Browsing Category

Livre

20 Anos

08/06/2023

Em Novembro próximo, farei 20 anos de presença blogosférica.

Apesar disso, não é à toa que não nos lembramos de tudo e que os diários são pessoais. No limite, ficam na intimidade das páginas de um livro. Por isso, aqui há tempos fiz uma limpeza valente no blog, apagando sete mil e tal posts, ficando com três mil e tal.

Agora, e muito para não sobrecarregar o programa de tradução do site, resolvi passar os posts todos para rascunho e deixar apenas 2020 em diante.

Não faz sentido deixar à vista registos de momentos vivenciados e transcritos, passados em 2005…

Oversharing é um understatement… (esta frase é ridícula…)

No tempo em que ainda se comentavam blogs… Se postava todos os dias e mais do que uma vez.

De 3500, ficam com 224, o que já não é nada mau.

20 Anos é uma vida, que não dá para deixar à mercê de estranhos.

A Vida por Escrito

07/06/2023

Tal como previa, li A Vida por Escrito num sopro. No fim-de-semana em que o comprei.

E, de todos os livros sobre escrever que me ocupam, num quadrado de estante, duas fieiras de manuais sobre o métier, excluindo os de cinema, que estão noutro, este é, de longe, o melhor e mais completo. 

Bem escrito, como não?

Com histórias de pessoas que sabemos que existem de verdade. Exemplos reais, sobre o processo. O que é raro. O processo fica, com frequência, demasiado intelectualizado, nos livros sobre escrever.

Castro é a antítese disso.

Sem paternalismos nem desvios, Ruy Castro não está aqui para falar da indústria, da venda, da publicidade. Nem para dar lições de moral. Sequer com choros ou falsas modéstias. Está, isso sim, para falar sobre a nobre arte de escrever.

Nomeadamente, Biografias, o que faz de melhor.

Por isso, o título de melhor biógrafo em língua portuguesa faz-lhe jus. Tenho três das suas biografias e li uma quarta. É absolutamente brilhante.

Apenas biografa gente morta, século 20, anos 20-70, no Rio.

Explica o motivo e tantos outros, bem como dá dicas de trabalho preciosas. Ficamos com a sensação de que nada nos escondeu.

Fartei-me de aprender.

Apesar de cascar de forma cruel no Gay Talese e menosprezar ícones do New Journalism. Mas, lá está, tem autoridade moral, por ter conhecimentos práticos e teóricos sobre o tema.

PS: No outro dia, fiz uma lista de livrarias de Lisboa. Agora, queria apontar para uma delas, que não seja uma grande, cheia de lojas pelo país inteiro. No entanto, e apesar das minhas boas intenções, nenhuma das que pesquisei tinha o livro. Já a Bertrand, salva-nos sempre. Não só é portuguesa como não se transformou num supermercado de gadgets e cenas, como a Fnac. E os livros dão desconto direto no IRS, se a fatura for emitida pela Bertrand. Por outro lado, na Fnac, temos de validar.

Os livros que nos falam

06/06/2023

Há livros que nos falam, sem sequer os abrirmos. A permanência da palavra escrita irrompe pelos ouvidos, ficando o seu sussurro a navegar na nossa cabeça.

Os meus preferidos.

Os livros que nos chamam das prateleiras. Em casa bem como nas livrarias.

Também julgamos pela capa.

Sete anos de Book Depository equivaleram a 120 Livros e 1600€.

Por outro lado, livros, e séries, têm o efeito em mim que as notícias têm para algumas pessoas.

Companhia.

Ter saudades de personagens é isso. Viver a vida delas e depois mais nada. O vazio do desaparecimento, do abandono, do fim das coisas. Por isso revejo séries tantas vezes. Como o sexo e a cidade, até à 4ª temporada. O Divorce.

Ou o Younger, quando ainda me lembro dos episódios. 

Pois, para evitar gastura, tenho andado para trás nos canais de cabo que dão filmes de outros anos, parecem de outros tempos, e apanhado boas coisas. A maioria revejo. Como aquele belíssimo com o Ruffalo e a Keira Knightly. Outras, apanho boas surpresas.

Gosto de filmes, séries e livros sobre livros. E sobre escritores.

A premissa do filme que apanhei no Hollywood é essa, a dos livros que nos falam.

E cujos personagens, neste caso, saltam das histórias para a vida e vice-versa. Por isso, tem personagens impossíveis, por ser uma fantasia. E uma história para agarrar o leitor, em que ninguém precisa de ser assassinado. Como parece acontecer com todos os filmes e séries por streaming. Ou são Hallmark e Real Entertainment, a mesma distribuidora, ou alguém morre assassinado.

Mas é bonitinho.

De resto, acabei o 48 leis do poder, a bio do Hesse vai bem, The Will to Power para não quebrar o ritmo, mas antes, Ruy Castro, e o seu livro sobre escrever. Mais um… Que lerei muito provavelmente no fim-de-semana… Não estava nos escaparates da Bertrand de Alvalade, o que é estranho. Ainda por cima, o JMT recomendou-o no último GS.

Livrarias de Lisboa

04/06/2023

Lista de Livrarias, em Lisboa: 

Livraria do Notting Hill

Livraria Martins Av. Guerra Junqueiro, 18. Seg-Dom 09.00-21.00

Tigre de Papel Rua de Arroios, 25. Seg-Sex 10.00-20.00, Sáb 10.00-18.00

Kingpin Books Avenida Almirante Reis, 82-A

Bertrand Chiado

Letra Livre Calçada do Combro, 139. Seg-Sáb 10.00-13.00/ 14.00-19.00

Livraria Snob R. de São Pedro de Alcântara, 3. Seg-Sex 13.00-18.00, Sáb 10.00-18.00

Livraria da Travessa Rua da Escola Politécnica,

Almedina Rua da Escola Politécnica, 225

Livraria Poesia Completa: R. de São Ciro, 26. Ter-Dom 11.00-19

Distopia Rua de São Bento, 394 1200-822 Lisboa

Palavra do Viajante Rua São Bento, 34

Novelos e Enredos Rua São Bento, 363

Tinta dos Nervos Rua da Esperança, 39. Ter-Sex 11.00-19.00, Sáb 11.00-18.00

Photo Book Corner Rua Marquês Sá da Bandeira, 86C. Seg-Sex 11.00-17.00

Miosótis Avenida Rovisco Pais, 14A. Seg-Sáb. 10.00-19.00

Ler Devagar Rua Rodrigues Faria, 103. Dom-Qua 10.00-22.00, Qui-Sáb 10.00-24.00

Leituria R. José Estêvão, 45A.

Livraria Ferin Rua Nova do Almada, 72

Leya Buchholz Rua Duque de Palmela, 4.

Livraria Ler Rua Almeida e Sousa, 24-C

Memórias

31/05/2023

Está na moda dizer mal das memórias, que são viver no e do passado. Contra mim falo, que já o disse.

Tal como vi numa daquelas séries veículo de propaganda à descarada, que, lamentavelmente, adoro, chamada Younger.

No entanto, as memórias são também um garante de sanidade. Bem como de segurança.

Um repositório da nossa existência.

Negar memórias é uma medida totalitária. Para que possam controlar a narrativa.

Sem as quais é possível…

As físicas são as  maiores tira-teimas. Como demonstrou o JMT, esta semana, no Governo Sombra.

E fiquei feliz de saber que não sou só eu quem faz das memórias de infância lugares felizes.

Ao melhor estilo Verão Azul.

Pois uma amiga, mãe de filhos, com, portanto, algo por que aspirar, tipo netos, recordou, com testemunhas, tempos felizes, dela e dos seus filhos, agraciados com essa possibilidade.

Que, hoje em dia, não é para todos.

De resto, já muito escrevi sobre memórias. E, sim, há o perigo sempre iminente de vivermos delas, numa fantasia, numa ilusão. No ressentimento, na crença de, por vezes, falsas memórias. Que nos afetam as escolhas que fizemos lá atrás e, por conseguinte, o presente.

Já não estamos mais para isso.

Tal como em todas as escolhas, as memórias também são momentos, acontecimentos, paixões, casamentos. Que, por sua vez, dão um rumo oposto ao do errante, do viajante, do seeker.

Por outro lado, documentam a nossa história pessoal, que é sempre um garante de permanência, uma confirmação de existência, até.

error: Protected Content