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Somos todos um bocadinho esquizofrénicos

04/06/2013

Talvez uma das maiores falácias do universo seja a de cairmos no erro de permitir aos outros decidirem o nosso verdadeiro valor. Nomeadamente aos nossos pais – e, por extensão, a todos os outros que correspondem ao padrão primeiro – à crítica destrutiva, que é talvez o gatilho que espoleta os mais básicos instintos de sobrevivência. 

Discordar é uma coisa, criticar agressivamente é outra bem diferente. O objetivo da crítica é manifestamente diferente do da discórdia, que pode levar a um maior conhecimento entre as partes, acrescenta, quase sempre. A crítica só leva à destruição, que nos faz erguer muros intransponíveis, que faz disparar automaticamente os mecanismos de defesa, tomem eles a forma que tomarem, as acusações, a devolução da crítica, o encolhimento. O resultado é só um, afastamento, corte. Mesmo quando sabemos racionalmente que o outro está a falar de si, mesmo quando nos acusa, nós só falamos de nós mesmos, somos, sim, todos narcisos, de certa forma. E não leva ninguém, absolutamente ninguém a lado nenhum. Nunca me constou que alguém tivesse vivido feliz por criticar e acusar tudo e todos, muito menos que tal atitude permanente e constante, um modo de vida, portanto, lhe tenha resolvido a vida. 
Talvez o maior erro em que caiamos seja o de reagir, o de nos concentrarmos no que o outro diz, o tomarmos isso como verdade para nós mesmos, em relação a nós mesmos. E ficarmo-nos por aí, não tentarmos entender que ferida foi aberta, é aí que residem todos os nossos complexos (Jung).

Talvez o maior erro de todos seja a negação das nossas emoções, seja o acharmos mais importante mantermo-nos no controlo, no poder, do que propriamente apercebermo-nos do que está a acontecer no nosso coração. Mantermo-nos no poder só leva a um lado, destruição e, apesar de aparentemente um dos lados ter ganho, perdeu. Boas oportunidades para estar calado, mas também para se desenvolver.

Talvez a maior falácia do universo seja a importância que damos ao que os outros dizem, importância demais, quando não tem importância nenhuma, principalmente quando mal nos conhecem, ou não nos conhecem de todo. Quando não existe qualquer tipo de relacionamento a manter, a cuidar, a precisar de limar umas arestas.

Talvez o maior erro em que caiamos seja o de nos deixarmos levar pelo que os outros pensam a nosso respeito, o convencermo-nos de que somos o que os outros vêem, que não vêem nada, apenas se vêem a si e mal. É nesse momento que saímos do eixo e caímos na sombra.

Talvez a maior falácia do universo seja, mesmo, o não reconhecimento das nossas emoções, o estarmos preocupados em ganhar, em manter o poder. Quem precisa de poder são os fracos, os que não seguram a onda do amor, os que precisam de dominar para viver, mesmo que seja à custa da infelicidade alheia, nomeadamente, da infelicidade dos que com eles privam, convivem, partilham casa, mesa e banho, laços familiares, com os que lhe estão mais próximos.

Queremos amor, reconhecimento, e fazemos tudo ao contrário, despertando os piores sentimentos nos outros, ao invés de nos aproximarmos, afastamo-nos. E passamos o resto da vida a tentar uma aproximação, usando o mesmo método, a acusação, a crítica, o poder.

Tell me why don’t we try not to break our hearts and make it so hard for ourselves. PSB in: So hard

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  • margarida 04/06/2013 at 20:06

    Isa, tu é que és A BILFA. De verdade.

    • Isa 04/06/2013 at 20:07

      :D Minha querida, obrigada pela enorme gargalhada do dia, a primeira e acho que a última de hoje. Até me vieram as lágrimas aos olhos. Bjo gd, sua linda.

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