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Vidro

19/03/2012
Quando era adolescente, fiz coleção de frascos de perfume. Era uma frascaria que só visto. Nas agruras da adolescência, houve muitas vezes em que me apeteceu varrer a camilha onde eles se alojavam. Com um braço, arrastá-los para o chão. Mas depois pensava sempre que era eu que tinha de arrumar aquela merda toda e desistia. Esse desejo foi substituído por outro. Poder atirar um copo à janela do meu quarto, eram as maiores lá de casa, e ver o vidro a estilhaçar-se. Obviamente não o fiz. Ontem, naquele livro, que por sinal é brutal, recomendo muitíssimo, entendi porquê. O vidro ilustra um estado de isolamento parcial. Vemos através e estamos mentalmente livres, ainda que emocional e fisicamente separados do exterior. In: “O feminino nos contos de fadas” (La femme dans les contes de fées), Marie-Louise von Franz. 

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