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You Choose*

26/04/2013
Ao contrário do que nos dizem, sabe deus com que objetivo, uma paixão não se cura com outra, tal como o fim de um relacionamento não se cura com outro. Da mesma forma, nós não fazemos nada de errado, nada, mesmo que percebamos no nosso comportamento algumas coisas que não devíamos ter feito. Como se houvesse regras universais pra isso… Como se fossemos todos iguais, como se quiséssemos todos a mesma coisa. Não somos e não queremos. 
O que quer que seja que projetámos no outro não se cura enquanto não decidirmos encarar o touro de frente e tentarmos descobrir o que é. Na grande maioria das vezes, a fantasia é nossa e o outro, que tem lá as suas neuroses por resolver, não faz a mínima ideia do que vai na nossa cabeça, da fantasia que alimentamos e a que achamos, parece mesmo, que ele corresponde.
Nós decidimos quando nos apaixonamos e escolhemos o objeto da nossa paixão de acordo com a nossa neurose mais primária, seja ela qual for, normalmente tem a ver com a forma como experienciámos o primeiro amor, o da nossa mãe (ou de quem cuidou de nós nos primeiros dois anos da nossa vida). E auto-convencemo-nos de um monte de coisas, seduzidos pelo outro, que muitas vezes tem intenções completamente diferentes das nossas. 
De nada adianta dizerem-nos: não vês que não sei quê, sai dessa, sai fora. De nada adianta ao ego querer controlar, à persona, tomada pela sombra, querer mandar o outro pra longe. Quando o nosso cérebro decide e abre caminho para o coração se expressar, não há nada, nada que o trave, ao coração, quero dizer.
Quando a coisa não é correspondida, quando acaba, porque tudo se torna evidente demais para continuar a ser ignorado, o que nos resta é tentar resolver a neurose, para que o padrão mude e para que, da próxima vez, a raiz não seja de compensação/projeção, mas sim de identificação. Sem esquecer que desejo e responsabilidade não caminham juntos, que afinidades intelectuais não sustentam relacionamento algum, que tem de haver afeto, acima de tudo. 
O melhor de tudo é perceber que tentar resolver a vida do outro não nos resolve a nossa e a inversa é igualmente verdadeira. A nossa vida temos de a resolver sozinhos, com muita vontade, muita coragem e a plena consciência de que é a nós quem temos de encarar, sempre, e que não é fácil, nada, nada fácil. 

*

Os Pet Shop Boys descrevem essa escolha na perfeição, nessa linda musiquinha aí em cima, ora oiçam…

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  • Anita 27/04/2013 at 21:04

    'cê disse tudo ali nos dois últimos parágrafos. Eça é que é essa Isa ;)
    grande texto… até me emocionou aqui, no nó da garganta ;)

    • Isa 27/04/2013 at 21:07

      :) beijinhos, minha querida, beijinhos… :)

    • Anita 27/04/2013 at 21:11

      (música chata, mas bons lyrics, sem dúvida)

    • Anita 27/04/2013 at 21:11

      beijinhos*

    • Isa 27/04/2013 at 21:18

      opáaaaa, não é nada chata :p :D

    • Anita 28/04/2013 at 12:32

      É só um bocadinho ;)

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