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Livre

Dados

15/08/2023

A proteção de dados (GDPR) é uma piada…

Tive de comprar um telefone novo. São cada vez maiores, mal me cabe nas mãos. Quando fui à procura das definições de privacidade para bloquear o acesso ao microfone, em todas as aplicações de mensagens, não o encontrei.

Os telefones mais recentes, e este é de 2018…, dão cada vez menos hipótese de escolha, autonomia, auto-preservação.

Sim, de 2018. Recuso-me a pagar mais de um salário mínimo por um telefone. Aliás, o meu limite são 300€. E mesmo assim já é muito. Daí que, tal como o anterior, também este é em segunda mão. Está impecável.

Dizem-me que não é um telefone, mas um mini computador.

Não preciso de um mini computador. Já tenho um computador e um iPad, que me foi oferecido, e apenas uso para ler o que não tenho em suporte físico. Não uso apps a não ser o GPS e aplicações de mensagens. E se não tivesse uma série de amigos fora do país, voltava aos Nokia anti-choques e salpicos, os meus preferidos.

Lamentavelmente, já não tenho olhos para aqueles ecrãs minúsculos.

Não. Não uso apps. Para nada. Dizem que é coisa de velho. Seja. Mas, enquanto puder, o acesso aos meus dados é por mim negado. Para que saibam que não os doei de forma voluntária.

Muito menos redes sociais. Apaguei-as todas, exceto a profissional. Não servem para nada, apenas para nos entupir os feeds com publicidade que, ainda por cima, só polui.

Ademais, recuso todos os cookies. Todos. Dou-me ao trabalho de verificar tudo, antes de abrir qualquer site. Convido-vos a ver, são às dezenas… Recuso todas as partilhas de dados em todos os contratos que assino. Peço para eliminarem todos os meus dados das bases de dados de empresas às quais me candidato. Sempre.

Mesmo assim, farto-me de receber chamadas fraudulentas e abusivas de gente que obteve o meu contacto de forma ilegal e sem qualquer consequência. Ou via empresas que os vendem.

Já nem se dão ao trabalho de pôr um humano a fazê-lo. Fazem-no por bots…

No outro dia, numa dessas recusas, e com o rato em cima da mesma, a frase dizia, literalmente: não podemos vender os seus dados… Vender. É para isso que servem as apps e as redes sociais. Todas elas. E tudo quando é smart, incluíndo telefones. Para coletar dados e vendê-los. Se os vendem, é porque têm valor. E muito.

Se é de borla, tu és o produto.

Não é à toa que se tornou impossível tirar a bateria aos telefones novos. Agora, a única hipótese de proteção de privacidade é enfiá-los no congelador. Mais, como é possível não poder apagar apps do meu próprio telefone? Ter empresas a decidir o que fica e não fica em telefones privados, cujas contas são pagas por nós? A escolha é outra ilusão. Não há escolha, só imposição. As câmaras em tudo quando é semáforo e esquina, com a desculpa da segurança, servem apenas e só para controlo e recolha de dados biométricos.

As liberdades de expressão, de movimento, de escolha, de auto-determinação, de pensamento… nunca estiveram tão condicionadas. E o dia em que tudo isto será usado contra nós está mais próximo do que se imagina. Já estando entre nós.

Portanto, a única pessoa que protege, de facto, os nossos interesses somos nós.

Bem pode o Estado e os Governos, a UE e as empresas vir com a conversa da privacidade ser importante e que agimos em conformidade com o GDPR.

Não só é mentira, como são os primeiros a vendê-los.

Donde se conclui que nenhum organismo, público ou privado, nacional ou internacional, institucional ou comercial, tem os nossos interesses em consideração. Pelo contrário.

Até os dados médicos, que eram os mais sagrados, não só são usados e vendidos como passarão a ser propriedade dos Governos, que poderão com eles fazer o que bem entenderem. E a última coisa em que pensam é no “bem comum”.

Monkeys

14/08/2023
Put 8 monkeys in a room.

In the middle of the room is a ladder, leading to a bunch of bananas hanging from a hook on the ceiling.

Each time a monkey tries to climb the ladder, all the monkeys are sprayed with ice water, which makes them miserable.

Soon enough, whenever a monkey attempts to climb the ladder, all of the other monkeys, not wanting to be sprayed on, set upon him and beat him up.

Soon, none of the eight monkeys ever attempts to climb the ladder.

One of the original monkeys is then removed, and a new monkey is put in the room. Seeing the bananas and the ladder, he wonders why none of the other monkeys are doing the obvious. But undaunted, he immediately begins to climb the ladder. All the other monkeys fall upon him and beat him silly and he has no idea why.

However, he no longer attempts to climb the ladder.

A second original monkey is removed and replaced. The newcomer again attempts to climb the ladder, but all the other monkeys hammer the crap out of him. This includes the previous new monkey, who, grateful that he’s not on the receiving end this time, participates in the beating because all the other monkeys are doing it.

However, he has no idea why he’s attacking the new monkey. One by one, all the original monkeys are replaced.

Eight new monkeys are now in the room. None of them have ever been sprayed by ice water. None of them attempt to climb the ladder.

All of them will enthusiastically beat up any new monkey who tries, without having any idea why.

That is how traditions, religion and ethnic profiling get established and followed. Think twice before following a tradition, religion or negative ethnic profiling. It would make more sense if you get your own understanding to it! – Author: Unknown

É isto que se passa no mundo, há anos…

E que aconteceu, acontece e está a acontecer, diante dos nossos olhos. É o resultado da auto-iniciativa e consequente punição, da mentira, da manipulação individual e de massas, do controlo pelo medo e do silêncio. Mesmo por parte de quem vê, claramente, o que está a acontecer.

Uma mentira repetida 1000 vezes não se torna verdade. Apenas revela que a propaganda funcionou. 

Por isso se descredibiliza, acusa, proíbe e se pune quem questiona, quem procura e quem tenta repor a verdade.

É o que se chama: controlar a narrativa. Quem controla a narrativa raramente diz a verdade.

George

12/08/2023

O meu primeiro disco foi um single, o Last Christmas. Lá pelos meus 12 anos, tinha uma paixoneta pelo George Michael, santa inocência… E só não tinha o LP dos Wham porque uma amiga do colégio mo emprestou.

Ouvi-o vezes sem fim…

Nunca fui grande fã do Carless Whispers, saltava diretamente para o início. Até hoje canto o Wake Me Up Before You GoGo com grande fervor. Adorava o Everything She Wants, bem como o (primeiro) Freedom. E o I’m Your Man é uma das poucas músicas que me deixa sempre, em qualquer circunstância, muito bem disposta.

Pois, as músicas dos Wham eram contagiantes. Pelo pelo ritmo e muito mais. Ao ponto de terem sobrevivido. Logo aí deveria dar para ver que George Michael iria longe. Como tão bem sentiu, no último concerto da banda.

Levei a mal que os Wham se separassem…

Não perdoando George pela traição. E, portanto, ignorando por completo o que fez a solo. Até porque os meus gostos musicais mudaram, claro, à medida que fui entrando na adolescência.

Naturalmente, não me passou ao lado o Faith, muito menos o I Want Your Sex, já para não falar no Freedom, absolutamente brilhante. E não lhes resistia. A arte fala sempre mais alto do que a amargura e o ressentimento. Chama-se conexão…

Mas não acompanhei a sua carreira.

No outro dia, pus-me a ver o documentário dos Wham e percebi que não houve traição alguma. Foi de comum acordo e o seu parceiro de banda, e grande amigo,  estava tranquilo com o fim dos Wham.

Um documentário delicioso, que já vi duas vezes.

George Michael cantou com os maiores e melhores artistas da música: Stevie Wonder, Elton John, Aretha Franklin, Tony Bennett, Paul McCartney, entre outros. E o Somebody to Love, no tributo ao Freddie Mercury, só poderia ter sido interpretado por ele.

Naquela voz que era um portento.

Chegou a ganhar prémios de soul music, ao ponto de o Stevie Wonder perguntar: o quê, ele não é negro?

Ontem, tropecei no seu último testemunho: Freedom.

E percebi que não só é um bom letrista, e um excelente performer, como é, para além de corajoso, o verdadeiro artista, um homem de caráter.

Que não se vendeu à indústria.

Conheci mais e melhor a sua história, as perdas impossíveis de aceitar. Entendo perfeitamente a sua angústia, de querer ser validado enquanto artista, mas não aguentar o excesso de atenção, por ser introvertido.

Há uma linha muito fina que separa a autenticidade de tudo o resto.

Neste documentário, é tão fácil constatar o quão a sua vulnerabilidade é verdadeira. O que mais me encantou nele. Não se tratando de um apelo à peninha, sequer de um excesso de exposição. Mas de honestidade. Genuína, por não saber nem poder ser outra coisa a não ser o que é, enorme.

Ao passo que neste, o objetivo é explorar a sua miséria, o tormento que vivia, a luta interna entre duas forças psíquicas que não vivem uma sem a outra. E que passou completamente ao lado, se não de todos, de muitos dos testemunhos.

Freedom é um trabalho brilhante, de realização, fotografia, conteúdo e testemunho.

George Michael deixou-nos demasiado cedo, mas, lá do céu, pode ter a certeza de que o que fica na memória é o que os que o conhecem dizem dele. A sua música, que é de todos nós. E o nosso eterno agradecimento.

Teve o reconhecimento que lhe é devido, em vida.

No entanto, não estou certa de que lhe tenha chegado.

E o Natal, de que tanto gostava, terá sempre um gostinho agridoce, desde que partiu.

Que descanse em paz.

Adoro o campo

09/08/2023

As árvores e as flores. Jarros e perpétuos amores… Cantava o Rui Reininho. Já os Talking Heads tiveram alguma dificuldade em adaptar-se à vida no campo, só com árvores e flores.

Mais cedo do que tarde, todos iremos perceber que luxo é ir buscar ovos ao galinheiro para o pequeno-almoço, tomates à horta para a salada do almoço, figos para o lanche e batatas para o jantar.

É assim a vida no campo, onde nunca falta o que fazer.

Toda a gente se conhece e reconhece. Se cumprimenta. Pelo nome, pela cara, pela casa, cuja porta fica aberta. Toda a gente sabe da vida de toda a gente, o que pode parecer estranho. No entanto, ninguém parece estranhar que milhões de pessoas no mundo inteiro partilhem tudo quanto fazem com gente que nunca viram.

A vantagem do campo é não serem estranhos.

Estarem lá para o que for preciso, ao contrário dos estranhos da Internet. Onde o ritmo é biológico, o contacto real, as necessidades verdadeiras, e não artificialmente criadas, e a vida simples, à qual o David Byrne não conseguiu adaptar-se.   

E as coisas sabem às coisas que lhes estão na base.

E não a nada, como o que se compra em supermercados, insuflado e polido, para parecer bonito e durar mais tempo.

Por outro lado, nem o David Byrne nem ninguém precisa de preocupar-se com o desaparecimento da tecnologia, infelizmente. Pelo contrário, precisa de preocupar-se sim, com o desaparecimento dos solos férteis e produtivos. Substituídos por painéis solares de duração limitada em relação aos quais ninguém pensa o que lhes fazer, quando deixarem de funcionar. Ou queimados em incêndios, causados por fogo posto. Inutilizados por falta de gado que os paste ou de produtores de cujo cultivo usufruam.

Prevalecendo a comida feita em laboratório…

No campo, as casas são de pedra e as janelas pequenas. O ar puro, a natureza é a perder de vista, o calor seco e as noites frescas. As estrelas visíveis, os barulhos inaudíveis e a conexão total.

Sabe-se que tempo vai fazer no dia seguinte, sem ser preciso olhar para um telefone. Os instintos estão aguçados e não anestesiados. A sabedoria é popular, mas não menos astuta ou inteligente. Insultaram-se as gentes do campo, como “ignorantes”, valorizando-se a ida para as cidades e o abandono dos campos.

Acabando-se com a subsistência e criando-se dependência.

Ao ponto de os alimentos que se retiram diretamente das árvores ou da terra serem mais caros do que os que se compram em supermercados, vindos sabe Deus de onde.

O ridículo a que se chegou…

Reconhecendo com humildade que qualquer pessoa que viva no e do campo sabe como não morrer de fome. Onde as pessoas se encontram ao fim do dia, para falar da vida e beber uma cerveja fresca. Voltando para os seus espaços, com vista sobre as árvores e o cantar das cigarras. Ao contrário dos citadinos universitários, que precisam de apps até para “conhecer” gente.

De resto, a natureza toma conta de si mesma, não precisa do homem para nada. Muito menos deste tipo de homens

Elevação

08/08/2023

Houve muito o que valorizar nesta JMJ. A reter e a lembrar, para memória futura. Mas talvez o que mais e melhor tenha impressionado foi o exemplo de elevação de um milhão e meio de jovens. Do mundo inteiro, literalmente. Parece que só das Maldivas não veio gente. (Da Coreia do Norte é capaz de também não ter vindo…)

Tentaram de tudo para os demover…

Primeiro, foram “os abusos”. E não houve uma alma que lhes dissesse que, não só a própria Igreja pediu um relatório a uma comissão independente, como tal relatório, acessível online, revela que os números foram baseados em extrapolações, por sua vez baseadas em denúncias anónimas, sem qualquer controlo sobre os autores, e que têm sido reiteradamente invalidadas.

Apesar de o Júdice ter chegado perto, quando perguntou a uma jornalista se fazia sentido ir para a Festa do Avante perguntar às pessoas o que achavam dos 100 milhões de vítimas mortais do comunismo.

Depois foi a bandeira e a “missa LGBT”.

Seguida de um aproveitamento de uma frase do Papa que, aliás, não é novidade: a igreja não fecha nem nunca fechou as portas a ninguém. De resto, só há uma missa. Queixam-se tanto de discriminação, mas auto-discriminam-se o tempo todo. Por outro lado, o evento era religioso, não político ou ideológico. Não era, de facto, o local para bandeiras ideológicas. Nem de partidos, nem de “comunidades” que, por alguma razão, acham que têm direitos especiais.

Não têm. Têm direitos humanos, como toda a gente. E, na minha modéstia opinião, já têm privilégios a mais, que é, no fundo, o que querem.

Porque os direitos que cabem aos outros já os têm.

Depois foi o calor… 40 graus em Lisboa, em Agosto… Estranhíssimo. Nunca se viu. Agora são “os custos”…

Não houve lixo, confusão, desperdício, violência, chatices. Gente a auto-destruir-se, excessos, nada que perturbasse a missão destes jovens.  A paz e a ordem pública. Ainda, e, de brinde, um enorme exemplo de “multiculturalismo”.

Esta “Juventude do Papa” foi exemplar.

E que experiência maravilhosa tiveram. Sem divisões. Que é o que o poder político e os seus lacaios da comunicação social odeiam. Comunicação social essa que, no terreno, não tinha outro remédio: render-se. À alegria contagiante, ao silêncio de um milhão e meio de pessoas. A gente que não se demove do seu objetivo, que não se deixa ir na conversa do miserabilismo, da desgraça, da vitimização. Verdadeiros heróis. E que precisados estamos deles.

É imperioso substituir a vitimização pelo heroísmo.

Por isso e por muito mais, trago para mim o exemplo e a elevação destes jovens Católicos, nomeadamente:

Construir pontes, não ter medo, cair e levantar-me, sujar as mãos, para não sujar o coração, aproximação ao outro, correr o risco de amar, pois não estamos sozinhos.

Ademais, é a alma que constrói pontes…  

Não o ego…

Portanto, a JMJ foi uma festa, o que é natural, onde há jovens, há alegria, ou deveria… Quem haveria de dizer que seriam jovens Católicos a mostrá-lo?

Há comunidades e “comunidades”…

Milhares de famílias por esse Portugal fora acolheram jovens e membros da Igreja nas suas casas. Sem fazer barulho, sem bandeiras. Pelo país inteiro, as igrejas nunca estiveram tão cheias. Daí que, e pelos vistos, o Cristianismo permanece firme e forte. Apesar de toda a propaganda que contra ele e o Catolicismo tem sido feita. Só não viu quem não quis.

Também isso é sinal de elevação. E um grande exemplo para todos nós.

NB: Muito bem resumido, por Pedro Sanches, no Expresso:

“E o amor de Deus, o amor de Cristo é para todos. Todos. Todos. Mas a paz é a paz de Cristo, não é a paz do mundo. É acolhimento de todos, não é acolhimento de todas as ideias. É amor pelos homossexuais, não é adopção de siglas que arrumam pessoas em caixas nem filiação na ideologia de género. É redistribuição justa de riqueza, não é bloqueio à criação de riqueza. É moral na actividade económica, não é supressão da actividade económica. É respeito pela diferença, não é ditadura da igualdade. É respeito por todos, não é erradicação da liberdade.”

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