Selfish Love

Tears dry on their own*

30/04/2013
Afinal, acabar os relatos da viagem foi o melhor que fiz, é como se fechasse o assunto e tu ficasses encerrado lá, onde te deixei. Adiei imenso, faltava-me a força, o entusiasmo inicial, tive medo do fim. Acabei por despachar o assunto de forma meio abrupta, meio meia boca, o que talvez me chateie um pouco. Mas o assunto tinha de ser encerrado, e foi, sem uma conclusão, não como queria, mas talvez como precisei. Entretanto, já me habituei a que não me respondas […], apesar de saber que te alimentas do meu amor […] Acho que deu um alívio básico dizer-te o que se passa, mesmo que não queiras saber, não me interessa, desta vez tiveste de levar com o número. E eu não podia deixar de o fazer, porque, afinal, és tu, talvez a pessoa que me fez ir mais longe, mais além de mim mesma… […] Continuo a não conseguir chorar e está a preocupar-me, sou adepta fervorosa do choro, faz-me um bem imenso, alivia e acalma, e não consigo, uma lagriminha, que quase seca antes mesmo de cair. Não me distraio, vivo esta paixão não correspondida, e toda a dor e raiva que hão de vir, com toda a reverência que o estádio me impõe. É tão poderoso que não posso votá-lo ao racional. Não a alimento, vai esmorecendo, a ansiedade de te ver, de saber de ti, vai-se esvaindo […] Às vezes caio na tentação de me preocupar, de dar alento, de estar aqui, pro que der e vier. Felizmente passa-me, não posso ignorar os meus sentimentos para aliviar os teus, não posso priorizar-te, ao invés de me priorizar a mim […]. Não posso, mesmo, nunca mais, priorizar ninguém antes de me priorizar a mim, ninguém, porque, realmente, se nem eu sei o que fazer com a minha vida, que direito tenho eu de querer viver a tua? Queria, não vou dizer que não, queria muito falar muito contigo, sobre o que fosse, que não eu, porque, já te disse, gosto de ti e gostarei sempre […], mas talvez seja providencial não o fazer. De outra maneira voltaríamos à estaca zero, ao ponto em que me incomoda e me calo. E agradeço-te que não o faças, apesar de ser preciso muito mais agora do que um simples oi e aí, obrigado e tal. Conheço-te o método, terias de o mudar. 
* @Selfish Love, 12 Mar. 13 
Adenda: os […] comprometiam-no demais e eu, apesar de tudo, sou uma pessoa fiel, a mim, principalmente.

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  • S* 30/04/2013 at 22:15

    Poça. Todos nós reconhecemos esta tarde, esta ausência, esta mágoa. Tens razão, chorar faz parte – ajuda na cura.

    Encontro sempre alguma beleza nos textos tristes…

    • Isa 30/04/2013 at 22:16

      chorar é ótimo. ;)

  • Lias 30/04/2013 at 23:57

    Eu sinto-me uma inapta para essa arte que é chorar. E a falta que me faz é impressionante. E é, curiosamente, perante as situações/pessoas que mais me magoam que essa inaptidão se revela em força. Como se aquilo que queremos expulsar com lágrimas insista em manter-se furiosamente dentro do peito.

    Estas tuas palavras são o que precisava ler hoje. As prioridades devem e têm de ser mesmo

    • Isa 01/05/2013 at 02:09

      não é fácil não, nada mesmo, mas às tantas é uma questão de sobrevivência :) que bom que as minhas palavras te serviram.
      Bjo

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