Case Closed

22/08/2016

Talvez já o tenha dito, o terceiro, nem sei se este não será o quarto, sai sempre mais repetitivo do que os anteriores, talvez nunca seja demais reforçar. O piorzinho do foco na neurose não é nem a chatice em que tornamos a própria vida, a infelicidade e a frustração permanentes, a tristeza que daí advém. O pior é ficar a pensar em vez de fechar os olhos, cerrar os punhos e os dentes e ir, com tudo, o que temos e não temos, honestamente. É não dar oportunidade de perceber se temos ou não capacidade para lidar com o que for, para impor os limites necessários, para ver se é mesmo assim. É tentar ir descerrando os punhos e os dentes à medida que podemos, conseguimos, nos permitimos. É a pressão, o atrofiar do cérebro e do coração.

É a martirização, a fustigação, o cilício mental. É o quanto isso nos condiciona, nos cega para tudo o resto, inclusive para a possibilidade de nos vermos de outro ângulo, de outra perspetiva. É a ferida se tornar verdade absoluta, deus nos livre. É a falta de abertura para a vida que sobra, que está à nossa espera, do lado de fora da janela. É a ausência de liberdade para ir mais além, da origem, inclusive.

Ficar na ferida é permanecer na condição de vítima, é deixar que te controle, dite quem és, é ter a leviandade de achar que conseguimos curá-la, quando o objetivo é viver apesar dela, com ela, deixando que exista, aceitando-a como parte de quem somos, sem que necessariamente nos defina. É ir além. Usando-a para conquistar, em vez de nos servirmos dela para nos encostarmos. Até que não mais nos faça falta, possamos seguir em frente, no amor, e não na raiva, na frustração, na vergonha, no medo.

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