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Rokenrou

22/04/2012
Ontem fui a um show de rock ‘n roll. Ou de punk rock, ou lá o que é. Foi uma volta ao fim dos anos 80, início dos 90. Vi-me nos concertos dos xutos & pontapés, dos peste & sida, e tal. Gajos que pararam lá, com as suas calças justinhas e os seus cintos a meio da bunda magra, pessoal que foi para o revival, os tiozões como nós, gajos de cabelo rosa, já com entradas, um gajo com um casaco de ganga sem mangas, via-se que o tirou do armário 20 anos depois, estava até meio apertadinho, com uma faixa escrito Manowar, gente, manowar já não se usa, achei lindo, nomeadamente porque em baixo dessa tira estava uma foto do Bob Marley. Curto gente assim, eclética. O problema é que o gajo não devia lavar o cabelo há 2 meses e fedia, como convém… gajos cabeludos, gente de todos os estilos, e a Xana, juro que era ela, a vocalista dos rádio macau, com menos 30 anos. Xana é um nome que não se deve usar no Brasil, quer dizer outra coisa e não é muito bonito gritar pela Xana no meio da rua, só um aviso… 
A primeira banda que vi queria ser os sex pistols, acho que cantavam em inglês, mas não percebi bem. A segunda os Green Day. O que mais me impressionou foi o civismo do povo. As pessoas estão lá pra ouvir, cantar e divertirem-se. Deu-me a entender que todas aquelas bandas não tocavam há séculos, mais um motivo para o povo curtir. Não houve nem sequer um pontepézinho pro alto. Os músicos ficavam impressionados, “tem gente cantando as letras do princípio ao fim”. 
Fui lá para ver a que se seguia, os Toyshop, banda de um querido amigo que não tocava há 10 anos. Tenho uma certa tendência pra ser meio facciosa quando gosto das pessoas. Mas no caso da banda do Gabi não precisei. A vocalista é uma menina e irritou-me imenso que ela fosse tirar as calças de napa do armário dez anos depois e ainda lhe servirem. Fora isso, ela é linda e o contraste da voz dela com a guitarra pesada do Gabi dá um bom resultado. O baterista, descobri depois que é marido dela, tinha uma genica que benz’o deus, e manteve-se magrinho todo este tempo. O baixista não era o deles, tinha cara de acordeonista fã dos Led Zeplin, mas estava animado e tocava todo contente. E o som é bom, porque é um bocadinho, só um bocadinho pop. Eles têm uma música muito famosa, que é a que gostam menos, porque é demasiado tranquila. Chama-se daydream e ontem fartei-me de rir com o videoclip, mais anos 90 é impossível, cores estoiradas, um must. Gostei da música, imenso. Não tocaram essa ontem, não encaixava, afinal o show era de rock e punk rock. Mas não precisaram, o show foi ótimo, ótimo. As músicas, eles não imitam ninguém, eles, o ambiente, a skol grandalhona, tudo. 
Os toyshop, ex-party up, fizeram imenso sucesso fora e dentro do Brasil. Ontem, o ambiente não era tão mau quanto vaticinaram, havia até uns gajos giros na audiência. Foi no Hangar 110 – tinha até dois ares condicionados a bombar e ventoinhas nos lugares em que o ar não chegava – o povo estava meio preocupado comigo porque o lugar é “a maior podreira”.  Nunca foram a um show de Xutos. Ou ao Johnny Guitar, é isso…   

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  • Anonymous 23/04/2012 at 10:35

    :D
    Adoro!
    Aqui há tempos tirei as minhas Dr. Martens com atacadores amarelos do armário. E é muito bom calçar aquela “poderosa sensação de juventude”.
    Não sei como é que aprendi a conduzir com aquelas botas… :)
    <3

    • Isa 23/04/2012 at 14:27

      E o mais divertido foi a mulher do Gabi, no meio daquela chusma, a sacar dos brilhos dos lábios e do espanador de pó da cara e a compor a maquilhagem. só rir.

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