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Perfeita, perfeita só a Super Bock Green…

29/08/2007

– Os amigos são pra quê, Ambrósio?
– Prás ocasiões, Senhora.
– Prás ocasiões???
– Sim, prás más, prás boas e para as assim assim.
– E os que só aparecem nas más, Ambrósio?
– Deixam muito a desejar, tal como os que aparecem só nas boas.
– Mas nas más uma pessoa precisa de apoio, Ambrósio.
– E nas boas precisa que festejem com ela, Senhora, os amigos que só aparecem nas más são os que são incapazes de ficar felizes com as conquistas do outro, ficando numa espécie de felicidade com as suas desgraças. É assim mesmo, sórdido… E os que só aparecem nas boas não são de confiança.
– Isso é muito triste, Ambrósio.
– Pois é, mas acho que a Senhora não tem do que se queixar.
– Pois não, Ambrósio, aprendi a não esperar mais dos outros do que aquilo que eles me podem dar.
– Tem a certeza, Senhora?
– Não, Ambrósio, mas vou-me esforçando…
– E dar apenas o que pode, já aprendeu?
– Vou aprendendo, Ambrósio, com fé em Deus hei-de lá chegar.
– Então mas afinal Ele existe, Senhora?
– Sei lá, Ambrósio, às vezes, como hoje, acho que é impossível existir, plo menos na forma a que estamos habituados a vê-lo.
– E isso não será o que vocês que acreditam nessas coisas chamam de livre arbítrio?
– Acho que não, Ambrósio, ou que raio de escolhas seriam as nossas. E há coisas que saem fora de tudo, de qualquer controlo… Já não sei com o que contar…
– Eu se fosse a si contava apenas consigo.
– Acho que não me chego, Ambrósio. E consigo, posso contar?
– Pode, Senhora, mas não espere muito de mim.
– Não me lixe, Ambrósio…

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