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Pérola Negra

07/06/2010

Ontem, a pracinha, que fica no fundo da Rua Fidalga, em São Paulo, recebeu a 1ª mostra Mangue Cultural, que vai até fim de Outubro, todo santo Domingo, com Samba.

A Pérola Negra abriu os trabalhos. Uma horinha de Samba, seriam duas mas em vez de começar às 4 da tarde começou às 5 daí que… O dia estava lindo, não havia uma única nuvem no céu e, por entre as árvores da pracinha, o sol espreitou até o último raio de luz desaparecer na linha do horizonte.

O Samba ferveu e a escola é assim do melhorzinho que há. A bateria não deixou ninguém indiferente e ao fim de 20 minutos, as passistas, a rainha, a bateria e o mestre (maestro?) já tinham a companhia do povo que, já solto, se deixou levar plo samba que lhes corre nas veias, dançando e pulando até ao fim.

Não tinha sido por falta de convite, a rainha da bateria, e as passistas, já tinham feito alguns esforços para chamar o pessoal, mas ninguém ficava por muito tempo, nem mesmo com a promessa de aprender.

Não me perguntem que músicas tocaram nos primeiros 5 minutos, porque estava fascinada com os rabos das passistas. Tirei uma série de fotos, queria mostrar-vos o que é um rabo sem celulite, mas não consegui passá-las do telemóvel pro computador. Aquilo diz PC Suite, eu uso Mac, deve ser por isso*…

Não há-de esta gente ser feliz? É simplesmente impossível ficar indiferente ao som da bateria, à alegria de toda a escola e às músicas que, graças a Deus, estiveram longe da Marchinha. Ao invés, foram os clássicos: vivo num país tropical, trailailai, passando por Tim Maia, acabando no samba enredo da escola do último Carnaval. Fartei-me de cantar e de abanar o pézinho. Quase mostrei o tensor para provar que não era caretice, que era incapacidade técnica, mesmo. Mas não foi preciso. Cada um sabe de si, ou vamos ou não, sem grandes chatices, sem encheção de saco.

Eles estão todos vestidos a rigor, também tenho fotos disso, e a porta bandeira e o mestre de sala também lá estavam, felizes, a dançar, fazendo o público desviar, a custo, os olhos da Rainha da Bateria e do seu rabo sem celulite.

Uma das passistas estava de rosa e a outra de laranja. Com uns saltos, sem plataforma, fininhos e vertiginosos. E dançavam sem parar, corpos praticamente desnudos. A maquilhagem era, naturalmente, carregada. Uma delas tinha as pálpebras pintadas de cor-de-rosa choque, via-se até no escuro, a outra de laranja. Não sei se as pestanas estavam assim também, mas é bem possível. As passistas e seus requebros febris dançavam com homens, mulheres e crianças, o importante era sambar.

Chegámos bem depois das quatro mas havia uma mesinha à nossa espera. De costas para a bateria. Foi lá que nos sentámos a beber umas e outras e a fumar cigarros – um lugar onde se possa beber copos e fumar, em São Paulo, é praticamente um achado -, com visão privilegiada pros rabos das mulatas, sem celulite, nem um pontinho, nada…

Começa a anoitecer, as luzes de rua acendem e o samba continua. É um som brutal, bom demais, um ritmo que não deixa, mesmo, ninguém parado.E não era por causa do frio. Só já a vir embora, nos apercebemos da quantidade de prédios por trás das árvores da Pracinha. O Sol a pôr-se, à chegada, tinha-nos ofuscado.

Tenho de aprender a sambar, não dá para continuar a recusar convites do mix Ney Matogrosso com Caetano Veloso, desta vez já no Ó do Brorogodó, samba, mas doutro nível, de Gafieira. Com direito a dançarinos de sapato branco e tudo.

*[Nada que uma ligação à net não resolva… E vem a pessoa carregada de cabos, Bluetooth e está o problema resolvido]

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  • Diana 07/06/2010 at 18:40

    Quinveja, quinveja, quinveja!!!!!!!!
    Há uns videos do Carlinhos de Jesus no youtube que ensinam a sambar. O básico porque aquele descadeiramento tem que estar no sangue.

  • Isa 08/06/2010 at 03:37

    Mas minha linda, terei todo o prazer em disfrutar de um Samba na companhia do núcleo rico da novela. A coisa dura até Outubro, n será mais Pérola Negra mas parece que há uns igualmente bons ;) deixa-vos voltar da pátria amada e combinamo-nos ;)
    o descadeiramento tá no sangue mesmo!
    elas são feitas de uma outra massa que não é a nossa, infelizmente pra nós ;)
    bjo

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