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Vou ter tantas, tantas saudades…

03/08/2011

Ontem fui assistir à defesa de doutoramento do núcleo pobre da novela. Podia fazer aqui uma descrição dos personagens da Banca, mas não vou fazê-lo. Acho melhor não, a pessoa cresce, o mundo fica maior, a ética consome-nos. E, garanto, tinha descrições tão, tão boas… Mas são pessoas conhecidas aqui no Brasil e eu não quero ferrar ninguém, muito menos a mim mesma. Vai saber… Daí que o melhor é falar brevemente sobre o que é defender um doutoramento no Brasil, na USP, em artes cénicas.

Se há coisa de que gosto aqui é da leveza. Os brasileiros são leves não deixando de ser profissionais por causa disso. Os brasileiros não têm medo uns dos outros, não acham que o facto de rir os prejudica, tornando-os menos credíveis, não vêem a partilha de sentimentos e de intimidades como um problema muito menos ela os ameaça. O doutoramento era em artes cénicas pelo que não há necessidade de gravatas, formalidade, paneleirices em geral. As pessoas riram, fizeram piadas, falaram sério, comentaram sem medo de ser felizes, elogiando e questionando, na exata medida do saudável, do razoável, do decente, do lógico, do justo, da vida. Da vida, completa, sem separação de áreas. Avaliaram o trabalho dele, não ele, como pessoa. E talvez aqui esteja toda a diferença. Não houve ataques, não houve luta de egos, não houve defesas exacerbadas do que quer que seja, houve bate bola, como no ténis. Eu bato a bola durante 30 minutos, tu respondes durante os outros 30.

Era só. O núcleo pobre da novela aguentou-se à bronca e ainda brilhou em algumas respostas. Em portuga, sempre, sempre em portuga. Eu aguentei estoicamente duas horas e meia de cada vez sem sair pra fumar, a parada dura 4 horas, adorei, e tenho o maior dos orgulhos do meu querido núcleo pobre da novela, coisa mai linda.

Comemorámos até às 4 e tantas da manhã. E o meu almoço tão esperado com o saudoso núcleo rico da novela teve de ser adiado. Foi por uma boa causa, não é todos os dias que um amigo defende uma tese de doutoramento, não é todos os dias que celebramos o sucesso de um queridíssimo amigo.

Parabéns, Alê, orgulho gingante!

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