Nação valente e imortal

18/07/2016

O que vejo é um povo a celebrar um feito histórico, em vez de cultuar a vitimização e o queixume. Um povo com vontade de mostrar que pode, Portugal a conquistar um espaço no desporto europeu, nas mais variadas modalidades, e um povo com vontade de partilhar conquistas e vitórias, em vez de dizer mal e de se lamentar.

O que vejo é o nosso nome nas notícias do mundo inteiro, pelas melhores razões.

O que vejo é uma nação que vai além das nossas fronteiras e o nome de Portugal a ser festejado com orgulho nas ruas de África, Timor e, acredito, no Brasil. E por toda a Europa, por todo o mundo, onde haja um português que seja.

timor

O que vejo é uma nação unida. E se o pretexto é o futebol, o desporto que agrega mais gente de todos os tipos, da classe mais humilde à mais alta, que seja, há coisas bem piores.

O que vejo é incentivo, apoio, trabalho, foco, consciência e um pouco de fé, em vez de arrogância, favas contadas, egos insuflados e falta de noção. E, como resultado, um sonho praticamente impossível a ser concretizado.

O que vejo é um tipo a quem se chama tudo e mais alguma coisa como um ser igual a mim. É o melhor do mundo no que se propôs fazer com a vida dele ser português. E nem no maior exercício de criatividade possível, me ocorre o que mais se pode exigir de um ser humano igual a mim e a ti. Sendo que nada lhe damos em troca.

O que vejo é um rapaz de 28 anos que pensou em acabar com a vida e que neste momento é o herói nacional.

O que vejo é que a Europa não é nem dos alemães, nem dos franceses, nem dos belgas, nem do BRexit. É nossa, toda nossa.

O que sinto são novos ventos, vontade de mudança, de viver na abundância e não na escassez, a essa já provámos inúmeras vezes que lhe sobrevivemos.

O que vejo é Portugal a não precisar mais de um pai que lhe diga o que fazer e para onde ir, mas de um herói que dá o exemplo e de um mentor que diz vai, deixando que cada um decida para onde. Vejo o fim do paternalismo e o início do incentivo, do voo próprio. Da colaboração em vez da concorrência.

O que vejo é oportunidade e nela a possibilidade

O que vejo é uma nação valente e imortal, que pensa e faz por si e que se pode bater por condições mais justas, em vez de acatar tudo quanto lhe dizem, se submeter a tiranias económicas e a desmandos insanos.

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