Reino Unido 🇬🇧

18/06/2020
É conhecido o meu fascínio e encantamento pelo Reino Unido.

Começou na infância, com a literatura, e o futebol… Continuou na adolescência, com bandas de música, sentido de humor e mais literatura, e rapidamente se estendeu aos filmes e séries. E a mais literatura, que comecei a ler no original antes dos 30, com sotaque e tudo.

Já aqui escrevi vários textos sobre isto.

Falei inclusive na minha fase: ler tudo quanto havia de dois ou três autores britânicos de eleição. Foi o Mike Gayle que me fez começar a ler em inglês. Até lá, tinha um bocado de preguiça. E nunca mais parei.

Essa fase passou e vieram outras

Ontem, por mero e fortuito acaso, assisti a mais um filme baseado numa história do Nick Hornby, no canal Hollywood.

Quando, no início de um filme, vejo o Pierce Brosnan, no topo de um edifício em Londres, pronto para se atirar dele abaixo, vou querer saber porquê…

Só depois descobri que a Long Way Down era baseado numa história do Nick Hornby

O que me agrada no cinema britânico, seja inglês, escocês, galês ou irlandês, é a crueza, a possibilidade real de todas aquelas personagens serem pessoas. Os temas, os argumentos e a forma como são construídos, as opções de twist quase sempre inesperadas e surpreendentes. Muito raramente previsíveis.

Que é também o que me agrada no cinema europeu em geral

Embora ultimamente ande com preguiça para ver filmes noutras línguas. Porque o sotaque britânico continua a dar-me fornicoques, é afrodisíaco, que hei de fazer… Ao ponto de, no meu trabalho, ter a oportunidade de o ouvir, não com tanta frequência quanto gostaria, e pensar algumas vezes que só pode ter sido criado por Deus, de tão perfeito. Quando são homens, juntam-se-lhes as vozes graves, a educação, a paciência, a gentileza, a humildade, e a coisa corre às mil maravilhas. Sorrio muito mais, tenho uma paciência infinita e até o meu tom de voz muda, suaviza.

É lindo de se ver…

O filme de ontem é sobre o suicídio, tema que me é muito caro, e agradou-me por isso. O realismo das personagens, as suas complexidades, torna a história quase verdadeira. Já que o tema não é tratado de forma Hollywoodiana, como se a vida fosse um eterno filme da Disney, ou da Hallmark, todos iguais, zero profundidade, todos perfeitinhos, todos infantilizados, que por mais que alimentem a fantasia de uma vida sem agressões, sem conflitos de maior, sem fúrias, deixam um rasto de frustração gigantesco.

É isso. Os filmes e séries europeus, do Reino Unido em particular, são mais adultos, menos fantasistas, mais realistas.

E o de ontem só o confirma

Acho que é precisa imensa coragem para criar personagens como as do Nick Hornby. E um dia gostaria de lá chegar.

Agora, vou à procura dos que ainda não vi.

É assim que funcionam as obsessões. Se desconstroem símbolos de conteúdos inconscientes e arquetípicos que precisam de ser integrados na consciência. Com a persona devidamente protegida.

Não sendo suficiente, e contrariamente a tudo o que tenho vindo a pensar sobre residência permanente, sou capaz de lá voltar para estudar. Não a Londres, que já tenho a minha dose de cidades grandes, mas à Escócia…

A primeira viagem não foi suficiente…
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