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Um mundo à nossa espera

19/05/2005

Desde que me comprometi, por pouco tempo e uma boa maquia, a promover um produto para emagrecer, tenho andado por farmácias, dietéticas e demais lojas de produtos naturais de Lisboa e arredores, sendo que o conceito de arredores implica números de telefone fixo a começar por 263. Uns arredores mais arrabaldes do que outra coisa, portanto.

Neste périplo pelo mundo das doenças, das paranóias e das vaidades, dei-me conta que existe um mundaréu de produtos para emagrecer à nossa espera.

Na variante comprimidos que facilitam o trânsito intestinal [acho linda esta expressão. O que as pessoas inventam para dizerem que têm problemas em arrear o calhau, para usar uma expressão popularucha.] comprimidos para tomar antes das refeições aos 8 contos a caixa, que dura uns míseros 15 dias, dois de cada vez, meia hora antes das refeições. Se toma os comprimidinhos e de repente a chamam para uma reunião, azar, largue mais 8 contos e é se quer; Variante dia noite, um comprimido de manhã outro à noite que parece que a gente enquanto dorme há umas revoluções quaisquer cá dentro e não sei o que é que acontece mas o que é facto é que o mulherio volta para comprar a segunda caixa. Cápsulas ou gotas ou as duas; A já famosa seiva, em que não se faz mais nada senão beber uma coisa castanha de manhã, à tarde e à noite e nem uma maçãzinha se pode trincar. Mais animador e variado é impossível. Um líquido que vem em frascos parecidos com os do xarope mas cujo sabor se assemelha mais ao de óleo de fígado de bacalhau do que outra coisa; Barras que substituem uma refeição, só me admira é como é que não substituem duas ou três, que aquilo é um enjoo que Deus me livre; Saquetas de um pó que se dilui na água e se bebe ao longo do dia, com sabor a citrinos que mais parece Cecrisina mas sem picos; E por aí a fora. Mais natural ou mais químico o que interessa é emagrecer. Nem que para isso tenhamos de andar com pensos a raiar a fralda de adulto, não porque nos tornámos incontinentes do dia para a noite mas porque o trânsito intestinal de repente deixa de se assemelhar ao da Segunda Circular para se parecer perigosamente com o de uma qualquer avenida de Lisboa, de semáforos permanentemente verdes, num Domingo às 9 da manhã.

Já para não falar nos cremes. É aparecerem os primeiros raios de sol que as montras das farmácias desatam a parecer páginas de revistas de mulheres desnudas, de coxas à mostra e sabe Deus o que mais. Os folhetos que proliferam pelos balcões davam para ter poupado uma floresta. Publicitam o creme anti-celulite, o anti casca de laranja, lá está, mais um eufemismo politicamente correcto: a casca de laranja serve as farmácias ali de Cascais e arredores e o povo que fique com a celulite. Creme redutor, resultados extraordinários, ao fim de meia hora a sua coxa diminuiu 1 mm. No caso da coxa do povo, aquele buraco mais pequeno perto do joelho desapareceu. UAU! Deixa-me cá largar mais oito contos para comprar o pack creme anti-celulite, esfoliante-não-sei-para-que-serve-mas-que-se-lixe. O lipo-redutor fica para a próxima porque me esqueci que se me tinham acabado o reafirmante e o tonificante e já não passo sem eles, que é para isso que me levanto 3 horas antes de sair de casa para ter tempo para pôr esta merda toda e esperar que as calças entrem sem prender a meio da coxa.

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