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SMS Business

20/10/2005

Se soubesse o que sei hoje arranjava maneira de conseguir um métier qualquer que me permitisse dizer umas bujardas via SMS e ganhar verdadeiras fortunas à conta dos otários que ligassem para pedir os meus sábios conselhos.

É que já nem falo nos concursos: mande quantos sms o seu saldo lhe permitir para conseguir este fantástico LCD. Só tem de ser o número 20 milhões e está feito. A gente enche os bolsos a 60 cents o sms e você que se aguente.

Não, não são os concursos que me movem. É a publicidade que me invade a casa a deshoras. Um gajo está a ver TV e a partir de uma certa hora, nos canais privados, aparecem umas gajas com umas estrelas nas partes pudibundas, com uns cabelos lustrosos e enormes, em posições que prometem, e é só mandar um sms para um número de 4 dígitos e recebemos uma foto da Karina, da Neide ou da Shirley desnudas, de mamocas ao léu. O mestre não sei quantos promete, pela módica quantia de 8 euros e tal por sms, resolver-nos as questões que nos atormentam. A 8 euros por sms. Aquela senhora que tem nome de abelha também diz que nos diz que tal anda a nossa saúde, os nossos amores e o nosso dinheiro se a gente largar não sei quantos euros por sms. Até a Florbela Queiroz se orienta via sms… E as mensagens amorosas fabulosas que a gente pode pedir via sms para podermos reenviar para a nossa cara-metade? Sem sentido nenhum, sem o mínimo de autenticidade e balelas em excesso?

Ora eu não preciso que me digam que estou com uma constipação filha da puta, que sou pobre porque as empresas e o estado portugueses são péssimos pagadores e que a minha vida amorosa vai correndo como quero que corra.

Depois acho uma injustiça que só haja Karinas, Neusas e Vanessas. Acho uma descriminação tremenda não haver Apolos, Rubens e Adónis para nos alegrar as noites de solidão. Acho mal. E acho pior ainda que haja gajos a mandar sms para ter as mamas da Suzette no telemóvel, a preços de revistas e filmes pornográficos, mais variados e com mais movimento.

E o Fernando Pessoa, porra? E o Camões? O Hermann Hesse e etc? Hã? Então mas não há a Internet que nos safe o engate? É preciso largar não sei quantos euros para receber frases foleiras? E puxar pela cabeça, não?

Um gajo tem é de se orientar seja lá como for, nem que seja à custa do otário!

Ai, se eu soubesse o que sei hoje, caneco, não haveria de haver otário que me resistisse…

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