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Se fosse eu que mandasse acabava com as modas. E era já!

04/06/2005

Desde que decidi andar de dedos do pé à mostra e aderi à moda do chinelo, apeteceu-me comprar uns que não havaianas.

Pois a p*ta da moda, que não tem outro nome, dita que ou os chinelos são baixos, mas baixos mesmo, a rasar o chão, bons para andar seja onde for desde que em hora de ponta e chegar descalcinha da silva a casa, ou então têm uns saltos quilométricos, não obrigada que tenho vertigens além disso a minha dislexia de movimentos faz-me tropeçar até no chão mais liso. A moda diz também que ou têm um buraco para enfiar o dedão, e embirro com isso, não há mesmo nada a fazer, ou são daqueles de madeira, que toda a gente usa menos eu porque me fazem lembrar os chinelos que a minha mãe usava em casa, quer para andar quer para nos atirar quando nos portávamos mal. O que vale é que falhava sempre e que não nos obrigava a ir lá devolvê-lo, como fazia a minha tia “japonesa”, cujos filhos devem ser traumatizados até hoje.

Outra coisa que a moda dita é os adereços. Como se de objectos descartáveis se tratassem, os adereços mudam nas montras e expositores de lojas ao sabor da estação do ano, das bolsas, do vento. As modas vão e vêm e a minha cabeça já não dá para tudo. Reparo que o Swatch tamanho família, de cores variadas, anda na maioria dos pulsos de rapazes e raparigas que se querem modernos e desportistas. Em pleno Verão de 2005, é ver as miúdas e mulheres com a pulseirinha dos santinhos. No ano passado eram os escapulários. Qualquer ateu andava de santinhos pendurados ao pescoço, um para a frente outro para trás, religiosamente, e não os tiravam nem na praia. Para o ano serão os terços ao pescoço, como se fossem colares. [No Brasil essa moda já tem um ano.]

Outra coisa que me irrita na moda é que entre-se em que loja se entrar, a roupa é toda igual. Mais cara ou mais barata, mais esta cor ou mais aquela mas é tudo igual. E eu que só queria uma simples camisola de alças cor-de-rosa daquelas pouco abertas nas costas… Nada. Ou têm as alças finas, ou grossas demais, ou decotes em v, ou costas demasiado curtas, a verem-se as omoplatas, ou são acetinadas ou parece que estão viradas do avesso mas são mesmo assim, que eu experimentei dos dois lados e qual deles o pior. OK, quero umas t-shirts jeitosas, até podem ter missangas ou brilhos, que é giro e ‘tá na moda! Ou têm brilho a mais ou missangas a menos; ou têm umas golas ridículas ou umas mangas piores ainda. Ou rendas a mais ou alças de menos…

Calças, vestidos ou seja o que for que se vista da cintura para baixo, à excepção de meias, nem pensar! Não vou passar pela humilhação de pedir números 42. Assim sendo, é esperar que emagreça, o que pelo andar da carruagem será lá para o dia de são nunca, à tarde. E com um casamento em Julho, senhores, que será de mim…

Biquinis nem pensar, por razões óbvias.

É como quem me mata enfiar-me num shopping principalmente ao fim-de-semana porque de facto não sou a mulher normal, que entra em histeria por uma comprinha. A minha cabeça serve para algo mais do que passear-me pelos ziliões de shoppings que existem por m2, nesta capital europeia, deste país de milionários. Só vou mesmo obrigada e quando preciso. Cansam-me as luzes, as pessoas e o excesso de tudo. Por isso mesmo, o que me irrita verdadeiramente é encher-me de coragem. Respirar dez vezes antes de me meter no elevador do Vasco da Gama. Enfiar-me lá dentro com o objectivo de ir buscar um chá que está à venda na feirinha a meio caminho entre o centro e a estação do Oriente, que ainda por cima acaba hoje. Não trago o chá porque não há. Constato que a crise anda aí mas não se sabe onde, a sério ou o que raio é que esta gente faz toda aqui com um dia como o de hoje e porquê, por que é que não estão todos na praia? Aproveito e passo no VG em busca da tal camisolita de alças. Quiçá, do tal chinelo jeitoso. Já não há paciência para ir procurar a Massimo Duti e ainda agora cheguei. Ao entrar na Mango à procura do vestido para o casamento, “só para ver”, naturalmente, descubro que virou loja para criança que não há mulher decente que vista aquelas saias modelo cintos grossos sem parecer sei lá o quê, cala-te boca… Pasmo com a quantidade alucinante de lojas que vendem coisas que não servem para nada. Depois de palmilhar as lojas do costume, levar com música aos berros, não sei como é que aquelas rapariguinhas não ficam surdas, não encontrar nada de jeito, qual sina sempre que me decido a comprar qualquer coisa, safo-me, como sempre, na Women Secret, a comprar roupa interior que não me faz falta nenhuma mas é a única que faz trás!

[Aposto que quando voltar ao tão saudoso 38 não terei um tostão, que eu sou assim, ando há anos ao sabor da taxa de desemprego, me vão saltar chinelos, sandálias, calças e saias aos olhos, lindas de morrer e em saldos! Que a vida é assim, injusta.]

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