Santarém

02/05/2021

Como a maioria, não consigo estar presente em todos os eventos que ocorrem pelos castelos de todo o país. Mas consegui estar em Santarém, ontem.

Santarém é perto, estava um dia lindo, qualquer desculpa para me afastar de lugares com muita gente e demasiado betão é válida. A razão maior, encontrar o Rui Castro cara a cara, cumprimentá-lo, mostrar quem sou.

Fiz disso questão. De o cumprimentar quando chegou e de me despedir quando me vim embora.

Éramos umas 30 pessoas? Não mais do que meia centena certamente. Não sou muito boa em números. Acho que não havia uma única pessoa com menos de 40 anos (exceção feita aos filhos, crianças). Falávamos uns com os outros, apenas isso. Fui sozinha e não conhecia ninguém. Não tenho Facebook, a única cara que conhecia era a do Rui Castro, por motivos óbvios.

Não foi preciso. Tenho ideia de que foi a primeira vez que cheguei a um lugar e desconhecidos sorriam uns para os outros.

Conversei com várias pessoas e ouvi-as. Eu e todos os outros, foi o que fomos fazer, conhecer-nos e falar uns com os outros.

Chegam dois agentes da PSP, dois miúdos, carne para canhão, nem sabiam bem o que estavam a fazer. Perguntaram-nos quem era o responsável por aquele evento. Cada um deles com duas máscaras… Ao ar livre, no meio das árvores. Abordaram-nos por isso, não estarmos de máscara, ao ar livre e puro.

É assim que estamos…

Não precisei de me incomodar, o senhor que estava comigo e as outras duas senhoras, engraçadíssimo por sinal, encarregou-se de falar por nós todos.

Cidadãos livres, que pagam impostos, a ser abordados pela polícia por motivo nenhum. Como é que ainda restam dúvidas de que vivemos numa ditadura continua a espantar-me. Nem as nossas vozes se ouviam. E que ouvissem, mas um dia destes nem isso acontecerá.

Seremos silenciados por fazer perguntas, argumentar.

Como não lhes ligámos nenhuma, afastaram-se e passado 5 minutos dirigiram-se, claro, ao Rui Castro.

Não faço ideia o que lhe disseram nem o que ele lhes disse.

Sei que nos aproximámos todos, num certo momento, e eles afastaram-se pouco depois, o Rui Castro com eles.

No Jardim do Sol, em Santarém, estava um PJ sentado num banco ao longe e uma agente não sei de que polícia à paisana. Sem contar  com os agentes no parque. Deviam ser uns cinco ao todo. Agentes esses que, antes de nos virem incomodar, trataram de obrigar os pais a tirar as suas crianças, que brincavam no parque infantil, do mesmo…

Polícias que abordam pais de filhos e os obrigam a retirar as crianças dos parques, impedindo-as não só de brincar como de interagir umas com as outras. Tudo isto pela saúde das mesmas, dos pais, do público em geral. 

Mais uma vez, é nisto que estamos.

Pessoas observadas e abordadas porque estão num jardim…

Pela segunda vez, ouço que a justificação da presença da polícia é a denúncia. Várias denúncias de que havia pessoas num jardim sem máscara. Não sei se é verdade. Se for, deixem-me que vos diga o seguinte, a vocês que denunciam compatriotas à polícia:

Vocês são doentes… Procurem ajuda psicológica.

Vim-me embora um bom bocado depois. Qual não foi o meu espanto quando, além da carrinha e do carro da polícia à porta do jardim, na rua em frente estavam pelo menos quatro daquelas carrinhas gigantes da polícia, ocupando toda a faixa de rodagem, de tal maneira que me questionei se estava numa via de sentido único, só havia uma fila para circular.

Mais polícias do que pessoas.

Este é o cenário que estamos a viver. Soube do horror que foi o abuso policial em frente ao Conselho Superior da Magistratura. Que deu origem a uma queixa crime, que o Rui Castro publicou na página Habeas Corpus e que envolve negligência médica, recusa de tratamento a alguém que precisava de ser operado de urgência a um braço, partido pela polícia, e falsificação de papéis de entrada no hospital.

De novo, é assim que estamos…

Médicos que mentem, se recusam a tratar doentes, os deixam à fome, se negam a satisfazer um pedido legítimo de consentimento informado para um procedimento invasivo como é um teste PCR que nada deteta. Agentes da polícia que agridem cidadãos que se encontram na rua.

Quanto mais tempo vamos aguentar viver assim?

O que é preciso acontecer mais para que comecem a acordar?

2 Comments

  • Reply Rodrigo Amorim 02/05/2021 at 10:42

    Muito bom, parabéns…
    Pessoas honestas e trabalhadoras, que simplesmente conversamos de todos os temas. Quaisquer que sejam as pessoas humanas são Livres de estar onde querem e estarem com quem querem e ninguém têm nada a ver com.
    Somos Humanos e estamos no mundo oara vivermos livres sem restrições.
    Obrigado pelo apoio e carinho, obrigado por existires 🌹❤️👍💪🍓🙏

    • Reply Isa 02/05/2021 at 10:54

      Obrigada, adorei o comentário. Parece tão natural, não é? Como é possível termos chegado a este ponto, de ter de explicar que somos pessoas e como tal convivemos umas com as outras, de forma livre, no espaço público? É de doidos… Grande abraço :)

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