Spotlight

11/02/2016

Uma equipa de quatro jornalistas de investigação do Globe de Boston, coisa que desapareceu com a internet, jornalismo investigativo, o melhor jornalismo, o literário, parece não render cliques suficientes, as pessoas não têm tempo para ler coisas decentes, só lixo e informação mastigada, revela o caso gravíssimo de pedofilia na igreja e de como foi encoberta pela própria instituição, com o conluio da justiça. Não consigo ficar contente nem triste nem movida nem nada. A fé é coisa séria demais, a religião é para muita gente a única coisa que os mantém vivos e os padres as únicas pessoas com quem podem contar para receber apoio, que lhes dê alguma paz, força e fé para enfrentar as dificuldades. A igreja representa para muita gente o único lugar onde sentem que pertencem, a necessidade de pertença é uma necessidade básica de qualquer ser humano. Se alguma coisa mudou, acho ótimo, caso contrário, nem sei o que dizer, não senti nada… Acho no entanto importante que se tenha feito um filme sobre o lado negro dos padres. Ainda que o filme não me tenha enchido as medidas, há muito tempo que isso não acontece… A investigação que está na base do argumento do filme ganhou o pulitzer e foi com certeza merecido, todos os ângulos da história foram abrangidos e não me parece que algo tenha sido romanceado.

É interessante o perfil psicológico que se traça dos padres abusadores e o esquema montado para que nada se saiba. Percebermos que vai às mais altas instâncias, é um apelo à descrença total e absoluta no sistema. Como o caso do responsável máximo da Igreja de Boston ter sido corrido dos EUA e mandado para Roma para ocupar um dos mais importantes cargos na cidade símbolo da Religião Católica. Por um lado, nada acontece com líderes que acham que podem tudo, por outro, casamento, Bancos, Igreja, algumas das mais importantes instituições que sustentam sociedades inteiras, a desmoronar. Há que acreditar na capacidade sobre-humana de nos reinventarmos.

Melhor filme, realizador, ator secundário, atriz secundária, argumento original, montagem. Não acho caso para tanto, nem mesmo para Ruffalo, talvez para melhor argumento original, se bem que duvido que ganhe.

spto

De resto, fiquei com muita e muita vontade de ver o filme novo do Malick, o tema interessa-me muito, tem tudo para me encher as medidas, só espero que não demore três horas e que ele se redima da seca monumental que é a Árvore da Vida, e estou a desenvolver muitos bons e bonitos sentimentos pelo Christian Bale…

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