Uncategorized

Pré-conceito*

13/11/2013

6813926852_90655230e5_b

Todos nós somos preconceituosos, todos. Temos é preconceitos diferentes uns dos outros. Preconceitos contra ricos, pobres e classe média; contra gordos, magros, bonitos e feios; contra betinhos, punks, metaleiros ou emos, contra brancos, pretos, amarelos ou vermelhos; contra ciganos; contra americanos, espanhóis, suíços, ingleses, franceses, alemães, brasileiros, portugueses, argentinos, povos da Europa do norte em geral, da do sul em particular, da de leste; contra a esquerda, a direita e o centro; os liberais e os anarquistas; contra quem fuma, bebe, cheira e se injeta; contra a autoridade, contra os políticos; contra os católicos, os muçulmanos, os hindus e os budistas, os mormons e os evangélicos, os judeus e os jeovás; contra gente assim, assado, cozido e frito; contra homossexuais, heterossexuais, travestis e transexuais; contra os homens e as mulheres; contra corinthianos, sao paulinos, benfiquistas, portistas e sportinguistas; contra velhos, novos e mais ou menos; contra o povo da ciência, o povo das artes; enfim…

O preconceito é isso mesmo, um pré-conceito. E a culpa não é da História, embora nos dê muito jeito que fosse. Nós somos preconceituosos porque é isso que nos difere dos demais, que nos faz acreditar que somos melhores do que eles, mais civilizados, mais bonzinhos, mais normais, mais aceites, mais o que quer que seja. O preconceito existe para nos fechar na frágil bolha em que gostamos de viver, porque achamos que nos protege da diferença, porque achamos que precisamos de padrões, de limites e de coisas que nos definam. De categorias, porque se nos inserirmos numa categoria temos uma falsa sensação de pertença, porque se nos afastarmos do “mal”, ele não nos pega. O mal, tal como o bem, exceção feita aos psicopatas, está dentro de cada um de nós. Porque quanto mais nos mantivermos longe de quem é diferente, menos somos obrigados a confrontarmo-nos. É esse o nosso maior pavor. E por isso dirigimos ódios a tudo e todos quantos nos ameaçam a nossa falsa paz interior, a falsa ideia que temos de nós mesmos. Felizmente, nem todos os pomos em prática. Quanto mais inseguro, mais preconceituoso. Quando menos mundo, mais fechado.  

A forma de evitar isso não é tratar uns e outros de forma diferente, é tratarmo-nos uns aos outros de forma igual, não é proibir porque incomoda, não é tirar palavras dos dicionários porque ofende. É lidar com pessoas como pessoas, que têm direitos, deveres, obrigações, inerentes a cada país, como qualquer cidadão desse país. O sentimento de culpa, ou de inferioridade, que sentimos em relação a qualquer raça, religião, nação ou condição não implica tratamento especial, é isso que gera preconceito. Tratemos as pessoas com humanidade, olhemos para elas como iguais, que é o que elas são, iguais, somos todos feitos da mesma massa, todos, e o problema está resolvido. Quanto mais nos relacionarmos e convivermos com quem achamos que é diferente, seja de raça, religião, classe social ou partido político, menos notamos essas diferenças. O preconceito resolve-se com convivência, não com segregação, que, na grande maioria das vezes, é começada por quem depois se queixa de preconceito e, nos casos mais graves de esquizofrenia, de racismo.   

Legenda da imagem: não é a sua ignorância que me define.

*Republished 07/03/12

You Might Also Like

  • Diana 08/06/2012 at 11:48

    É isso aí. Somos mesmo. :) Aceitando isso, é meio caminho andado.

  • error: Content is protected !!