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Só peço desculpa uma vez*

21/02/2011

Partindo do princípio de que não somos loucos, paranóicos compulsivos ou desequilibrados crónicos, quando explodimos por aparentemente nada quer dizer que já houve uma série de situações para trás em que deveríamos ter travado o delírio do outro e não o fizemos. Não por falta de coragem, muitas vezes nem nos apercebemos, muitas vezes não queremos ver. Afinal, o outro ama-nos, acreditamos nós, exatamente como somos.

Mas a coisa, que não mata, mói. E é no momento em que está quase a matar, ou para evitar uma morte que se adivinha para breve, que essa explosão se dá. A explosão serve para pôr os pontos nos ii. Os sentimentos de quem amamos são mais importantes do que a nossa opinião, crença, convicção sobre o que quer que seja. Os sentimentos do outro por nós também deveriam ser. Também se deveriam sobrepor ao orgulho, à megalomania, comum a ambos, diga-se de passagem…

Numa situação ideal, a alegada vítima da explosão, baseada no conhecimento prévio do outro, no amor que existe entre ambos, não sentiria necessidade de se defender, mas de entender o que vai na cabeça de quem reagiu assim, de uma forma inesperada. Que palavras foram caladas anteriormente, quais os limites que não foram respeitados, em que insistiu para que a explosão do outro se desse. Mas isso não acontece. Quase nunca. Só acontece depois de ambos explodirem e sempre que o ego [ou será a sombra?] não se sobrepõe ao Self. E sempre que as palavras ditas e impossíveis de serem retiradas, muito menos esquecidas, não são ofensivas o suficiente para que haja rotura. Infelizmente, na grande maioria das vezes, é o ego insuflado que prevalece, a megalomania. Porque muito raramente o outro, numa posição de aparente superioridade, reconhece o seu erro, presente ou passado. E aí fudeu…

Imagem: I hope it’s not the bomb bringing us together, but love (Ask Me, The Smiths.)

*Por uma coisa de cada vez

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