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Os deuses somos nós

14/10/2016

Como disse, comecei a estudar psicologia de forma autodidata. Uns livros puxam os outros, uns autores referem outros, os temas vão surgindo e eu vou atrás de quem publica sobre a matéria, de uma forma que goste.

O tema pelo qual comecei foi a Sombra, não por escolha, voluntária, pelo menos, e todos os outros, que se prendem com os princípios e conceitos da psicologia analítica, foram vindo: herói, jornada do herói, ego, persona, inconsciente pessoal, complexos, tipos psicológicos, imaginação ativa, anima e animus, que é como quem diz: masculino e feminino, Self, onde está o propósito disto tudo. E com estes temas, os autores que a eles se dedicaram, dos quais fizeram objetos de estudo aprofundado. Primeiro Campbell, ainda antes de Jung, e com este Hillman, Neumann, Von Franz, Johnson, Byington e por aí fora.

Durante este processo, havia um tema no qual depositava todas as minhas esperanças: os Arquétipos. Tema recorrente e conceito difícil de entender à primeira vista. Abordado de forma vaga, e suficientemente intrigante para me cativar, algo me dizia que nos Arquétipos haveria de encontrar a explicação para algumas das minhas dúvidas e, acima de tudo e bem mais importante do que isso, onde haveria de encontrar alguma tranquilidade e a paz existencial, de que precisava e não era pouco.

Hillman, o psicólogo pós-junguiano que mais e melhor se dedicou ao tema dos Arquétipos, fez as minha delícias durante uns bons tempos, escreve que é uma beleza e de um jeito nada, nada chato, bem pelo contrário. É logo meio caminho andado para ter em mim uma fã, gente que escreve bem, de um jeito acessível e cuidado, com reverência e paixão pelo tema que estiver a abordar, sem precisar de se esforçar por mostrar que sabe, explicando conceitos mais ou menos complicados de forma a que toda a gente entenda. Até concordo com o método seleção natural, nem tudo é para todos, acho é que os critérios, na grande maioria das vezes, são um pouco distorcidos. Enfim… A partir de determinado momento, senti necessidade de ouvir falar sobre todos estes temas, por gente que os estudasse e me pudesse falar deles como quem conta histórias.

E porque o universo é generoso e a vida abundante, e eu estava atenta, dou-me conta de um curso de extensão da PUC-SP, que é como quem diz: Universidade Católica de São Paulo, sobre mitologia grega e os deuses do Olimpo, e o paralelismo que estabeleciam com a psicologia junguiana. Foi nesse curso, com um dos melhores professores que tive na vida, um Junguiano precisamente da PUC-SP, que entendi o conceito de arquétipo e pude finalmente dar nome às vozes na cabeça, e identificar os arquétipos numa série de pessoas. A mitologia por si só não me interessava por aí além, tinha tido umas aulas na universidade sobre o tema, nada que me arrepiasse, e sido obrigada a ler os clássicos gregos, que obviamente não li. Mas a possibilidade de os deuses gregos explicarem uma série de coisas relativas ao inconsciente de todos nós não só me interessava como passou a ser o meu principal objeto de estudo por um bom tempo. E tornou-se, acho que posso dizê-lo, o meu tema preferido de todos os que envolvem os componentes que constituem a nossa cabeça, consciente e inconscientemente. O Self resume o propósito de vida, os arquétipos são uma das minhas paixões mais assolapadas.

deusaslisboa

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