A propósito da novela mexicana em que se tornou o caso Cristiano, JJ e FPF, cá vai:
É por gostar tanto dele que o digo, uma pessoa da dimensão de Cristiano Ronaldo tem de sair em grande. E, para mim, não há nem haverá outro como ele.
Lamentavelmente, tudo tem de ter um fim, já que a idade chega a todos. Por isso, e por melhor que se sinta, não há milagres que lhe tirem os anos que tem nas pernas.
Visíveis a olho nu, no último Mundial.
Pela parte que me toca, não queria tê-lo visto sentado em cima da geleira, durante os três minutos de pausa para hidratação. Escusava de ter passado por isso, demonstrar essa fragilidade perante milhões de pessoas. Não precisava disso, nem de ficar no banco depois de tudo o que fez por Portugal.
Por tudo isto, há que ser realista.
Cristiano Ronaldo não tem lugar na seleção. E ele sabe-o melhor do que todos nós juntos: já não o tinha no último mundial. Como ficou à vista de todos, já não responde da mesma maneira, o que é natural. Também todos sentimos que, estando em campo, obriga, de certa forma, a que joguem para ele. O que prejudica a equipa, facilitando a vida dos adversários. Que, em vez de marcarem dez marcam só um.
Foi convencido a ir, porque gera milhões e não aguenta ficar de fora. Não é surpresa para ninguém, por tudo o que se conhece dele e das suas aspirações. A prova disso é a quantidade de seguidores e, portanto, de dinheiro, que a FPF perdeu nos últimos dias.
JJ fez bem em não o pôr a jogar. Mas falhou em fazê-lo aquecer durante meia hora. Sequer em convocá-lo, para começar.
Cristiano não «amuou» porque não joga. O próprio disse que estava disponível para o que o mister quisesse.
Do que se conhece, JJ combinou algo com o Cris e não cumpriu. E, em frente às câmaras, para toda a gente ouvir, confirmou a presença de Gonçalo Ramos a titular, no jogo contra a Dinamarca. Devia ter sido mais cuidadoso. Fala-se tanto no ego de Cristiano e muito pouco no de JJ. Aquela demonstração de prepotência não lhe fica bem. E se a sua intenção era pôr o Ramos de início, e bem, só tinha de deixar isso claro a Cristiano, antes da conferência de imprensa, e que levou Cristiano a abandonar o estágio, da forma que abandonou. Achar que faria as coisas de outra forma é querer que fosse outra pessoa, diferente da que nos deu tantas alegrias, durante mais de 20 anos.
Sabemos, pelas entrevistas que deu, nomeadamente a Piers Morgan, que o que Cristiano mais preza nas suas relações é a lealdade. E essa falhou.
Cristiano também disse que, no dia em que não fizer falta à seleção, pega nas malas e vai-se embora. Foi exatamente o que fez, depois de, precisamente, perceber que não fazia falta. Por isso, não percebo a histeria, ele até avisou…
Pelos vistos, já não está disposto a ser a mina de ouro da FPF.
Que devia era ter vergonha de se sujeitar a tamanha exposição de mau caráter. Afinal, trata-se de uma instituição, não de uma empresa…
No entanto, não lhe faz justiça sair desta maneira. Cristiano merece uma despedida condigna, devemos-lhe isso.
Marca-se um jogo, ele joga, marca o golo 1000 (ou outro qualquer), acaba o jogo, agradece aos adeptos, o estádio inteiro faz-lhe uma ovação de pé, ele chora, bate com a mão no peito, mostra-se a tarja:
“Capitão valente e imortal”
E está feito. Outra homenagem bonita seria o número 7 ficar, para sempre, o número de CR, não sendo usado por mais ninguém.
Assim, ficaria eterno na Seleção, como, aliás, merece.
Palmas ao Bruno Fernandes por ter sido o único adulto na sala. A dar lições de maturidade a JJ e a Proença, com classe.
De resto, cimeira de paz? Ridículo. Primeiro-ministro e demais ministros envolvidos? Uma vergonha.
Mais, é possível estar por um e não estar contra o outro, e vice-versa, diz que se chama maturidade ou lá o que é.
E por fim, chega de drama. Que já não há paciência.


No Comments