Livre

Porque os homens ficam?

28/09/2015

Tenho me dedicado ultimamente a uma das mais velha questões da humanidade, nomeadamente à traição. Não tanto aos motivos pelos quais os homens, que é o target que me interessa, traem, mas mais pelo que os leva a ficar. Já que, se traem, é por sentirem que alguma coisa lhes falta no casamento e lhes falta a coragem para a assumir perante as mulheres e eles mesmos, para que possam tentar resolvê-la em conjunto, seja proactivamente, reinventando-se, seja apenas com o intuito de a aceitarem.

Porque se sentem diminuídos pelas mulheres, por sentirem que já não representam o papel a que se propuseram, por não se sentirem desejados, por uma afirmação de masculinidade, o velho instinto conquistador, sabe deus por que mais, a verdade é que os homens traem. Seja com qualquer rabo de saia que cruze o seu caminho, e hoje em dia não são precisos caminhos de terra, a estrada virtual está aí para satisfazer tudo quanto é fantasia, seja com alguém mais consistente, uma traição coerente, digamos assim, vivendo a chamada vida dupla.

Se um homem trai com qualquer rabo de saia, não há grande coisa a dizer ou a fazer, a não ser mandá-lo fazer terapia. Se a traição é coerente, então a pergunta impõe-se: porque não largar a mulher e ir ser feliz com a outra? Moralismos à parte, compromisso à parte, família à parte, as coisas acontecem. E se houve tempos em que nada se punha em causa, os casamentos permaneciam e as pessoas, homens e mulheres, levavam vidas duplas for the sake of the status, hoje, apesar do status ter um peso enorme e a culpabilização e julgamento sociais serem insuportáveis para muita gente, a verdade é que é mais fácil largar tudo e partir, por ser mais aceite, por haver uma maior abertura para a vivência do prazer do que a que havia há 4 gerações, vamos considerar 20 anos como o período de uma geração. As pessoas recuperam, o tempo passa, as nossas vidas ficam melhorzinhas porque nos sentimos amados de novo, e nós paramos de julgar os outros porque estamos entretidos a viver a nossa vida, que nos dá trabalho suficiente. Daí que, na verdade, era só aguentar uns aninhos até que as hostilidades passassem. E se não passassem, é viver com isso, para não termos de deixar de viver em nome da sacrossanta co-dependência, deus nos livre.

Um gajo está farto da mulher, do casamento, da vida sempre igual, apesar de continuar a amar os filhos e a mulher, mas aquela vidinha de sempre começa a pesar à medida que os anos vão passando e um gajo tem de aceitar o facto irreversível de que está a envelhecer. E por isso talvez precise de provar a si mesmo que ainda está podendo. Vai daí, procura fora o que não consegue arrancar de dentro. É facílimo de entender para quem está de fora e não é afetado diretamente pelo delírio do macho.

Apesar do papel masculino lhes ser inerente e a sua representação ter um peso enorme, quase lhes sendo vital, para o representarem precisam de uma mulher, a conclusão a que cheguei, porque são muito raros os homens que acabam casamentos exclusivamente por causa de casos extra-conjugais, normalmente são a mulheres que não estão para isso, é que as mulheres, as crianças, a família e a casinha deles são a sua segurança. Sem estes, os gajos não sabem o que fazer, vivem atolados em lixo, largados e perdidos. São estes que o põem na ordem, que lhe dão um rumo e um norte, que o fazem sair de casa todos os dias para ir trabalhar, que lhe dão um sentido para a sua vida. Nem sequer se trata de responsabilidade, é de segurança. E, por algum motivo, a mulher que escolhem para dar umas cambalhotas, podendo até estar apaixonados por ela, não lhes chega para se sentirem seguros. Sentem-se valorizados, desejados, escolhidos, admirados, no controlo, mas não seguros.

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