Livre

Parte de fraco

12/10/2015

Tenho soltado o verbo no twitter por conta da situação política em Portugal, não escondendo a minha opinião e a minha irritação com o abuso que tem sido perpetrado por Costa e principalmente por o país estar refém da neurose de um líder de um partido. Por causa disso, um dos meus seguidores, chamou-me nas mensagens privadas, dizendo: desabafa aqui. Gostei do gesto, mas não gostei da explicação: não podemos dar parte de fracos. Não podemos dar a entender à esquerda que a direita está aflita com toda esta história.

Na passada sexta-feira, ouvi a mesma frase, a propósito de outra coisa qualquer, que implicava que, aparentemente, alguém ficaria numa posição fragilizada se mostrasse que se importava com o facto de alguém ter escolhido o seu objeto antes, restando à pessoa em causa uma segunda escolha.

Em todas as vezes que a ouvi, e tem sido recorrente, o que quer dizer que está na hora de lidar com ela, fiquei meio sem perceber o objetivo.

A ilusão de que podemos controlar o que os outros pensam de nós não passa disso, ilusão. A ilusão dos outros de acharem que nos controlam, apenas pelas emoções que demonstramos num dado momento, não passa disso mesmo, ilusão.

Poderia ser pela posição de aparente fragilidade que assumimos ao admitir que ficamos mexidos com algumas coisas. A questão é que não é numa posição de fragilidade que ficamos, ficamos numa posição de quem lida com o que o incomoda, de quem pensa nisso, no porquê e no para quê. A questão é que pomos para fora, em vez de engolirmos o que não é suposto engolir. E dura o tempo que nós quisermos, normalmente até entendermos o que nos leva a reagir de forma mais ou menos calorosa em relação a quê. Quem determina que sejamos dominados por terceiros somos nós, é simples assim. O resto, o resto é alegria temporária de quem se preocupa apenas em segurar o poder que acha que detém sobre os demais, o que, já se sabe, não dá alegrias a ninguém, só dissabores… A alegria temporária da falsa autoconfiança. Quem é autoconfiante não precisa de sentir que domina ninguém, muito menos tem medo de ser dominado.

Já quem manifesta emoções dá-se espaço para lidar com elas, para entender o que aconteceu ali, consigo, por onde pega, o que está na sombra e agora veio para a consciência. É a nossa sombra desconhecida que nos domina e nos deixa fora de controlo, não os outros…

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