Rise and Shine

23/07/2020

Ainda não eram 9 da manhã e já tinha completado o treino diário de corrida e caminhada. Depois de ter trabalhado ontem até às dez da noite. Trabalhar com mercados cujos fusos horários são de oito horas tem estes reveses.

Faz hoje uma semana que deixei de fumar, outra vez, e que voltei a correr. Naquele esquema corre anda corre. Todos os dias, apesar da aplicação que uso sugerir apenas três treinos por semana. Depois de já ter feito isto uma vez, a sensação inicial é de que custa muito menos.

Às vezes pergunto-me para que deixei de fumar. Qual é o problema de fumar?

Depois lembro-me que fumar não serve para nada. Não é um ato de prazer, sabe mal como o diabo, já que falamos nisso. É um hábito nojento e pestilento, não me dá o que espero. Pelo contrário, só me ilude, deixando-me na ressaca e na carência. De mau humor, dependente, sem autonomia.

Um falso preenchimento de um vazio existencial

É como comer o que não nos satisfaz, não nos alimenta. Ou andar com gajos que se relacionam com base no poder, conquistam e fogem, dão e desaparecem, deixando o outro à míngua, baseando as suas relações na escassez e não na abundância.

Que é como vive a maioria das pessoas

Há toda uma atividade a acontecer antes das 9 da manhã. Gente na praia, dentro de água, inclusive, a apanhar sol, num areal quase vazio. Tenho de arranjar maneira de levar uma toalha e umas havaianas para dar um mergulho no fim da corrida. O mar estava apetecível, tranquilo, sem ondas, um espelho.

Deixar de fumar devolve-nos energia física.

E o melhor a fazer é queimá-la. De forma produtiva, que nos satisfaça. Qualquer desporto cumpre a função. Correr tem de bónus uma sensação de liberdade enorme.

Na mesma proporção que o trabalho que fazemos apenas para pagar contas, ou para preencher em exclusivo uma necessidade de contributo social, no-la tira.

Passamos pelo menos metade das horas em que estamos acordados a trabalhar.

Ou fazemos algo que nos conecte verdadeiramente e preencha, de facto, vazios existenciais, ou a vida é uma sucessão de amarguras e frustrações. Reclamações e queixume. Vitimização e culpabilização do mundo pelo nosso infortúnio.

Eu aproveito as manhãs para criar, conectar-me com esse lado artístico.

A criatividade é das coisas que mais e melhor me preenche.

Ontem, aproveitei a hora de almoço, às seis da tarde, obviamente, já tinha almoçado à uma, para ir dar um ou dois mergulhos no mar. Voltei como nova.

Trabalhar é preciso, mas não pode tomar-nos todo o nosso tempo.

Nunca me imaginei fazer exercício físico de manhã. Gosto de acordar com tempo e de ter uma meia hora para mim antes de deixar que a vida aconteça. No entanto, amadurecer também é saber definir prioridades, adaptarmo-nos às condições externas, que saem fora do nosso controlo, não deixando que nos dominem, nos impeçam de fazer o que nos dá prazer mas também nos conecta.

Se não posso ir correr ao fim do dia, à hora mágica, que seja de manhã cedinho, antes do calor e das multidões.

Há imensa gente no paredão de manhã…

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