Livre

PoP

16/04/2016

Romântica incurável que sou, nutro particular apreço pelas comédias do género, vendo tudo o que me aparecia à frente, exceto se fosse demasiado estúpido e insultasse a minha inteligência, como o doidos por Mary, por exemplo. Até ter ficado traumatizada com uma em que entrava, se não me engano, a Britney Spears, ou a Jenifer Lopez, já não me lembro bem, quis esquecer, o evento foi verdadeiramente traumático, e aí deixei de ver por completo, achei que era demais, exceto se entrasse o Matthew Mcconaughey. Já mais recentemente, vi uma com meu ator preferido de comédias românticas, o Hugh Grant, e a esganiçada da Jessica Parker e jurei pra nunca mais, nem o Hugh Grant, que me encanta com a sua espontaneidade, a sua graça e o seu irresistível sotaque britânico,  me convenceria. Não sei quê dos Morgan, se fosse Mormon teria mais graça…

Durante anos, o meu filme preferido do género foi o casamento do meu melhor amigo, porque adoro aquela música da cena final, o Say a little prayer, e, sei lá, porque o filme tinha alguma profundidade. O meu trauma foi tal que deixei passar a que entretanto se tornou a minha comédia romântica preferida, pelo menos do que me lembro agora. Estava em casa de uma amiga a orientar a filha dela e uma amiga, pré-adolescentes, e elas começaram a ver esse filme. Que tinha uma vaga ideia de ter querido ver, mas deixei passar. Ainda por cima, era com o Hugh Grant, antes dos Morgan, e fiquei a ver com elas.

Não há alminha que tenha vivido a adolescência nos anos 80 que não se ria às gargalhadas logo com o genérico. Aquela música é hilariante de engraçada, experimentem dizer PoP como eles dizem, principalmente se associarem a palavra ao coração, e vejam se não se riem… e o teledisco é igualzinho à parolada que se fazia nessa década. Que, benza deus, foi muito feliz em termos musicais, mas também houve espaço para muita foleirada. Aqueles abanar de cabeça, aquele dramatismo dos gestos, aqueles cabelos, aqueles cenários, o glosszinho nos lábios do médico para os fazer brilhar, que tinha um cabelo igual a um daqueles parolos dos Modern Talking, que diagnostica que o coração do Alex Fletcher parou, o próprio coração, as expressões, as vozes, o som metalizado dos sintetizadores, a interpretação da histórinha, tudo aquilo me faz ter convulsões de riso, a acabar no ex-libris que é o movimento de anca, delicioso. Alex, Hugh Grant, era o membro apagadinho da banda, que era um mistura de Duran Duran e Wham, mas mais pop, e a história gira à volta dele. O tema central é a escrita e o processo criativo, o que o faz logo ganhar mais pontos, e as piadas são boas, mesmo boas, se bem que ditas pelo Hugh Grant levam logo não sei quantos pontos de avanço. Ainda por cima ele tem aquela complementaridade dos britânicos, interpreta, canta e toca. Piano…

O Música e Letra foi o filme que me fez fazer as pazes com o género, mas também fez de mim mais exigente. Os personagens são engraçados sem serem tontinhos, humanos, autênticos, as músicas e letras são bonitinhas e harmoniosas e tem cenas encantadoras, como quando os dois gravam a música que compuseram para Cora, harmonia em dupla e em conjunto, em que o momento e o resultado final são mais fortes do que o ego de cada um, mexem sempre muito comigo. E a redenção do herói passa por voltar à essência, concentrando-se mais no trabalho artístico, no que lhe dá prazer e faz da melodia algo com qualidade, do que o que é comercial, nunca deixando de lado o humor, como a história das plantas e da mudança da mobília, na letra da música que escreve sozinho e canta nas cenas finais, o show da Cora, que é, também ela, uma sátira à exploração sexual que se vê no mundo da música, desde que te saibas mexer, não precisas nem de saber cantar. Orientado para nos fazer voltar para o que verdadeiramente importa e com um viés psicológico interessante, o Música e Letra, uma sátira muito bem conseguida ao universo musical POP dos anos 80, mas que não é de todo vazia e não insulta a inteligência de ninguém, fez-me ontem voltar a rir às gargalhadas, de tal maneira que o vi duas vezes seguidas, porque fui a tempo de o gravar, antes de o Hollywood o transmitir. Que isto da TV do futuro é muito boa exceto quando os canais não permitem voltar a ver os filmes transmitidos.

You Might Also Like

  • Diana 20/04/2016 at 14:07

    Ahahahahahahaha!!!! Que espectáculo! Vou ver se encontro para ver com as miúdas.
    Acho que o último que vi com o Hugh foi o Love Actually. Aquela cena dele a dançar, acaba comigo.
    Este não vi porque é com a chata da Drew. Há dois atores dos quais me recuso a ver filmes. Ela e o parvalhão do Sanders. Não tenho paciência.

    • Isa 20/04/2016 at 23:26

      Essa cena dele a dançar como primeiro-ministro arranca-me gargalhadas sempre :D Eu admiro a Drew, podia ter acabado numa sarjeta e está aí, linda e loura a fazer filmes ;) O Sanders não estou a ver quem é… Sério, é hilariante, fica atenta ao que ele diz, ele fala rápido e lá está não faz carantonhas pra informar às pessoas que aquela parte é pra rir, juro, choro a rir com ele, muito amor.

    error: Content is protected !!