Livre

Una

21/04/2015

Tenho vários pés e uma só raiz. Os meus troncos saem de diferentes pontos da terra, uns mais grossos, outros mais estreitos, uns com folhas, algumas bem próximas do chão, noutros, nascem a meio ou na parte superior, em ramos que saem de troncos mais consistentes. Um dos troncos é peganhento, outro rugoso, outro é mais liso, mas todos têm vida, vida própria. Simplesmente estou, sou, respeito o meu processo. Umas vezes com folhas, outras sem, permanecendo viva, tenho a certeza, consigo ouvir o meu coração bater no tronco mais forte. Os passarinhos vêm até mim, pessoas escolhem a minha sombra, os frutos que dou. Só preciso ser e manter-me como tal. Regar-me, deixar cair os frutos que já amadureceram, regar-me mais ou simplesmente esperar pela chuva. A vida pulsa dentro de mim. Os meus ramos mais finos abanam com o vento. Alguns são capazes de ceder, de se partir. Ficarei ferida, mas desse corte nascerá um outro ramo, com vida, substituindo o que já estava demasiado frágil, sem força ou vitalidade, do qual me despeço, com a devida gratidão por ter acolhido frutos tão saborosos e folhas tão verdes, mas que agora jaz no chão, praticamente morto, sem grande serventia, acabando por impedir que ramos que já despontam cresçam, viçosos, de onde nascerão folhas novas e frutos de diferentes tamanhos, mais saborosos do que nunca.

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