Judy

22/07/2020

O filme sobre Judy Garland, a atriz que faz de Dorothy, a miúda da rua dos tijolos amarelos, no feiticeiro de Oz, e que cobre os últimos anos de vida de Judy, não é sobre a ascensão e queda de uma estrela. Muito menos sobre decadência, prepotência, arrogância, megalomania, sense of entitlement, sobre uma miúda que não cresceu.

É sobre vulnerabilidade

Que pode vir disfarçada de agressividade, arrogância, crítica, cobrança, reclamação, medo, resistência, recusa, carência, descaso, destrato, amargura, vitimização, queixume, consumo excessivo de álcool, drogas, cigarros.

Também é sobre o desejo de conexão

De sermos lembrados, de ficarmos aqui, mesmo que os nossos corpos se findem, as nossas almas voem pelas galáxias e adormeçam nas nuvens. Desejo esse com ligação direta à vulnerabilidade.

Uma Renée Zellweger magnífica

Apesar de ter tudo para se salvar sozinha, e como quase todas as mulheres, Judy procura a salvação no masculino, no relacionamento com Mickey Rooney.

O que não dá certo…

Porque nenhuma relação de co-dependência dá certo… No que um relacionamento idealmente deveria consistir: crescimento mútuo dos envolvidos. Com responsabilidade individual pela própria vida.

E não o impedimento do crescimento

Judy arruina a sua última oportunidade em Londres, com uma série de concertos agendados e dos quais mal dá conta, insultando o público de todas as formas possíveis, chegando atrasada e destratando-o, e à banda, à frente de todos.

Ainda em Londres, percebe que nem com os filhos poderá ficar.

Tendo uma última hipótese de redenção

Depois de um último concerto absolutamente desastroso, em que o público não perdoou e lhe atirou de tudo para o palco, ninguém pode tudo… Lonnie Donegan, que a substitui na série de concertos ainda agendados – e depois de Judy lhe pedir, sentindo que não voltará – dá-lhe a oportunidade de cantar, pela última vez, num palco.

Encarando a banda com humildade, a verdadeira vulnerabilidade só é levada a sério assim, e o próprio público,

Judy arrasa na primeira música.

Ovacionada de pé, decide continuar, com Somewhere over the rainbow, que a imortalizou. Uma música sobre o caminho, que tem de ser o que é de facto significativo, e a esperança.

Não conseguindo continuar, e numa manifestação de vulnerabilidade autêntica, comovendo-se, talvez por já não acreditar nas palavras que cantava, perdendo a esperança por completo, é ajudada por dois fãs, que se levantam e a substituem, cantando a letra que todos conhecem.

O público junta-se e Judy tem o fim que justo, em glória.

Depois de achar que já tinha perdido tudo, o marido Mickey, os filhos que ficaram nos Estados Unidos, e a vida artística.

Morrendo seis meses depois dos concertos de Londres.

Num mundo em o jornalismo literário, que conta histórias de vida, parece ter acabado, resta-nos ter esperança nos argumentistas com veia de documentaristas.

Judy é um filme brilhante, merece todos os prémios. E Renée Zellweger teve, nos últimos Oscars, a consagração há muito devida.

Pedras

19/07/2020

Sou capaz de ficar que tempos a olhar para a água a correr em rios, ribeiros e riachos. Cristalina, impermanente, em  sulcos, passando por cima de pedras e rochedos, livre, dentro das margens que a orientam na direção certa, por um espaço cada vez maior, até chegar ao mar e se libertar de tudo para sempre, na companhia de outras tantas águas, que entretanto se lhes juntaram, numa massa uniforme, onde mais nada se distingue. 

Tal como me fascinam as pedras, polidas pela água, que lhes dá um brilho especial, sequer se confundem com os cristais de areia refletidos pelo sol.

Fascinam-me em particular as pretas, brilham mais do que as outras, são às dezenas, de todos os tamanhos e formas, arredondadas ou achatadas, pelo contacto umas com as outras, e polidas nas extremidades pela água e a areia.

Fascina-me a sua permanência

A forma como a natureza se encarrega de adaptá-las, para que não se percam, não sejam levadas pelo mar, permaneçam na areia aos milhares, todas juntas, tornando-as inclusive mais bonitas, menos rústicas, protegendo-se umas às outras da força das marés.

Ambas me encantam

A água que corre livremente, indiferente aos obstáculos, não se deixando intimidar por eles, muito menos perde de vista o destino final.

E as pedras, que escolheram ficar umas com as outras, adaptando-se aos elementos que, inclusive, as aperfeiçoaram, sem arestas ou vincos nas superfícies. Às vezes, têm um risco branco ou dois, fazem lembrar gatos, ou doninhas, sem o cheiro pestilento destas.

As águas fundem-se numa massa indistinta, sem qualquer tipo de peculiaridade.

As pedras juntam-se, sem perderem a sua forma, a sua identidade, embora adaptadas. Para que consigam sobreviver à pressão que exercem umas sobre as outras, à areia e ao vento. E à água do mar, que lhes dá um brilho especial, parecem de veludo, que perdem quando lhes pego e as trago para casa.

Talvez as ponha dentro de água, só para as ver brilhar.

Descubro que este é o terceiro texto que escrevo com o título: pedras.

E que cada vez gosto mais delas.

 

Reino Unido 🇬🇧

18/06/2020
É conhecido o meu fascínio e encantamento pelo Reino Unido.

Começou na infância, com a literatura, e o futebol… Continuou na adolescência, com bandas de música, sentido de humor e mais literatura, e rapidamente se estendeu aos filmes e séries. E a mais literatura, que comecei a ler no original antes dos 30, com sotaque e tudo.

Já aqui escrevi vários textos sobre isto.

Falei inclusive na minha fase: ler tudo quanto havia de dois ou três autores britânicos de eleição. Foi o Mike Gayle que me fez começar a ler em inglês. Até lá, tinha um bocado de preguiça. E nunca mais parei.

Essa fase passou e vieram outras

Ontem, por mero e fortuito acaso, assisti a mais um filme baseado numa história do Nick Hornby, no canal Hollywood.

Quando, no início de um filme, vejo o Pierce Brosnan, no topo de um edifício em Londres, pronto para se atirar dele abaixo, vou querer saber porquê…

Só depois descobri que a Long Way Down era baseado numa história do Nick Hornby

O que me agrada no cinema britânico, seja inglês, escocês, galês ou irlandês, é a crueza, a possibilidade real de todas aquelas personagens serem pessoas. Os temas, os argumentos e a forma como são construídos, as opções de twist quase sempre inesperadas e surpreendentes. Muito raramente previsíveis.

Que é também o que me agrada no cinema europeu em geral

Embora ultimamente ande com preguiça para ver filmes noutras línguas. Porque o sotaque britânico continua a dar-me fornicoques, é afrodisíaco, que hei de fazer… Ao ponto de, no meu trabalho, ter a oportunidade de o ouvir, não com tanta frequência quanto gostaria, e pensar algumas vezes que só pode ter sido criado por Deus, de tão perfeito. Quando são homens, juntam-se-lhes as vozes graves, a educação, a paciência, a gentileza, a humildade, e a coisa corre às mil maravilhas. Sorrio muito mais, tenho uma paciência infinita e até o meu tom de voz muda, suaviza.

É lindo de se ver…

O filme de ontem é sobre o suicídio, tema que me é muito caro, e agradou-me por isso. O realismo das personagens, as suas complexidades, torna a história quase verdadeira. Já que o tema não é tratado de forma Hollywoodiana, como se a vida fosse um eterno filme da Disney, ou da Hallmark, todos iguais, zero profundidade, todos perfeitinhos, todos infantilizados, que por mais que alimentem a fantasia de uma vida sem agressões, sem conflitos de maior, sem fúrias, deixam um rasto de frustração gigantesco.

É isso. Os filmes e séries europeus, do Reino Unido em particular, são mais adultos, menos fantasistas, mais realistas.

E o de ontem só o confirma

Acho que é precisa imensa coragem para criar personagens como as do Nick Hornby. E um dia gostaria de lá chegar.

Agora, vou à procura dos que ainda não vi.

É assim que funcionam as obsessões. Se desconstroem símbolos de conteúdos inconscientes e arquetípicos que precisam de ser integrados na consciência. Com a persona devidamente protegida.

Não sendo suficiente, e contrariamente a tudo o que tenho vindo a pensar sobre residência permanente, sou capaz de lá voltar para estudar. Não a Londres, que já tenho a minha dose de cidades grandes, mas à Escócia…

A primeira viagem não foi suficiente…

O aval dos mestres

15/06/2020

“It is the truth, a force of nature that expresses itself through me—I am only a channel— … I can imagine myself in many instances where I would become sinister to you. For instance, if life had led you to take up an artificial attitude, then you wouldn’t be able to stand me, because I am a natural being. By my very presence I crystalize; I am a ferment.

The unconscious of people who live in an artificial manner senses me as a danger. Everything about me irritates them, my way of speaking, my way of laughing.”

Poderia ter sido eu a dizê-la, esta última frase. Ipsis verbis

Foi Carl Gustav Jung, o meu mestre maior.

Nunca, nunca mais posso esquecer-me que não há outro que me salve. Nenhum outro. A não ser ele.

Não adianta procurar a salvação fora de nós. Só cá dentro, onde o numinoso toca primeiro a alma e depois o coração. Numa fração de segundo imperceptível ao tempo humano, do relógio, o meu arqui-inimigo Cronos.

Não há nada mais verdadeiro do que a alma e o coração.

Detox Redes Sociais

11/06/2020

Faz amanhã uma semana que desativei todas as minhas redes sociais, twitter, instagram e facebook.

O mundo anda um lugar muito pouco recomendável e as redes sociais infrequentáveis. Quando dei por mim a entrar na loucura coletiva, na esquizofrenia generalizada, ainda que numa tentativa de ser uma voz de lucidez, achei que o melhor que tinha a fazer era dar um tempo.

Antes de enlouquecer de vez.

As redes sociais não são representativas do mundo lá fora, são piores. E não sei o que mais me incomoda, se os tolinhos do pensamento positivo, se os meros observadores que se entretêm com a ausência de razão e filtro alheios, se os propagandistas do regime, se os adolescentes de mais de 40 anos que acham que têm de escolher um lado, seja ele qual for, normalmente o que fica bem na fotografia, se os raivosos.

Parece impossível, mas o mundo está infinitamente pior do que durante o Estado de Emergência.

Por um lado, não deixa de ser surpreendente que a primeira coisa que as pessoas fazem depois de ficarem enfiadas em casa 2 meses é sair à rua e partir tudo.

Por outro, é bastante óbvio: consequência de limites e restrições à liberdade forçados. Impostos. Ler Mais…

Independência ou morte

27/05/2020

A ilusão da democracia, do partido político, do clube de futebol, da religião, da ciência, dos números, dos astros, do comunismo, do socialismo, do fascismo, da ditadura, do poder, do controlo, da opinião, da participação, do dinheiro, da moda, da beleza, do desporto, da comida, do álcool, das drogas, do sexo, do que funciona, do que não funciona. Da guerra e da paz. Da luta, da batalha. Da ordem e do caos. Da posse. Do ego, da sombra e da persona. Do cinema, do teatro, da dança, da arte em geral, dos livros. A ilusão da cultura. A ilusão do ter e do ser, do conhecimento e dos factos. A ilusão da vida e da morte, da depressão e da tristeza, da alegria e da euforia. Da família, dos irmãos, dos filhos, dos pais, dos netos. A ilusão da maturidade e da eterna juventude. Da fuga. Da presença e da ausência. Da distância e da proximidade. A ilusão do medo, da ignorância. Da saúde e da doença. A ilusão da vida saudável e da vida desregrada. A ilusão do compromisso e da liberdade, e da falta dela, a sua maior aliada. Da dependência e da independência, que pode ser a forma mais básica de dependência… A ilusão da agressão e da passividade, da coragem e da manipulação. Da bondade e da maldade. Da inocência. A ilusão dos heróis e dos vilões, dos fracos e dos fortes, dos bonitos e dos inteligentes. A ilusão da roupa espalhada pela sala e da cozinha arrumada, da pasta de dentes amassada e direitinha. A ilusão do cliché, do diferente. A ilusão dos amantes e a do casamento. Do acordo e do desacordo. Da solidão e da companhia. Das rotinas e dos dias sempre diferentes. A ilusão da esperança, dos dias melhores. A ilusão do dever e a do prazer. A ilusão das causas e a de um ideal. A ilusão dos ímpetos. Da estabilidade, da segurança, da rotura. Da destruição e da construção. A ilusão do conflito e da mudança. A ilusão da permanência e da partida. A ilusão do outro, a nossa própria ilusão, sobre nós e sobre o outro. A ilusão da influência. A ilusão suprema, a ilusão da (nossa) importância… Message in a Bottle, 2011.

Pertencimento

21/05/2020

Tempos houve em que me angustiava sentir que não pertencia a lado algum. A necessidade de pertença é uma das consideradas vitais quando falamos de necessidades emocionais. Agora, talvez por ter-me acostumado, e até goste, me orgulhe, de ser uma misfit, não me faz tanta confusão. Apesar de, às vezes, ser um bocadinho solitário.

E já me deixei de ilusões quanto à suposta proteção de uma entidade. pertencimento

Nunca me filiei num partido político. Ou aderi a religiões. O clube de futebol pouco me diz. Não aguentei o mundo corporativo, nem uma série de outros grupos, porque há princípios dos quais não abdico. E porque quem determina o que posso e não fazer, dizer, defender sou eu. Vejo e ouço coisas indefensáveis e injustificáveis escritas e ditas por gente, obrigada, coagida, levada, pelo grupo em que está inserida, desde ideológico a desportivo, que me fariam cobrir de vergonha. E com as quais me orgulho, desde sempre, de não pactuar.

O preço da minha liberdade é alto, para não dizer, impossível.

Um fim-de-semana destes, falava com um primo que me contava que o chefe lhe tinha proposto ficar com um cargo para o qual o meu primo sabia que o colega com quem partilhava a sala estava a concorrer e a tudo fazer para lá chegar. Perguntou-lhes se estavam a gozar com ele…

Antes de me contar esta história, e só por me dizer: mal ou bem, não fui educado para isto, já sabia do que ia falar, respondendo: não aguentei o mundo corporativo por causa disso, não estou disposta a ser a bitch de serviço.

Não consigo viver com isso…

Ainda não dançava onde agora danço, e o mestre, por ocasião do seu aniversário, em que me coloquei como agente infiltrada num espaço que ainda não era o meu, e que não sabia que viria a ser, de propósito para lhe dar os parabéns, fiz questão, respondeu-me, com uma generosidade infinita, que eu pertencia ali. E lembro-me de ter gostado imenso de ouvir.

Talvez soubesse antes de mim que iria lá parar…

Agora, um ano e meio depois, tenho a certeza que pertenço, que aquela sala, numa paralela da avenida da Liberdade, é a minha casa. É assim que lá me sinto, todas as terças-feiras.

Mesmo considerando aquele buraco escuro onde ninguém entra, nem nós, aquele com a porta entreaberta, que, quanto muito, pode ser alvo de uma espreitadela, mas nunca de uma entrada, nem mesmo ficando no hall. Talvez não pertençamos completamente a lado nenhum ou a pessoa alguma. Pertencemos aos bocados, partes de mim pertencem a partes de ti, de um espaço, de uma atividade. Pertencem não no sentido da posse, mas da identificação. E outras pertencem a outros.

E talvez só pertençamos na totalidade a nós mesmos…

Março 2018

Loosen up

19/05/2020

Come doces, acorda tarde, esquece-te de aniversários, irrita-te, fala alto, fala baixo, não fales de todo, faz desporto, fica alapado no sofá três dias, lê livros, não leias notícias, sê mal-disposto, ri alto, conta piadas, sê politicamente incorreto, faz disparates em público, faz disparates em privado, faz birras, amua, corre de braços abertos, dá murros na mesa, diz não, diz sim, diz não sei, diz talvez, não querias saber, finge que queres saber, manda à merda, pede desculpa, não peças desculpa, pede ajuda, não peças amor, sê atencioso, sê egoista, pensa só em ti, pensa só nos outros, ama, desama, liga, não ligues, reclama, resmunga, responde, não respondas, sê homem, sê mulher, sê criança, sê um animal, sê duro, sê sensível, tira um tempo para pensar, tira um tempo para trabalhar, tira um tempo para não fazeres nada, viaja, não viajes, fica com os teus, abraça, beija, diz eu amo-te, diz tás-me a irritar, diz palavrões, faz assim, faz assado, não faças nada, faz tudo, pede para parar, pede para ir mais rápido, pede por favor, dá ordens, faz pedidos, rejeita ofertas, rejeita pedidos, vai, fica, deixa-te levar, não te deixes levar, dá presentes, não dês presentes, cumpre obrigações, cumpre deveres, não faças nada disso, faz o que te apetece, quebra regras, quebra corações, quebra o coração e reconstrói-o de novo, grita, chora, tem ataques de fúria, parte coisas, atira-as à parede, receia, sê corajoso, sê ousado, engana-te, erra, assume o erro, disfarça, enfrenta, recua, come mal, come bem, vai ao médico, não vás ao médico, vai ao dentista, não vás ao dentista, come verduras, fruta e cereais, come carne, come peixe, bebe copos, fuma, engorda, emagrece, cuida de ti, não cuides de ti, cuida dos outros, que se lixem os outros, ama o teu pai, ama a tua mãe, irrita-te com eles, perde a paciência, perde o norte, perde o sul, perde-te em geral e encontra-te em particular, faz noitadas, madruga, dança, luta, cala-te, fala, gosta de ti, gosta dos outros, elogia, critica, dá murros em ponta de faca, lambe feridas, não te filies a um partido político, abraça causas, deixa as causas pra lá, encolhe os ombros, faz o que te dá prazer, faz o que quiseres, usa o teu poder, abusa do poder, vitimiza-te, auto-comisera-te, ilude-te, canta no chuveiro, toma banhos de duas horas, deixa água correr, esquece-te, lembra-te, pensa, não penses, cansa-te, não te canses, esgota-te, dorme um dia inteiro, aprende, estuda, compartilha, orgulha-te de ti mesmo, orgulha-te dos outros, faz alarde, contem-te, prende-te, liberta-te, entrega-te, domina, sê dominado, arrisca, não arrisques, come muito, não comas nada, impõe limites, ultrapassa os teus próprios limites, quebra paradigmas, questiona crenças, repensa valores,  volta atrás, atira-te de cabeça, vai devagar, corre, envergonha-te, ruboriza, atrapalha-te, retruca, distrai-te, concentra-te, supera-te, surpreende-te, reinventa-te, sê magnífico, sê curioso, sê indiscreto, sê invasivo, cede à pressão, não cedas à pressão, sê misericordioso, sê implacável, colabora, solidariza-te, sê doce, sê polémico, sê sábio, sê ingénuo, acredita, desconfia, espera, age, estuda mais, estuda outra vez, aplica, telefona a meio do dia, hesita, não telefones, descompõe, briga, dá bronquinha, não aceites bronquinha, fica na tua, lembra-te, esquece-te, aceita, não aceites, perdoa, não perdoes, espera, desespera, precipita-te, cede ao impulso, à tentação, cai, levanta-te, sê espontâneo, sê autêntico, sê reservado, não te culpes, sê a tua primeira prioridade, não sejas a segunda opção de ninguém, aceita e respeita todos os teus momentos, vive, sê inteiro, sê humano, quem gostar fica, quem não gostar já cumpriu o seu papel e não precisa de ficar.

14 Nov. 2013

Bruno Nogueira e a Revolução do Amor

16/05/2020

No início do isolamento social decretado pelo governo português, o humorista Bruno Nogueira, para lidar com o que estava a acontecer, e, depois de deitar as filhas menores, entrava em direto no instagram para desabafar. Enquanto bebia um copo de vinho, numa tentativa de manter a sanidade mental e não deixar a criatividade morrer.

Foram dois meses de diretos, todos os dias, entre as 11 da noite e a uma da manhã.

Durante esses diretos, ligava a atores, humoristas, músicos e outras pessoas conhecidas do público, para conversar.

Foram inúmeros os que participaram.

Como a querida Mariana Cabral, Salvador Sobral, o ator Nuno Lopes, Nuno Markl, outros atores e humoristas. E até um radialista do Pólo Norte.

Já Beatriz Gosta, que também participou nos diretos, ficou, na última sexta-feira, encarregue de mostrar como estava o  espírito do Natal no norte do país.

Os diretos chegaram a atingir números incríveis: 60 mil pessoas a assistir.

Bruno Nogueira salvou a quarentena a muita gente.

Ler Mais…

Daimon

08/05/2020

Hillman conceived the daimon as a psychological complex or force existing in everyone, whose function is to help us find our personal calling, and provide us with the motivation to follow it.

“Sooner or later, something seems to call us onto a particular path. You may remember this”something” as a signal moment in childhood, when an urge out of nowhere, a fascination, a peculiar turn of events struck like an annunciation. This is what I must do. What I’ve got to have. This is who I am”.

In: The Soul’s Code, James Hillman

James Hillman foi o primeiro autor junguiano que li. Fácil de entender, como todos os autores americanos. Especialíssimo, por causa do daimon. Pai da psicologia arquetípica, só pode ser bom.

Ainda por cima, dedicou um livro inteiro ao Puer Aeternus, um dos meus arquétipos preferidos.

Depois de The Soul’s Code, o primeiro que li, seguiram-se quase todos os outros. A obsessão do costume.

Hillman prestou um enorme serviço à causa.

Uma série de livros publicados, outra de vídeos no youtube com aulas ou palestras dele. É procurar.

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