Uncategorized

Self

15/06/2012

“Gosto de ver casulos de borboletas. Lagartas feias que adormeceram, esperando a mágica metamorfose. De fora olhamos e tudo parece imóvel e morto. Lá dentro, entretanto, longe dos olhos e invisível, a vida amadurece vagarosamente.

Chegará o momento em que ela será grande demais para o involucro que a contém. E ele se romperá. Não lhe restara outra alternativa, e a borboleta voará livre, deixando sua antiga prisão… Voar livre, liberdade” 

“As borboletas fizeram minha imaginação voar… Pensei no seu fascínio. Acho que é por que elas são metáforas de esperança. A lagarta deixa de ser, desaparece da vista, oculta-se aos olhos e renasce transfigurada. Quem, ao ver uma borboleta, pode imaginar que ela foi um dia lagarta? Quem, ao ver uma lagarta, poderia imaginar que dentro dela se abriga uma coisa bela, que nascerá quando chegar o tempo? É assim que eu penso sobre a vida, algo que vai transmigrando, migrando por diferentes formas, através de silêncios que parecem mortes, como o meu corpo agora, reduzido a cinzas, para aparecer depois… Agora nada mais sou que uma crisálida dentro de um casulo…

Depois é a beleza do seu jeito de ser. A fragilidade das asas, que podem se quebrar ao menor golpe. Indefesas, sem ferrão para se protegerem. E vão, delicadas, quase pedindo desculpas às flores, por se alimentarem de seu néctar. Sugam com uma carícia terna. Para mim, imagens de harmonia e mansidão…

Por fim, há tantas… Diferentes tamanhos, a variedade das cores, as formas e os desenhos mais surpreendentes. Diante do casulo, fica sempre a pergunta daquele que não sabe da vida que está lá dentro: como é que ela vai ser?”


“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses…”

“Se ninguém responder ao teu chamado, caminha sozinho, caminha sozinho…”


In: “Reverência pela vida” Rubem Alves

You Might Also Like

error: Content is protected !!