Selfish Love

What difference does it make?*

24/04/2013
Na descrição da esquizofrenia que se acometeu de mim, falava com uma amiga sobre o que mais me custaria na mudança a que me obrigo agora. Necessariamente o que existia deixa de existir enquanto condição, ela mudou, as variáveis mudaram, o resultado tem de ser outro. O que tinha contigo não tinha com mais ninguém, somos amigos, envolvemo-nos quando nos encontramos, não marcamos o ponto e sabemos que está tudo certo. Sabia-te do mundo e orgulhava-me de fazer parte disso. Também sabia que conheces milhões de pessoas e, imagino agora, mantenhas relações com algumas delas da mesma forma que manténs comigo, quando a saudade bate, o desejo bate, vem aqui. Agora podes ir. Mas, até agora, não considerei nada disso, é uma das minhas grandes especialidades, ignorar liminarmente o que não me interessa até estar preparada para encará-lo. Ao mesmo tempo continuo a achar que é amor verdadeiro. Depois de me curar desta doença que é a paixão, tenho plena convicção de que ficará apenas isso, amor verdadeiro, o que liberta, e isso é muito bonito. Os meus mais nobres sentimentos permanecem inalterados. Dizia então que o que mais me custaria era perder isso, essa relação que não tenho com mais ninguém, homem nenhum, amigo nenhum. A possibilidade de agarrar um deus grego que toda a gente quer e eu tenho é coisa que, às vezes, me vem à cabeça, se não seria um negócio de ego também. À parte disso, o que me custaria perder era essa possibilidade, esse anseio, essa coisa de não saber se vai rolar ou não e rolar sempre, no fundo, no fundo, saber isso, o olhar por horas para essa tua beleza infinita, apesar da última vez que estive contigo quase não conseguir olhar-te nos olhos, de tanto que me fugiste. A vertigem do desejo, o conquistar-te aos poucos, o toque, a troca de olhares intensa. A ansiedade de ver como é, de novo, o teu corpo, os teus braços a agarrarem-me. É muito tentador, só que isso já não me chega. Talvez tenha começado a perder o fascínio quando cheguei à conclusão de que havia um desequilíbrio entre as partes e eu achava que era muito mais do que é. E o que só é para ti, eu não quero. Então somos amigos-irmãos, e ‘tá tudo certo. Sem incesto…
* @Selfish Love, 2 Mar. 13

You Might Also Like

  • margarida 24/04/2013 at 16:08

    Uau. Isa, minha alma em sintonia com a tua.
    "(..) apesar da última vez que estive contigo quase não conseguir olhar-te nos olhos, de tanto que me fugiste."

    • Isa 24/04/2013 at 16:15

      :) ai Margarida, olha, não queria nada, nada dizer isto, mas é uma merda, viu? enfim… vêm aí mais posts do Selfish Love, stay tuned ;) e tenho um aqui na cabeça, que não sei quando conseguirei escrevê-lo, porque a distância mo permite agora, é por isso que estou a publicar os do Selfish Love, porque decidi, há algum tempo, to let go, que nos permite entender racionalmente o que se passa,

  • Bruna Vicente 24/04/2013 at 18:30

    Esse apego aos sentimentos que temos e a dor que sentimos ao perder algo que de certa forma sentíamos que nos pertenciam, causa uma certa perturbação, e muitas vezes não conseguimos entender o seu real significado, e quando se trata de amor, nem se fala, muitas vezes me é tirado o que ainda eu não havia considerado meu.

    • Isa 24/04/2013 at 19:20

      Olha, é exatamente isso, pqp, viu?

    error: Content is protected !!