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Sinais

01/05/2012
“Há, de facto, vidas assim, em que um nunca sabe ler os sinais do outro que, por sua vez, espera sempre não ser ele próprio a ter de fazer o corte. Para isso basta-lhe ir ferindo lentamente…” Helena Sacadura Cabral

Não sei quem é este lhe aqui na frase, na qual tropecei ontem. Nem se o corte é literal ou metafórico. Na falta de contexto, a frase permite-se várias interpretações. No meu caso, o corte vai sendo feito à medida que os ferimentos vão sendo cada vez maiores, cada vez mais profundos. Até ao dia em que é definitivo e a minha atitude passa a ser a mesma que tenho para com quem mal conheço, boa educação e pouco mais. Às vezes precisamos de vários ferimentos, uns seguidos dos outros, para termos mesmo a certeza de que o outro não está nem aí para os nossos sinais, para termos a certeza de que prolongar uma situação dessas é como entregarmo-nos à doença mental alheia. E não tem volta. Não há anos de convivência que justifiquem, não há ninguém por quem valha a pena ser saco de pancada. Ninguém. As cicatrizes estão lá para me lembrar isso mesmo. E o princípio básico de fidelidade é quebrado e justificado, não por mim, mas por quem não o honrou. E quando perdemos a honra, a dignidade, nada mais nos resta, perdemos tudo.  

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  • Mariam 01/05/2012 at 18:53

    Pelos filhos, muda muita coisa. Por eles, vale a pena aguentar muita coisa, muito para além do que se aguenta sem eles. Com um limite, claro, mas numa linha de horizonte bem mais longínqua do que aquela que existe sem eles.

    E as feridas talvez não sejam maiores nem mais profundas, simplesmente (se alguma coisa de simples tivesse esse processo) é sempre a mesma, que é escarafunchada e,

    • Isa 01/05/2012 at 19:18

      ela referia-se aos filhos? Qt aos filhos é toda uma outra história, não os tenho, não posso falar sobre isso. Só tenho sobrinhos e dou a vida por eles ;) por mais ng…

  • Mariam 01/05/2012 at 19:24

    Acho que não. Pode referir-se ao Portas, pai dos filhos, que acho que lhe fez a vida negra. Ou a outra pessoa, ou mesmo ser uma generalização.

    A minha resposta era para o teu texto, para a parte em que dizes "Não há anos de convivência que justifiquem, não há ninguém por quem valha a pena ser saco de pancada. Ninguém." Por aquelas pessoínhas nós abrimos mão de coluna

    • Isa 01/05/2012 at 20:00

      Ah, sobre filhos, no caso psicopatas, já viste um filme chamado: let's talk about Kevin?

    • Mariam 01/05/2012 at 21:20

      Não vi, mas ponho na calha. A psicopatia sempre me chamou, não por ser uma (acho, só me faltava agora mais essa!), mas por ter lidado sempre com as doenças mentais (mãe psi). Vi "O bom filho", com o miúdo do "Sozinho em casa", muito precocemente psicopata.

      Os meus, graçadeus, tudo normal e boas cabeças :-)

    • Isa 01/05/2012 at 22:08

      tb vi esse, um horror. este nao é mt melhor, mas foca um pouco na mãe e nas reações dela. si prepara, é dureza…

      um alívio, fico feliz por eles e por ti ;)

    • Isa 01/05/2012 at 23:50

      chama-se we need to talk about kevin, sorry.

  • Anonymous 01/05/2012 at 22:24

    Olá Isa.
    Pode ler o texto completo em
    http://e-nada-o-vento-levou.blogspot.pt/2012/04/sinais.html

    Gostei de a ler. Abraço

    • Isa 01/05/2012 at 22:29

      Muito, muito obrigada, caríssima. vou ler sim. Um grande abraço para si.

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