Livre

Sobre essa tal de felicidade

19/05/2016

Esta semana foram-me recomendados dois filmes, o que passou na RTP1 no domingo à noite, Guia para um final feliz, com o jeitoso do Bradley Cooper, que tenho ideia que já tinha visto, e o Hector, à procura da felicidade. Desconfio que o motivo pelo qual o primeiro me foi recomendado tem a ver com o facto de tantas vezes procurarmos a felicidade em símbolos, como um emprego no lugar tal, um carro x, que se prendem muito mais com desejos do ego do que do coração. E no facto de o personagem principal encontrar a felicidade não na ex-mulher, mas na mulher que se lhe apresenta agora, por ser ela que o faz sentir-se de determinada maneira. Mas não é sobre esse que me apraz falar, é sobre o segundo, de que gostei verdadeiramente, ainda por cima tem uma fotografia linda, o que é logo meio caminho andado para me prender. O primeiro tem muita coisa que me assusta, me agride, e com as quais não me apetece lidar.

Hector é um psicólogo que tem a vida arrumadinha com uma mulher que também é mãe dele. Começa a não dar conta de ajudar os pacientes e por isso, e por muito mais, decide fazer uma viagem para descobrir o que faz as pessoas felizes. Começa por ir para a China e vai fazendo anotações, eu também:

 A felicidade pode ser encontrada se substituirmos: o que procuramos por: o que evitamos.

Com dinheiro, fazes o que queres, com dinheiro mandas buscar o que quiseres. Quando me dizem que o dinheiro não compra felicidade, eu digo que são estúpidos. Quem afirma isto é um ricaço que Hector conhece no avião, que se hospeda no melhor hotel de Xangai e se entrega a todo o tipo de prazeres, imorais e outros, e é a pessoa mais mal disposta que Hector conhece.

A felicidade associada a um capricho do ego. À vaidade, ao desejo de pertença.

O vento pode deitar-te a antena da internet abaixo, mas pode proporcionar-te um espetáculo de cores incrível. A felicidade acontece quando estás de cabeça e corpo presentes e é impossível acontecer quando estás com o corpo num lugar e a cabeça noutro.

A felicidade pode estar em amar duas mulheres, ou dois homens, acrescento eu, ao mesmo tempo. O que ele risca de imediato. E eu também… Dá uma confusão danada e toda a gente sabe que confusão não traz felicidade para ninguém…

Vai daí, Hector vai para África.

Felicidade é segurança, é o que não temos por garantido…

A felicidade é conseguires cuidar dos teus, se os teus não estão felizes, não consegues ficar feliz.

Em África, Hector encontra-se com um amigo dos tempos da faculdade, que lhe diz que felicidade é ser amado por se ser quem se é e que, mesmo nas condições mais extremas, ele é médico, podemos encontrar a felicidade. A felicidade associada ao amor.

A competição não te torna feliz.

Demasiado de alguma coisa não te deixa feliz, daí o desapego que os budistas pregam.

És amado se fores útil… Esta é a premissa que está na base do casamento de Hector e a que mais mexeu comigo. A que confunde amor com poder, com co-dependência. Nós temos o direito de ser amados mesmo quando não podemos ser úteis, principalmente quando não conseguimos ser úteis.

Um momento de alegria em convívio materializado num prato específico. A felicidade associada a festa.

Felicidade é saber como celebrar.

Ouvir é amar.

Sou melhor do que fantasia, sou real. Ser feliz apesar da realidade.

Sou feliz quando está tudo bem, dentro e fora de mim.

Estou feliz ao buscar a felicidade e não busco a felicidade para ser feliz.

Felicidade é a co-existência entre todas as emoções.

Estar confiante em relação a todos os padrões aleatórios da nossa vida.

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