Tenho outro problema, que é motor.

12/02/2020

Depois tenho um outro problema, que é motor.

Quem me viu a voar em cima de um Step* não diria. Uma coordenação digna de atleta de natação sincronizada. Ao dobro da velocidade das músicas normais, que já são rápidas, porque apanhava sempre professores mais loucos do que eu.

Era muito viciada.

Entre cantar e voar, acabava cada música com o coração colado ao esterno, quase sem bater, de tão rápido.

Mas isso é nas aulas de Step. E de aeróbica. E de aquecimento pré localizada. Que saudades, loucos anos 2005.

No piso normal, tropeço a cada relevo.

Mesmo no piso liso, como em casa, ou no trabalho.

Como é que se tropeça num piso liso, perguntam vocês, incrédulos.

Antes de explicar, digo que uma vez tropecei cinco vezes seguidas debaixo do viaduto em frente à churrasqueira do campo grande. E não estava bêbada. Nem caí. Mas às tantas já estava um bocado farta. A amiga que ia comigo não queria acreditar. Distanciava-se cada vez mais.

E olhava para mim, de alto a baixo e boca aberta, como se eu tivesse vindo de outro planeta.

Certamente impressionada com a minha capacidade de equilíbrio perante todos aqueles tropeços.

Outra vez, tropecei nuns três ou quatro daqueles triângulos que sustentam as grades que a polícia põe a servir de baias. Aí estava bêbada, era para ir ver um concerto dos Xutos e Pontapés, se não me engano.

Também não caí.

Uma vez em que caí, escorreguei, apesar de todos os cuidados, foi no Elevador da Bica. Mas o gin, que tinha na mão direita, ficou intacto.

Um prodígio digno de pessoa que sabe das suas prioridades.

Tenho um problema motor, mas não de inteligência…

Também sei que tenho um anjo da guarda e dos grandes pelas vezes que tropecei em degraus e não caí.

O mais admirável nisto tudo é a minha capacidade de reagir como se não tivesse acontecido nada. Eu, que tenho zero cara de pau e jeito para o teatro.

É fascinante.

Bom, tropeça-se em chão liso quando, dependendo do tamanho da passada, a minha é grande, talvez com passadas pequenas isto não aconteça, o pé trava antes do que é suposto, dando assim meia passada. O outro tem de avançar mais rápido do que espera e isso pode causar desequilíbrio. Acontece-me amiúde no trabalho, onde o chão é de carpete daquelas de pelo rijo.

Daí que correr ou caminhar a trote num piso que não seja completamente liso está absolutamente fora de questão.

Levanto os pés apenas o estritamente necessário para me movimentar.

*Que o RAP descreve da maneira mais engraçada: alguém estava a ver outra pessoa completamente bêbada a tentar subir uma escada e resolveu inventar um desporto a partir daí.

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