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Pra quem padece de falta de ar…

28/04/2013
A doença seria, assim, uma expressão simbólica, uma forma do organismo expressar uma desarmonia entre, por exemplo, um desejo e uma resistência, entre um impulso e uma negação. O desejo de amar alguém, junto com o medo das consequências desse amor, pode aparecer no início sob a forma de pressão no peito e falta de ar. Pressão no peito e “estresse”, “aprisionamento”, ou sob a imagem de um coração dilacerado. A continuidade desse conflito, como estilo de vida, no decorrer dos anos pode levar a uma sintomatologia mais orgânica e também mais destrutiva. A dor no peito pode ser o primeiro símbolo a chegar à consciência, como a melhor expressão deste conflito e, ao mesmo tempo, é uma tentativa de chamar a atenção do indivíduo para a sua realidade conflitiva e para o desvio do ego da sua totalidade.
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Embora seja mais provável que a doença seja a expressão de um desvio, enquanto a saúde é a expressão de crescimento, somente o equacionamento pessoal pode responder se uma dor no peito é a melhor expressão simbólica de um determinado conflito amoroso ou se é a expressão de um novo conteúdo, que precisa ser integrado na consciência, conteúdo esse que não estava no inconsciente pessoal, nem aprisionado na sombra ou vinculado a um complexo, mas sim pertencia ao inconsciente coletivo. Podemos, entretanto, dizer que em ambas as situações o sintoma leva o indivíduo a uma maior consciência corporal e pode reposicioná-lo no processo de individuação. No caso de uma repressão, a doença poderia ser necessária para a religação da consciência com a sua totalidade, uma vez que esta foi perdida ou lesada por processos de desajustes emocionais, desajustes estes decorrentes, em geral, da atuação de um complexo e/ou de uma perturbação no eixo ego-self. 

In: “A psique do coração”, Denise Ramos

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