Selfish Love

Wild Horses*

14/01/2015

O amor livre é muito bonito pra quem não se envolve emocionalmente. E isso é coisa de homem, não de mulher… As mulheres, consciente ou inconscientemente, envolvem-se emocionalmente, pelo contacto físico. Damos um bocado de nós, permitindo que alguém entre no mais fundo da nossa intimidade. E, independentemente da relação que tenhamos com o nosso corpo, há uma inquestionável com o sexo oposto. Ocorre um fenómeno biológico e não é à toa que nós, biologicamente, tenhamos de esperar 9 meses e os homens não, o papel biológico deles é outro, disseminar a espécie, o que eles fazem com a maior competência do mundo, enquanto nós nos recolhemos, às vezes num vazio imenso, depois do imediatismo do prazer instantâneo. Os homens separam o emocional do físico, embora às vezes não sejam os últimos a rir. Nós não, por mais que nos queiramos convencer do que for. É uma condição nossa, das mulheres, do feminino.

Podemos disfarçar, ter outras prioridades, deixar-nos domar por considerações racionais da vida moderna, tentar convencer-nos do que for, mas esse negócio de amor livre, parece-me, é conversa.

Por medo do envolvimento emocional, do compromisso, do que quer que seja, normalmente de nós mesmos e de perdermos o controlo, todos queremos o mesmo, achemos ou não que merecemos, mesmo que nos movamos por prazer, sejamos homens ou mulheres. Todos, todos queremos o mesmo, mais tarde ou mais cedo, companhia, amor, companheirismo, parceria, cumplicidade e a “esperança de óculos”, alguém que cuide de nós, que se importe, para quem sejamos a primeira prioridade, que não se vá embora depois do café da manhã, que não nos largue no meio da madrugada, de quem fujamos no meio da madrugada. Que seja capaz de mais, que queira mais, que se proponha a mais, connosco e só connosco.

Ao contrário dos animais irracionais, a vida pede-nos um pouco mais, não nos basta comer, dormir e beber. E contribuir para a evolução biológica das espécies. É-nos exigido mais e é bem mais divertido e suave se o pudermos partilhar com quem nos escolheu para percorrer o caminho. Com quem pode até nem fazer sentido na nossa cabeça, cheia de teorias mirabolantes, com o alto patrocínio da neurose do momento, sobre o que é válido e não é, o que é aceitável e não é, no outro, mas que resulta, porque a base está lá, o amor, o carinho, o cuidado, a dedicação, a vontade.

O amor ser maior do que o eu, do que o tu, o amor, não o ego. É isso que importa, só, só isso…

*The Rolling Stones

@Fev.13

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