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O vai e vem da consciência

10/09/2012
Nós não temos de ouvir tudo de toda a gente, muito menos de gente que não nos conhece, mas, a partir do momento em que escrevemos num espaço que pode ser lido por qualquer um, e sabemos perfeitamente o que estamos a fazer, não podemos ser ingénuos ao ponto de achar que quem nos lê, ou segue, fá-lo apenas porque gosta. E seríamos completamente tontos se achássemos e acreditássemos que todos os que nos lêem gostam de nós e concordam em absoluto com tudo o que escrevemos, mesmo quando o dizem em caixas de comentários. 100% é muita coisa e o absoluto é apenas um estádio e bem precário…
As pessoas e os motivos das pessoas são os mais insondáveis, nós fazemos e dizemos coisas que às vezes nem percebemos de onde vêm. E tudo o que escrevemos é ficção, tudo, apesar de escrevermos sempre sobre nós mesmos, já descorri sobre isso aqui. Pelo simples facto de não haver uma verdade pura e simples. Nem sequer constante. Um dia queremos ver-nos desta forma e queremos que os outros nos vejam assim, noutro de outra. Hoje estamos carentes, e a achar-nos uns bostas, auto-elogiamo-nos de forma, achamos nós, encapotada. E por aí vai… O que escrevo hoje, e não sou eu, é a Isa, amanhã posso descobrir e/ou viver alguma coisa que me mostra o contrário, que me faz sentir algo diferente. Não invalida o que já vivemos anteriormente, e que nos permitiu chegar a algumas conclusões, apenas acrescenta. O que disse hoje posso contrariar amanhã, sem mentir, sem estar louca, sem querer enganar ninguém, simplesmente é assim. Porque a consciência não é uma linha contínua, ela é entercortada. Se fosse contínua estaríamos mortos. É como a nossa pulsação, sobe e desce, a consciência avança e regride, dependendo do momento, da situação. 
Às vezes lê-nos porque gosta, e, no caso de não nos conhecer, não é de nós que gosta, é dela mesma, através do que escrevemos, outras vezes não. Mas de alguma forma há qualquer coisa no que escrevemos que lhe serve, ou não nos leria. Seja o que for, nem que seja para nos distrairmos de nós mesmos, que é o que acontece na grande maioria dos casos em que lemos blogs que, aparentemente, não nos dizem nada. Um bom exercício seria pensar porque lemos aquele e não outro. Porque insistimos naquele e não noutro qualquer, há-os aos milhões. O facto de ser mais conhecido facilita, mas não justifica.  
Garanto que não, nós não nos relacionamos com ninguém com quem não tenhamos alguma coisa para trocar. Nós não lemos ninguém que não acrescente em nada à nossa vida. Quando o efeito sombra passa, deixamos de ler, ou continuamos a ler, mas já sem nos irritar. Quando aquela pessoa deixa de nos dizer alguma coisa que nos serve, deixamos de a ler. Tudo acaba, todos os relacionamentos acabam, tudo dura. Enquanto tivermos alguma coisa para trocar, para partilhar. É como na ficção, a vida não existe sem conflito. Nós não crescemos sem conflito e o conflito é sempre, sempre connosco mesmos. Através do outro, mas sempre connosco mesmos.  
E é aqui que queria chegar. Nós não precisamos de dizer amén a tudo o que o outro nos diz, não devemos levar a sério, e muito menos adotar como verdade absoluta o que o outro diz, ou escreve, sobre ele próprio, sobre nós ou sobre o que acha da vida, do mundo e da humanidade. Mas o outro serve para isso mesmo, para nos alertar para alguma coisa que não percebemos, de que não nos demos conta, de que não nos consciencializámos, mesmo sem querer. É para isto e por isto que nos relacionamos uns com os outros, que nos lemos uns aos outros. O que não está em nós não nos atinge (Hermann Hesse).

A vitimização conforta, o mimimi faz parte, mas se não saímos daí, não evoluímos, interrompemos o processo de crescimento.

Pouco importa a forma como o outro o diz, a agressão gratuita, ele, na grande maioria das vezes, está a falar para ele mesmo, sobre ele mesmo, mas, na blogosfera como na vida, a grande sapiência está em limar o tom, limar os conteúdos exclusivos do outro, que são só dele, e tirar das suas palavras algo que nos seja útil, algo que nos faça crescer, algo que nos torne maiores do que nós mesmos, todos os dias, uma vida inteira. E ignorar tudo o resto… 

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  • Mar* 09/09/2012 at 10:14

    É, tudo. E essa frase do Hesse, por mais difícil que seja de encaixar, de entender, de racionalizar, é das verdades que mais me tem ajudado nesta vida.

    • Isa 09/09/2012 at 16:11

      eu levei anos para a entender, anos… :)

    • Mar* 09/09/2012 at 17:30

      Eu também…mas dizem que mais vale tarde do que nunca ;)

    • Isa 09/09/2012 at 18:11

      ehehehehehe, sem dúvida :)

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