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JMJ

02/08/2023

Parque Eduardo VII, ontem à tarde.

A propósito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é uma alegria imensa ver Portugal pejado de jovens, com as t-shirts e bandeiras que identificam de onde vêm, pelo país inteiro, incluindo vilas esquecidas no interior, espalhando alegria, boa disposição e união.

Vêm do mundo inteiro, unidos pela fé.

Comove-me particularmente tendo em conta o ataque cerrado ao Cristianismo, por todo o Ocidente. Assim, a mensagem da JMJ e do milhão e meio de jovens do mundo inteiro é clara:

Estamos unidos pela fé e nada nos destruirá.

As críticas assentam sobretudo no facto de alguns padres, portanto, homens, terem abusado de crianças. Ato condenável, como é evidente. E cujos perpetradores devem não só ser imediatamente afastados da Igreja Católica como julgados e condenados caso o crime se verifique, como qualquer outro cidadão. No entanto, vale acrescentar que estão longe, muito longe, de representar o Catolicismo e o papel que este tem no mundo.

Contudo, acho, no mínimo, curioso e deveras preocupante, que o mesmo número de pessoas, meios de comunicação social de massas, entre outros, não se insurja contra organizações internacionais, governos, políticos (que cometeram exatamente o mesmo crime…), médicos, psicólogos “afirmativos”, professores, educadores. Não exija semelhante ou ainda maior nível de escrutínio aos mesmos. Que, sob instrução do Estado e de forma abusiva, endoutrinam crianças e jovens. Manipulando-os desde a mais tenra idade, levando-os à confusão quanto à sua identidade e sexualidade. Promovendo, entre outras coisas, a pedofilia

Quando sequer têm maturidade para entender o que quer que seja.

Conduzindo-os à adoção de práticas criminosas e prejudiciais à sua saúde, como terapias hormonais e cirurgias permanentes, ao ponto de destruírem os seus corpos de forma irreversível, impedindo-os de ter filhos, amamentá-los, já para não falar noutras questões de saúde.

A igreja não discrimina ninguém.

Mas tem regras. Ou cumprem-nas ou são livres de seguir o vosso caminho. Não queiram impor-lhe ideologia, vontades próprias e individuais, fruto de narcisismo, egocentrismo e desejo de poder.

As sociedades civis têm alternativas. Usem-nas.

Ademais, o Socialismo/Comunismo odeia o Cristianismo, por saber que não consegue controlar os seus fieis. Por o Cristianismo defender a VIDA, a família, o casamento (a união entre um homem e uma mulher). Também porque uma família sólida, independentemente das suas questões internas, volta-se sempre para a mesma.

Não procurando o Estado em busca seja do que for.

Pelo contrário, faz muitas vezes o papel que este deveria fazer. Estado esse que não serve os interesses de ninguém, a não ser de si mesmo. Que promove e patrocina o ódio, a morte e a destruição de milhões de vidas.

Exatamente o contrário do que se vê entre os milhões de peregrinos.

Porque o Cristianismo veio acabar com práticas imorais que incluíam incesto, relações entre irmãos, primos, pais e filhos, etc. Talvez seja o motivo que leva Estados e Governos a querer acabar com ele.

Respeitem a liberdade religiosa, que, por sinal, é um direito constitucional.

O problema não são as religiões, é o que se faz em seu nome. As que perpetram crimes em nome de Deus devem sim ser condenáveis. Ao que sei, nenhum texto cristão, inclusive a Bíblia, o faz. Ao contrário de outras. Cujos fieis estão acima de qualquer crítica.

Deixem os Católicos em paz, deixem as crianças e jovens em paz.

Vivam as JMJ.

Por outro lado, e caso estejam entediados com a cobertura televisiva, é fácil, desliguem a TV…

Homens e Mulheres

29/07/2023

Prolifera por essa internet fora uma vontade de regressar ao passado, no que ao papel dos Homens e Mulheres diz respeito. Apenas um, ao que parece… E, na grande maioria, defendida por homens.

Surpreendentemente, também por algumas mulheres.

Mesmo considerando a hipótese cada vez mais provável de que a inclusão das mulheres no mundo do trabalho (fora de casa, bem entendido) se relacionou com a possibilidade de taxar uma parte da população e, ao mesmo tempo, forçar as famílias a deixar que os seus filhos fossem educados pelo Estado, nos EUA. Ainda que, na Europa, se associe a força de trabalho das mulheres às fábricas, e às enfermarias, durante a Segunda Guerra.

Curiosamente, na Alemanha, as mulheres têm dois anos de licença de maternidade.

E não desfazendo no papel fundamental que as mulheres têm não só na gestação como na educação dos filhos… Mais (Deméter) ou menos cuidadoras (Hera, em relação aos filhos, pelo menos, já que a sua devoção é aos maridos), ainda que todas nós tenhamos instinto materno, mesmo as tendencialmente mais executivas (Atena) ou aventureiras (Artémis).

Há uma questão latente e inegável de dependência e de sobrevivência.

No que se refere ao palco para abusos insustentáveis, à possibilidade de os maridos não cumprirem com os votos que fazem, quando se casam, por não aguentarem não estar no centro da vida das mulheres, tendo muitas e muitas vezes ciúmes até dos filhos, traindo nos primeiros meses, por vezes anos, de vida dos bebés. Sendo que o contrário não se verifica.

Pois o centro da vida deles é o trabalho.

Quando não é, e não são provedores, há uma perda de respeito por parte das mulheres. As mulheres querem e precisam de homens masculinos.

Isto é inegável e masculino não quer dizer machão ou machista.

As mulheres anulam-se pelas relações, os homens usam-nas para seu equilíbrio emocional, abandonando-as muitas e muitas vezes.

Vezes demais, fisicamente, quase sempre, emocionalmente.

Não nego que o mundo laboral nos afaste do feminino, cuidador, sensível, nutridor, emocional, que nos transforme ao ponto de sermos motivadas pela sombra.  E que a consequência seja uma quebra na natalidade. Uma desconexão total em relação a nós mesmas e aos homens.

De resto, no plano das ideias é tudo muito bonito.

Mesmo tendo em conta todas as variantes de masculino e feminino, a “ordem natural”, o que é instintivo para homens e mulheres, acontece, lá está, naturalmente.

No entanto, o equilíbrio só funciona se houver algum estoicismo por parte das mulheres e alguma inteligência intuitiva por parte dos homens.

Na prática, só resulta quando há confiança nos homens e respeito pelas mulheres.

E respetivos papéis. Há que notar que ambos são pessoal e individualmente responsáveis para que tal aconteça.

Nomeadamente, pelos votos que fizeram, quando resolveram passar o resto da vida juntos. 

Há muita coisa que perdemos quando escolhemos ser um nós em vez de um eu, como em todas as escolhas que fazemos. Mas se há certeza que tenho é que é preciso que compense.

Porque o individual nunca, nunca morre.

E é quando o equilíbrio falha que o que deixámos para trás nos assombra. Ou quando os filhos saem de casa e de repente percebemos que temos uma vida pela frente e não sabemos o que lhe fazer. Ou quando perdemos relevância laboral.

De resto, homens e mulheres são mais fortes juntos do que separados…

E não há nada mais bonito e mais inspirador do que uma união sólida entre um homem e uma mulher.

Boa Esperança

17/07/2023

Das 16 mil pessoas que moram na Boa Vista, uma das dez ilhas de Cabo Verde, 9 mil moram na Boa Esperança, um bairro de lata, como lhes chamávamos nos anos 80, em Portugal, antes de termos aderido à CEE e desatarmos a construir bairros sociais que, felizmente, acabaram com o que seriam as favelas portuguesas.

Este bairro fica situado no meio da ilha e, em volta, uma série de habitações sociais foram construídas, estando prontas a acolher várias famílias. Apesar disso, encontram-se vazias, há anos. Porque as famílias não têm 100 euros para dar por mês pela casa, juntando-se-lhe o resto das contas, água, luz, gás, optam por ficar onde estão.

A grande maioria dos habitantes da Boa Esperança provem de países vizinhos.

Vieram para Cabo Verde à procura de uma vida melhor, para construirem os hotéis de luxo, para onde vão os turistas, com tudo incluído, por uma semana. A crise de 2008 veio estragar os planos de engenheiros senegaleses, arquitetos da Gâmbia e trabalhadores da Construção Civil da Nigéria, que, agora, vivem na Esperança de uma mudança.

Muitas das suas mulheres trabalham, todos os dias, nos hotéis que ajudaram a construir, trabalho que os cabo-verdianos recusam, por 200€ por mês, o preço que paguei pelos últimos óculos escuros que comprei, há 5 anos. Convivendo com europeus entediados que precisam que cinco jovens adultos os entretenham para se distraírem da chatice que é estarem de papo para o ar, de costas viradas para o mar, a apanhar aquele sol fortíssimo das dez da manhã na cara, com o objetivo de ficarem o mais possível parecidos com um tijolo. Servindo refeições fartas, onde nada, nada falta. Para voltarem para a Boa Esperança, onde apenas há eletricidade das 5 à meia-noite, o saneamento é praticamente inexistente e assim vivem até ao fim do mês, momento em que aproveitam para mandar algum dinheiro para a família que ficou nos países de origem.

Longe de achar que as pessoas têm direito a carro ou outros luxos

O carro não é um bem de primeira necessidade, transportes decentes são-no, para que possam deslocar-se para os seus trabalhos e as crianças e adolescentes para escolas e universidades. Mas há um mínimo indispensável para se viver, mesmo que consigamos sobreviver sem esse mínimo.

E esse mínimo é dignidade.

Um teto, água canalizada e luz elétrica. É comida na mesa, ensino, saúde, justiça e segurança para todos. Sem isto, não há dignidade possível. O que cada um faz com a sua vida depois, é com ele, se quer morar na rua, se se perdeu num vício qualquer. No entanto, para podermos dizer que evoluímos enquanto espécie, a volta dessas pessoas à vida civil tem de estar garantida, assim o desejem. Com instituições públicas encarregues de voltar a inserir essas pessoas na sociedade, responsabilizando-as pelo seu processo. Não se trata de salvar ninguém, nós só precisamos de ser salvos de nós mesmos, mas sozinhos fica mais difícil. E ninguém está isento de fazer más escolhas.

Em outubro, as crianças da Boa Esperança terão um jardim de infância.

Que funcionará na Associação Comunitária Unidos pela Boa Vista.

Lamine Fati é guia turístico, guineense e presidente da associação. Já disse que, assim que a escolinha estiver de pé, vai construir um campo de futebol para as crianças.

Conta com a colaboração de algumas empresas e os padrinhos de dezenas de meninos. Que só podem frequentar a escola se quem as apadrinhou mandar 25€ por mês, no caso dos mais pequenos. A partir dos dez anos, apenas 10 euros são precisos.

Tem 25 anos e muitos sonhos.

Mexe-se bem e é respeitado, todos o conhecem na Boa Esperança.

Uma vez por mês, celebra-se o aniversário dos meninos e meninas que nasceram nos 30 a 31 dias desse mesmo mês, com bolo para todos. Aos domingos, há pequeno-almoço dado pela associação para dezenas de crianças a quem nunca falta um sorriso e um olá. E nas festas, arranja-se sempre forma de lhes dar alegria.

No dia 1 de junho, na Páscoa e no Natal. 

Antes do grande dia, as crianças da Boa Esperança escrevem ao Pai Natal e a Associação garante que todas recebem o presente que pediram.

Às vezes, Lamine cansa-se, tudo demora, mas o brilho volta-lhe aos olhos, a força às palavras e a determinação aos gestos, quando chega à Boa Esperança e as crianças lhe abraçam as pernas.

02/08/2016

The grass is always greener…

13/07/2023

Do you ever wonder how your life would be if things turned out to be different, when you were younger? If that relationship had gone through. If that job as permanent whatever had worked out? And vice-versa. If you had made braver choices? If your life was the exact opposite of what it is now?

Have you ever felt nostalgic for the life you did not live?

Projeção

10/07/2023

É duro ver as pessoas como elas são. Além da projeção. O que vale para os dois lados. É tão ou mais duro vermo-nos como somos, além da ideia que temos de nós mesmos. Um ideal de ego. O que, como se sabe, não corresponde à  verdade de quem somos na totalidade.

E o pior é o que fazer com isso.

Depois da projeção, a positiva e a negativa, há dois caminhos: ou se aceita o outro como é, sem tentar mudá-lo, ou se separa e estagna psiquicamente, condenado a cometer o mesmo erro. Pois nunca chega a aperceber-se de qual o seu papel no fim de uma relação entre duas pessoas.

Em que medida contribuiu para o desfecho.

Cada um com a sua responsabilidade, como é óbvio. Não há perseguidores sem vítimas. O papel de vítima (salvador, perseguidor) é tentador, mas impede-nos de andar para a frente.

Também ninguém disse que era um passeio no parque…

Apesar disso, continua a haver muitos casamentos de 20 e mais anos. Que têm a primeira hipótese como verdadeira. Lá arranjam maneira de viver e conviver. Em muitos casos, metendo outras pessoas ao barulho, na sua intimidade. Ou, pior ainda, apenas um procura outras pessoas. Voltando para casa com a estrutura à sua espera e a funcionar.

Jantar feito, filhos a dormir.

Outra coisa não muito saudável é nunca se falar aberta e honestamente sobre o que nos incomoda no outro. Para tentar perceber se é projeção e qual a explicação para a atitude. Cujo impacto acontece de acordo com a história pessoal.

O que processou e não processou.

Seja como for, e o que acontecer, o tempo que medeia a queda do mito e o voltar a estar – não como dantes, é impossível, quando sabemos, sabemos – mas a estar, ainda assim, é um tempo lento, o do coração. Leva uma vida até que as nossas emoções não nos toldem o olhar. E consigamos ver a pessoa como ela é, de verdade.

Porque age assim, o que treslemos, voltar a vê-la como um ser humano, e não um semi-Deus, o herói que vem salvar-nos, para que possamos relacionar-nos como adultos.

Já se isso é possível, se sempre se consegue, se alguma vez os dois coincidirão a ouvir, se há intimidade e abertura para isso, são outros 500.

O não dito é que é o pior, afinal…

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