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Quando desistir é dar um passo em frente

18/11/2014

A verdade é que desde que descobri o que quero fazer, as traduções deixaram de me dar prazer, mesmo as jurídicas, que fazia com um gosto imenso. São um métier, hence uma fonte de rendimento, logo irrecusáveis, a não ser que o preço seja uma ofensa a roçar a escravatura. Já fiz muito, não faço mais. Por isso, e apesar de achar uma chatice, quando me pedem faço, por sobrevivência. images

Ontem, a ideia que me assaltou em São Paulo voltou à consciência mostrando-me que estava firme, que não tinha sido um devaneio, uma ilusão. De alguma forma, o meu inconsciente sabe que é possível, viável e que não se trata apenas de um desejo do ego.

Mas, como acontece sempre que temos de largar o conhecido para encarar o desconhecido, apegamo-nos de alguma forma ao conhecido, ao mesmo tempo que queremos andar para a frente. Como é óbvio, não saímos do mesmo lugar, são duas forças opostas, cada uma a puxar para seu lado.

A questão é que a vida é difícil para fazermos um trabalho que não gostamos e para fazermos um que gostamos, porque raio é que eu me vou esfalfar para fazer uma coisa que não gosto quando posso usar essa energia toda e melhor numa que gosto? Chateemo-nos por algo que valha a pena, digo eu… Até para os mais céticos, isto faz sentido.

Até ontem fiz parte de um grupo de tradução no facebosta. Nem sei porquê, apeteceu-me muitas vezes largar aquilo, mas de todos os grupos em que me inseriram, aquele foi o único que aguentei. E de vez em quando tinha informações úteis sobre preços e tal. O primeiro post que lá pus foi uma citação entre aspas, mas sem referência ao autor, por preguiça, pura e simplesmente. Faço isso no tuito, faço isso aqui, mas nunca, nunca na minha vida, me atribuí uma frase que não fosse minha. Nunca. Não só porque sou honesta, nem mesmo porque sou autora e odiaria ser roubada, principalmente se o produto do roubo tivesse aceitação, mas por vergonha de ser apanhada. Ora a autora da frase veio guinchar e espernear, escreveu 4 comentários seguidos, que obviamente não me dei ao trabalho de ler, tresandava a complexo, mas teve o azar de me acusar de plágio e de me MANDAR pôr o autor na frase. Fudeu, meus amigos. Eu também tenho complexos que não se coadunam com a fase Afrodite-zen que abracei. Ainda tentei ir a bem, disse que tinha posto a frase entre aspas e mais o seguinte: keep Calm and Enjoy Sharing. E a gaja insistiu. Eu poderia ter sido mais cordata, mas não fui. O meu “mau feitio” é digamos um mecanismo de defesa contra os predadores emocionais. sê bem-vindo, seu lindo. Além disso, ainda estava a ferver por conta de uma situação que tinha vivido e que me tinha deixado com o coração aos saltos por maus motivos, de raiva, ainda por cima. E ela queria bater boca, eu não estou pra isso e mandei-a ir fazer queixa à polícia. Provocou-me, foi estúpida, não me conhece de lado nenhum e acusou-me de um crime, plágio. Ainda por cima não sabe o que é plágio. Mas fui bem-humorada, com alguma dureza, mas bem humorada. E não bati boca, escrevi 3 comentários, ela escreveu uns 9, a falar sozinha. Quer dizer… O grupo tem milhares de pessoas, praticamente todas ficaram em silêncio. Eu jamais me calaria numa situação de injustiça destas, quem me conhece sabe. E, com a cabeça mais fria, trataria de explicar à loka sem noção o que é plágio e cabelo em ovo. Mas ninguém se chegou à frente. Não surpreende, foi isto a vida inteira, mas nunca perco a esperança. É o outro lado do silêncio, o do medo, vede vídeo aí em baixo. Depois de me pedirem para pôr o autor e dizer não sei o quê e eu ter recusado porque aquela loka não tinha razão nenhuma, não gostei do tom muito menos que tivesse partido logo pra acusação, os gajos apagaram o post e o administrador referiu-se apenas ao meu tom, e não ao dela, tive a esperança que me expulsasse, mas não, preferiu julgar-me e chamar-me nomes à frente de toda a gente. Depois de bloquear a loka – com louco a gente lida assim, afasta-se e deixa-os a falar sozinhos, é uma questão de auto-preservação da espécie, no caso, a nossa – fui dar uma olhada ao post do senhor administrador e tinha 8 gostos. E eu achei que se calhar não pertencia ali, a um mundo em que se baixa as calças ao estrangeiro, se apela ao tom, porque o que é importante é manter as aparências. Vai daí, saí. Tenho agora a certeza de que foi o melhor que fiz, desapegar de vez da tradução e abraçar o resto.

Imediatamente, e quando digo imediatamente é no segundo seguinte, me vieram uma série de ideias para complementar a inicial, que acabaria por ser limitadora para tudo o que penso, quero e posso fazer.

Outra coisa que cada vez mais se firma na minha cabeça, como sinal nao só de maturidade como de sanidade, é a escolha das batalhas. Chatearmo-nos com coisas que valem a pena, que nos afetam diretamente e aos nossos e que possamos mudar. Tudo o resto que se dane, deixemos pros jornais e pros ativistas de facebook. Os alienados não somos nós.

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  • Anita 18/11/2014 at 16:01

    Pena que não se consegue “sair” e/ou bloquear assim tão facilmente o que nos incomoda na vida “cá fora” das redes sociais.
    Se bem que já foi mais difícil… Vivam os quase-quarenta! ☺

    • Isa 18/11/2014 at 16:03

      Vivam! :D

  • Elaine 19/11/2014 at 10:33

    Como estou à sua frente no quesito “nasci primeiro”, já tinha aprendido essa – deixar as batalhas infrutíferas para quem tem tempo para elas. Você é minha irmã de alma que nasceu do outro lado do oceano. E minha preferida EVER, que você já destrinchou – os cães ladram…

    • Isa 19/11/2014 at 11:30

      :) Bjo, sua linda.

  • Secrets u hide | Eça é que é essa 19/11/2014 at 13:34

    […] frase: não fazer por vergonha, do post aí em baixo firmou-se na minha consciência e dei por mim a pensar em quantas coisas não deixamos de fazer por […]

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