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Umbanda

01/09/2012
Desde a primeira vez que vim ao Brasil, em 2003, fiquei muito curiosa para ir a um terreiro de umbanda e/ou de candomblé. Há umas diferenças entre as duas religiões, podeis procurar por vocês mesmos no google, mas ambas cultuam os mesmos orixás, que, no sincretismo, correspondem a santos católicos. Tipo Iemanjá está pra Nossa Senhora como Oxalá está pra Jesus Cristo. Iansã está pra Santa Bárbara como Ogum está para São Jorge. E por aí vai.  
Nas duas últimas semanas, fui a duas giras de Umbanda branca. Uma de caboclo e outra de Exu e Pomba Gira, que se dizem mais próximos de nós, bebem e fumam, por exemplo. Gostei mais da segunda do que da primeira, mas gostei de ambas e da experiência, que já ninguém me tira. 
Porque acredito que viajar não é enfiar-me num autocarro cheio de gente da minha terra, passar pelo Sena, ir ao Louvre, à torre Eiffel e dizer que conheço Paris, não é ir ao MASP, à Sé, ao Anchieta e dizer que conheço São Paulo. Viajar e conhecer um povo é ver como eles vivem, o que comem, o que fazem, como pensam, no que acreditam. E experimentar, ver qual é, como é. No caso concreto, curiosidade intelectual, foi isso que me moveu. 
Podia contar-vos o que vi, descrever, mas não vou fazê-lo. Some things are better left unspoken. Posso-vos dizer a sensação que tive, a explicação racional que encontrei para justificar o que vi: o transe provocado pelos atabaques, o som é inebriante, as músicas que todos cantam em conjunto e a mentalização de quem vai incorporar, permite o acesso a uma área do inconsciente à qual não temos acesso enquanto conscientes e que, nessa condição, conseguimos perceber, sentir, intuir no outro, os comuns mortais que estão na assistência e que consultam quem incorporou, algo que ele transmite, de alguma forma que não verbalmente. Porque a condição de quem incorpora não se rege apenas pela consciência, pela razão, deixa tudo aberto para que funcione o que tiver que funcionar, pensamento, sentimento, sensação e intuição. 

*A imagem é de Iansã, que, dizem, já por várias vezes e várias pessoas, ser o meu orixá. Não faço rigorosamente nada com isso, mas, já que tinha curiosidade, gostei de saber, só por saber. 

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