Nem a PUC nem a USP tem a ver com as nossas universidades. A informalidade rola solta aqui, sem por isso haver desrespeito por ninguém. Estava a família toda, artistas a rodos na platéia, já que o pai e o irmão dela são músicos. A cunhada francesa Emmilie, a mãe farmacêutica, a Lu tem a vantagem de estar dos dois lados da barricada, o dos artistas e o do mercado. Miúdos de outros mestrados, colegas dela de algumas matérias, e amigos queridos, outros amigos queridos tipo eu, enfim, imensa gente. O Rafa diz que agora é a Lu que vai abrir os shows dele, tinha mais gente ontem que no meu show, ele disse. De tal maneira que ela teve de meio que improvisar uma apresentação para inteirar a assistência sobre o tema. Como já conhecia, cheguei 11 minutos atrasada e de ressaca, só ouvi tipo uns 4 minutos. E depois começou a última batalha. A Lu ganhou, com nota 10. O sucesso dos meus é [também] o meu sucesso.

*e ainda este

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  • O Sexo e a Idade 06/05/2012 at 01:19

    Tão bom ver alguém congratular-se pelo sucesso dos outros!
    Duplos parabéns à Lu (que não sei quem é mas tem de ser estupenda para ter amigos assim!) pelo mestrado e pelos amigos!

    • Isa 06/05/2012 at 17:37

      foi muito, muito emocionante :) e ela merece todos os parabéns, nunca conheci ninguém tão esforçado, tão dedicado. E aquela nota 10 foi uma explosão de alegria naquela sala que só queria que tivesses visto. foi a confirmação de que tudo valeu a pena, nervoso, angustia, estudo, dedicação e muito, mas mm muito trabalho. E podes crer, eu sei, estava lá, durante dois anos, e vi, com olhos de ver ;)

    • O Sexo e a Idade 08/05/2012 at 12:45

      :D

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