Por falar em mercado…

13/09/2016

É assim que os vejo, servos da ciência, que é feita por indivíduos, que se esquecem de que não existe apenas o que conhecemos, que é mais seguro sabermo-nos ignorantes, por só essa curiosidade nos conduzir à descoberta. Os servos dos números – essa ciência tão exata que pode ser deturpada e manipulada por qualquer um, e nos permite iludir-nos, que joga a nosso favor e contra nós –, insistindo em incluir-nos neles, como se fôssemos títulos da bolsa, uma pera, um bocado de carne, inanimados, como se o nosso valor fosse o mesmo e dependesse do mercado, essa entidade sem alma nem cor, sem tons; essa entidade escura, sem brilho, que nos trata como objetos, incapaz de reconhecer que temos vida, interesses que mudam, consciência que clareia e sombras que se transformam em luz. Usamos esse ser inanimado chamado mercado, porque o tal que é só um e está ofuscado pela sua grandiosidade, também sabe que basta que se junte um outro mar de gente para que a maré mude, com a perfeita consciência de que até o passado pode ser alterado, basta que olhemos para ele de uma forma diferente, da única forma que nos permite avançar, viver de outra maneira, melhor, mais consciente, sem perder o caráter – o tal que se mantém desde que nascemos, que nos torna diferentes, únicos, cujas peculiaridades não cabem no mercado. In: Message in a Bottle 

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