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Vícios

17/07/2013
Há gente que não entende como funcionam os vícios, acham que um gajo é viciado porque quer. Os vícios funcionam assim: sabes que não podes, que não queres, que, em alguns casos, até te repugna (não é o causo), que te prejudica mais do que te dá prazer, que vais andar a rolar na cama durante horas sem fim e vais adormecer já com o dia a nascer, que entretanto te irritas, te stressas, te chateias de morte, te preocupas e te odeias por não teres conseguido resistir, por saberes que precisas de acordar o mais cedo que conseguires para trabalhar (Em SP são menos 4 horas do que em Lisboa, o que implica que umas providenciais 10 horas da manhã para acordar correspondem aqui às duas da tarde. Nem no meu tempo de baladeira mor acordava a essa hora…). No entanto, seja a que horas for, é só sentires o cheiro do café, do Delta, do Nicola – o café expresso no Brasil é na grande maioria dos lugares uma merda – e, sabendo que não podes, que estás a 4 horas de diferença, que só isso basta para adormeceres tardíssimo, não resistes e mandas ver. Dois expressos quase de seguida às 7 da tarde… E é no momento em que aquele líquido castanho aromático te começa a correr nas veias, o prazer que te dá, o corpo, os olhos, a cabeça que despertam para a vida quase imediatamente, as cores mais vivas, tudo mais luminoso, que consegues imaginar, só ao de leve, o que é ser agarrado ao cavalo…

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