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O Brunão e a Lili

11/01/2022

Ninguém parece interessar-se por análises psicológicas, mas faço-as na mesma. É só nessa perspetiva que o Big Brother Famosos me interessa, e apenas enquanto lá andar o Brunão.

Conheço bem o estilo, o sedutor é uma das minhas fraquezas. A outra, os artistas, os introvertidos, de alma sensível, incompreendidos.

Bruno de Carvalho é o sedutor nato.

A sedução é a sua maior, melhor e mais eficaz arma. E o seu pior vício. Por isso, e para se aguentar ali, teria de ter alguém que o fizesse sentir-se bem, poderoso, no controlo. Pela sedução, sempre.

Um sedutor jamais é agressor, a sua estratégia é outra.

Podia não estar-lhe nos planos, a Lili surpreendê-lo, atraí-lo. O que só ajudou.

Por outro lado, nenhuma outra mulher da casa poderia ser por ele seduzida. A Marta é demasiado senhora de si, a Laura demasiado dependente, a Catarina demasiado extrovertida e a Jaciara nem vale a pena dar-me ao trabalho de explicar.

A Lili, ao mesmo tempo que tem alguma pureza, mantém um certo recato, o que atrai e, ao mesmo tempo, dá luta a um sedutor. Uma das características de um sedutor é gostar da arte da conquista, levando o seu tempo. Mais importante até do que a concretização.

Às vezes, acontecem surpresas… Infelizmente, já adivinho o fim:

A Lili é conquistada e o Bruno vai à sua vida.

Neste momento do jogo, parece que é ela quem domina. Era menina para me convencer, não fosse já ter visto este filme. Não digo que o Brunão não esteja mexido, o coração tem uma autonomia lixada…, Mas a verdade é que a Lili não cede, mas também não se afasta.

Não diz claramente que não. Está a saber-lhe bem. A única coisa de que o Bruno precisa para se manter perto.

Ninguém ali é vítima.

Tendo isso em conta, esta semana, a Lili vai sentir algum afastamento, porque o Brunão, que é esperto, sabe que terá de participar mais. Vai privilegiar a razão ao eventual sentimento, como os homens tão bem sabem fazer. Não só para que não continuem a votar nele dentro da casa, mas também para manter um jogo interessante, o que é uma prioridade, e não perder por completo o contacto com os outros.

Afinal, precisa deles.

Não vai dar em nada, porque os dois vêm de mundos muito diferentes. E se, dentro da casa, o mundo é dionisíaco, todos são iguais, não há hierarquia, Lili e Brunão não resistiriam ao mundo hierárquico, apolíneo, cá de fora.

E Bruno sabe disso…

Esse tipo de fantasia é muito do feminino e a sedução dele tem-na como pano de fundo. Embora nunca a mencione, apenas deixa subentendido, como um bom sedutor: jamais se compromete, só deixa no ar, à mercê da imaginação demasiado fértil das mulheres.

Enquanto durar, cá estaremos para ver e apoiar.

O romantismo é um arquétipo forte, principalmente entre as mulheres. E todas nós, mesmo sabendo que os sedutores não são de fiar e, mais tarde ou mais cedo, vão à procura de outra que se deixe seduzir pelos seus encantos mis, queremos poder continuar a sonhar, a fingir que acreditamos, que é amor e que este pode tudo, como se mais nada fizesse parte da vida, só faltando uma cabana.

Vai Brunão.

Sempre vou aprendendo qualquer coisa. É fascinante assistir, a uma distância segura. E muito divertido

Big Brother Famosos

10/01/2022

A culpa é do meu tio, que, num grupo de família, durante um pacato domingo à noite, escreveu: “Bruno de Carvalho: de presidente do Sporting a presidente do Big Brother”. Movida pela curiosidade, mudei para a TVI, canal que nunca vejo, e lá estava ele, o Big Brother Famosos.

20 anos depois do primeiro, pus-me a ver este.

Rapidamente me viciei. Tal como Portugal inteiro, estou encantada com o Bruno de Carvalho, farto-me de rir com os couros que bate à Liliana, a sua inteligência e fraquezas, comovem-me as chamadas de atenção, acho graça à postura dele, em geral. No entanto, Brunão, aqui que ninguém nos ouve, tens de voltar às piadas, ou corres o risco de a estadia na casa ser apenas focada na Liliana e vais perder audiência.

Adoro a Marta, de longe a minha preferida das mulheres.

Aquele vozeirão, gira que se farta, não tem medo de ninguém e consegue demonstrá-lo de uma forma que não agride.

Logo de seguida, a Catarina. Bem-disposta, gira, apaziguadora, mas, ao mesmo tempo, firme. E muito engraçada. A Laura, apesar de linda e fofucha, não cheira nem fede. A Lili é-me completamente indiferente e a Jaciara, mais tarde ou mais cedo, vai ser descoberta pelos colegas como sendo a venenosa de serviço. Duas caras sim, divide para reinar, ao mesmo tempo que se faz de vítima.

E eu não gosto disso.

O Brunão é o meu preferido, uma escola de sedução, tenho muito a aprender com ele. Gosto do Jorge e, por puro entretenimento, do Nuno. Acho o Leandro execrável, o Kasha numa posição demasiado segura, gosto do Jardel e acho o Jay fofucho.

As pessoas insistem na questão do jogo. Por outro lado, chamam ao programa: novela da vida real.

Independentemente de ser um jogo, não acredito, nunca acreditei, que fosse possível sustentar uma persona por muito tempo. Atores ou não, é insustentável fazê-lo 24 horas por dia.

O exemplo mais claro é o Bruno.

Não digo o Leandro porque, lá está, não percebeu nem aprendeu nada. Bastou uma ida ao confessionário para, com a baixa auto-estima que revelou desde que entrou, em vez de fazer o jogo dele, denigre a imagem dos outros. Sem perceber que quem vê de fora, vê mais. E não gosta. Projeta nele toda a sua sombra, o que vai levar a que saia já no próximo Domingo, se Deus quiser. Não assume responsabilidade por nada, uma vítima do sistema, não percebe que é ele quem cava a sua própria sepultura.

Entendo que tenha vindo “acordar” a casa. Mas, manipulador por manipulador, eu prefiro acordar com festinhas do que aos gritos e aos pontapés, leveza a agressão gratuita, não sei por vocês.

É desagradável de ver. E insuportável ouvir.

Por isso, faça Leandro o que fizer, jamais chegará aos pés de Bruno de Carvalho. Precisava de nascer outra vez. Revela pouca espinha dorsal, falta de caráter, entre outros desvios de personalidade.

Não é com vinagre que se apanham moscas.

Jamais me apanhariam numa coisa destas, mas acho divertido fazer o exercício:

Se fosse eu, qual seria a minha “estratégia”.

Não padeço desse nível de calculismo. Pensaria sempre que ficaria algum tempo e com quem é que a experiência seria menos penosa. Seria, portanto, com base nesse critério que nomearia. E o primeiro a saltar seria o Leandro, de caras. Depois, os que me são indiferentes e não me facilitam a vida na casa, tipo, não fazem um cacete. Só no fim começaria a “jogar”.

Assim, neste Big Brother Famosos, por ordem de expulsão, e neste momento: Leandro, Jaciara, Jay, Liliana, Kasha, Laura, Nuno (se de facto é um chato do cacete, viria antes do Jay), Jorge, Catarina, Marta, Jardel e Brunão.

Joan Didion

23/12/2021

Acabo de saber que morreu a Joan Didion.

No meu altar dedicado ao Jornalismo Literário, os seus livros têm um lugar de destaque.

Foram os melhores testemunhos que li sobre o luto, ao ponto de conseguir ouvir a sua voz, como no documentário da Netflix, que já vi várias vezes. E, na sua imensa fragilidade, encontrei uma força ainda maior.

O poder da delicadeza, que a própria Joan Didion representava, na sua voz e na debilidade do seu corpo.

Por maior que seja a perda para o mundo dos vivos, o reencontro com o marido John e a filha Quintana, mesmo a tempo do Natal, reconforta-me.

Joan Didion é um dos maiores e melhores exemplos do que o jornalismo literário deve ser. O seu legado estimado por todos quantos se dedicam de alma e coração a esta nobre arte.

Um dia quero escrever assim, com elegância e verdade, coragem e vulnerabilidade. Como ela, tão, tão grande…

Que descanse em paz, o meu eterno obrigada.

In a Nutshell

22/12/2021

Reading and Writing in a Nutshell, by Marcel Proust:

Natal

21/12/2021

Contrariamente ao que é costume, este ano apetece-me que seja Natal. Por nada de especial, mas  apetece-me.

Presentes comprados em Novembro, nunca em 50 anos de vida tal coisa aconteceu, sem pressão, sem nervos, sem obrigações. Vi, gostei, comprei. O gajo adorou, ainda por cima. Gosta sempre imenso. Diz que dou as melhores roupas. Calhou-me em sorte só ter de comprar presentes para homens, o que é sempre uma enorme dor de cabeça. Este ano, tudo aviado.

Também contrariamente ao que é costume, o Natal parece ser cinzento este ano. Para ajudar, a profusão de filmes alusivos ao Natal, por todo o lado, desde Novembro.

Daí que, não sei se é disso tudo, mas esta semana está a custar-me imenso a passar. Por mim, era já entrar no espírito. Pôr-me a fazer sobremesas, ouvir a Mariah aos gritos, ou talvez não… Uma coisinha assim mais suave, dada a minha provecta idade, e calorzinho.

Ando a aguentar desejar um Feliz Natal desde o dia 1 de Dezembro. Este fim-de-semana não me contive, acusaram-me de ser demasiado cedo.

A verdade é que no dia não quero andar a responder a mensagens. Quero deixar o telefone de lado e concentrar-me no bacalhau, na Roupa Velha, nos Ferrero Rocher, nas rabanadas e eventualmente no Hugh Grant, o único Primeiro-Ministro de quem gosto.

Um Feliz Natal, aos poucos que ainda aqui passam.

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