Uncategorized

Prá carência de contacto físico? Metro à hora de ponta!

19/08/2007

– Obrigada por ter tomado tão bem conta da casa, Ambrósio.
– Deixou muitas saudades, Senhora.
– Não me lo diga, Ambrósio.
– Pois digo, Senhora.
– O Ambrósio sabe como é, estava num daqueles momentos em que os temperamentos sensíveis têm impulsos indomáveis*, gosto cá da minha atençãozinha.
– Sabe que pode sempre contar comigo mas de qualquer maneira devo dizer-lhe que dou valor às pessoas que se assumem Senhora, nunca mais me esqueci do Capitão Furilo. Mas e diga lá, que tal?
– Tudo bem, Ambrósio, fiz uma descoberta fantástica.
– Conte, conte.
– Já sei de onde é que os monhés herdaram a carência de contacto físico.
– Não me diga que foi nossa?
– Ah pois foi. Uma pessoa dá-se ao trabalho de andar quilómetros e quilómetros na praia para não ter de levar com as conversas, os grunhidos, os guinchos e os palavrões das pessoas e assim que encontra um lugar suficientemente afastado, ainda nem despiu o vestido amarelo, e já está uma família com crianças, pais, mães, tios e primos a abancar-se ao lado… Qual é o remédio pra isto, Ambrósio? A mim apetece-me logo desatar aos gritos, mandar os putos atirar areia plo ar bem pertinho dos que acabam de chegar ou perguntar-lhes se têm frio…
– Ou isso ou jogar à bola ou às raquetes e fazer pontaria a um deles, Senhora. E depois peça desculpa e diga que foi sem querer. E, fundamental, assim que apanhar algum ou alguma a entrar devagarinho dentro de água atire-lhe com uma bola de maneira a que não lhe toque mas que o molhe todo. E de preferência, mergulhe de chapa bem ao lado dele ou dela. Se ele reclamar pergunte quantos são e solte as crianças aos guinchos em cima dele.
– Bravo Ambrósio!
– E se nada disto resultar, solte-lhes os cães, Senhora.
– Ai, Ambrósio, bendito seja…
– Pronto, Senhora, fiquemos por aqui antes que eu comece já a enervar-me…

*In: O Primo Basílio, EQ.

You Might Also Like

error: Content is protected !!