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Livre

Discurso de ódio

27/09/2023

A frase “discurso de ódio” banalizou-se tanto, propositadamente, que já ninguém sabe o que significa. Grupos muito específicos de gente usam-na, há décadas, para impedir o discurso, o debate, para tentar calar quem faz perguntas. É razoável, racional e lógico.

Ou simplesmente confronta, usando o mesmo tipo de discurso.

Curiosamente, esses grupos específicos de gente parecem estar acima da crítica e das mesmas acusações. Sento livres para expressar-se da forma que melhor entendem, normalmente agressiva, discriminatória, odiosa.

São vários os grupos que, nos últimos anos, têm definido a vida do resto dos mortais.

As definições de palavras como ódio e abuso, entre outras, têm sido propositadamente alteradas para que nelas caibam o que quisermos que caiba. Qualquer um pode acusar outro, normalmente aos berros, de discurso de ódio. No entanto, e aparentemente, só serve para um lado, pelo menos nos dias que correm.

A instrumentalização e redefinição de palavras é sempre a arma dos ditadores.

E, ou bem que o critério é para todos, ou talvez seja hora de parar, dar um passo atrás e voltar às origens e às definições exatas do que as coisas são.

Que é como quem diz: dar nomes aos bois…

Um desses grupos vê-se agora atacado, exatamente com as mesmas armas que têm usado há mais de um século. E, sem surpresas, parece que não gostou. Se esse grupo almejasse de facto à igualdade (não almeja, almeja a privilégios) faria um exame de consciência e perceberia os seus erros. No entanto, como, tal como os que agora fazem o mesmo, se trata de um projeto de poder, vai continuar a vitimizar-se e a atacar os que agora querem encostar esse grupo a um canto. Estamos aqui para ajudar, por isso, é fazerem-se a pergunta:

Será o feminismo um grupo de ódio?

Tipos Psicológicos

25/09/2023

De acordo com Carl Jung e o MBTI, tanto os tipos como as funções psicológicas estão presentes em todos os seres humanos, manifestando-se mais ou menos, conforme as preferências do nosso tipo, a educação e o ambiente sociocultural em que nos inserimos. Para Jung, existem dois tipos psicológicos, introvertido e extrovertido, e quatro funções: sensação e intuição, pensamento e sentimento. Posteriormente, ao desenvolverem o instrumento que permite descobrir quais os tipos e funções preferenciais, com base na teoria dos tipos psicológicos de Jung, Isabel Myers e Katharine Briggs acrescentaram as funções: perceção e julgamento, criando assim o MBTI (Myers Briggs Type Indicator), reconhecidas por Jung.

Aqui fica um resumo dos dois tipos e das seis funções:

Introversão e Extroversão

Os introvertidos são pessoas cuja energia provem do seu mundo interno, sendo, em geral, mais reservados, calmos e reflexivos. Os extrovertidos, por outro lado, são pessoas cuja energia provem do mundo externo, sendo em geral mais sociáveis, faladores e ativos. Os introvertidos tendem a ficar muito cansados quando expostos ao mundo externo, por longos períodos de tempo. Ao passo que os extrovertidos tendem a ficar deprimidos quando passam muito tempo sozinhos ou em espaços fechados. Os introvertidos guardam o melhor de si para os amigos íntimos, parecendo reservados e distantes em relação aos extrovertidos, que, por sua vez, partilham o melhor de si com os outros, parecendo voláteis e pouco comprometidos em relação aos introvertidos.

Sensação e Intuição

As pessoas com preferência pela função sensação apreendem conhecimento por dados e factos, onde se incluem os cinco sentidos, sendo mais práticas e objetivas. As pessoas com preferência pela função intuição apreendem conhecimento por uma visão mais ampla e abrangente, sendo mais abstratas e imaginativas. Preferem o mundo das ideias e possibilidades, por oposição ao dos dados concretos e exatos, como é o caso da preferência pela função sensação.

Pensamento e Sentimento

As pessoas com preferência pela função pensamento são mais lógicas e racionais, tomando decisões com base na lógica e na razão. Já as pessoas com preferência pela função sentimento são mais subjetivas e emocionais, tomando decisões com base no impacto que estas terão sobre os demais.

Julgamento e Perceção

As pessoas com preferência pela função julgamento preferem planear com antecedência tudo o que vão fazer, são mais estratégicas e ponderadas. Já as pessoas com preferência pela função perceção preferem a espontaneidade, decidindo no momento o que fazer, pois preferem manter as opções em aberto.

Segundo Carl Jung, e de acordo com o seu Processo de Individuação, o objetivo de cada um é fazer as pazes com o seu oposto, nomeadamente, o introvertido fazer as pazes com o extrovertido que há em si, o tipo sensação com o tipo intuição, e assim sucessivamente, para que todas as funções e ambos os tipos, introvertido e extrovertido, possam conviver de forma amena, o que ajuda não só ao desenvolvimento da personalidade como à melhoria das relações interpessoais.

Desprogramar

21/09/2023

Desprogramar leva tempo. Reverter os efeitos da lavagem cerebral que o feminismo tem feito, pela via da propaganda, na imprensa, nas escolas e universidades, no entretenimento, demora. Mas é fundamental.

Uma das formas é confrontar os exemplos de que somos testemunho com a narrativa que é veiculada. Analisarmos a nossa responsabilidade, se for o caso, contactar pessoas, fazer as perguntas incómodas.

Ou podemos começar por este vídeo.

Outra forma de desprogramar seria tentar perceber como o feminismo tem sido usado para destruir por completo as relações entre homens e mulheres, não beneficiando nem uns nem outros, ao contrário do que as mulheres possam pensar. Porque, se forem verdadeiramente honestas convosco, constatam que, no fundo, no fundo, não estão mais felizes, equilibradas ou satisfeitas…

Homens e mulheres não são iguais, nunca foram e jamais serão.

Ao desprogramar, podemos constatar que, por mais que nos custe, tanto homens quanto mulheres abusam física, emocional e psicologicamente uns dos outros. Curiosamente, os maiores  abusos a crianças são feitos por mulheres… Ambos são tóxicos, a toxicidade não pertence apenas ao sexo masculino. Pessoalmente, não conheço gente mais tóxica do que as feministas e ativistas de todo o tipo.

Além disso, os homens tendem a proteger mulheres e crianças,  não a atacá-las.

Assim, desprogramar é assumir um compromisso com a verdade. No entanto, e para tal, é preciso almejar a algo mais nobre do que o poder, indo mais fundo. Até descobrirmos o que de facto é bom para nós, a todos os níveis.

Arquétipos e Inconsciente Coletivo

20/09/2023

De acordo com Carl Jung, os arquétipos estão na génese do inconsciente coletivo, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento da personalidade.

Arquétipos são símbolos, imagens ou padrões universais, comuns a toda a humanidade. Independentemente da cultura ou da época, que se manifestam nos sonhos, na arte e na mitologia. E que refletem tanto temas quanto padrões de comportamento universais.

O inconsciente coletivo é onde esses arquétipos se encontram.

Jung defendia que, quando nascemos, somos apenas inconsciente coletivo. E que, à medida que a psique se desenvolve, o conteúdo de alguns arquétipos é integrado na consciência. Ficando o restante na sombra da mesma, ao qual deu o nome de complexo.

A cada arquétipo não integrado corresponde um complexo.

Complexos esses que são os responsáveis por muitos dos nossos comportamentos, atrações, repulsas, reações e emoções.

Postulando que a integração dos conteúdos sombrios, ou seja, não integrados na consciência do ego, é essencial para o desenvolvimento da personalidade.

Pelo seu simbolismo universal, os arquétipos permitem-nos integrar, sem racionalizar, conteúdos até então desconhecidos. Contribuindo tanto para uma melhor compreensão das nossas emoções quanto para o desenvolvimento de um maior sentido de identidade.

Por outro lado, o inconsciente coletivo também é fonte de criatividade e inspiração.

Que nos permite aceder ao nosso Eu divino, o Self, e a partir do qual toda a criação nasce, do ponto de vista da totalidade psíquica.

Assim, o inconsciente coletivo e seus arquétipos são o meio pelo qual nos conectamos de verdade. Connosco, com os outros e com o mundo ao nosso redor. Independentemente das diferenças e sem que a individualidade precise de ser sacrificada.

Para Jung, o grande objetivo do desenvolvimento da personalidade é chegar à totalidade da identidade.

À união psíquica entre todas as partes que a compõem, ao qual chamou Processo de Individuação.

No qual nos tornamos conscientes da nossa sombra, do nosso Eu divino e do nosso potencial, momento em que voltamos a ser nós mesmos, verdadeiramente. Defendendo que os arquétipos e o inconsciente coletivo desempenham um papel fundamental na individuação, dando a orientação e o apoio de que precisamos para nos tornarmos os indivíduos que estamos destinados a ser.

Hesse e Jung

18/09/2023

O livro “O Registro de duas Amizades”, de Miguel Serrano, conta-nos como o autor se relacionou tanto com Carl Jung quanto com Hermann Hesse, no final da vida de ambos. O livro centra-se na troca de correspondência entre o autor e os dois pensadores, Hesse e Jung, referência mundial no que à busca pela plenitude e pelo sentido da vida diz respeito.

Carl Jung é o pai da Psicologia Analítica, ao passo que Hermann Hesse é autor de vários livros com o existencialismo como pano de fundo, de que “Siddartha”, “O Lobo das Estepes”, “Demian” e “Narciso e Goldmundo” são apenas alguns exemplos.

Pelas suas obras, conseguimos observar, mesmo sem nunca mencioná-lo, a permanente insatisfação, angústia e inquietação de Hesse, na constante tentativa de compreensão da vida e na eterna busca pelo sentido da mesma.

Que se traduz, de acordo com o pensamento de Carl Jung, no Processo de Individuação.

Hermann Hesse chegou a fazer terapia com Jung, que reivindica que teve influência direta em “Siddartha” e “O Lobo das Estepes”, escritos na sequência das sessões.

Chegaram a corresponder-se, tendo Jung escrito a Hesse, aquando da publicação de “Demian”, já que as semelhanças entre a jornada do personagem e o Processo de Individuação são por demais evidentes. Jung era leitor de livros anteriores de Hesse, mas foi em “Demian” que o reconheceu, no personagem.

Ambos tinham uma relação com a estética e a arte.

Hesse pintava e escrevia poesia, Jung via nesses símbolos a presença do inconsciente coletivo. Por outro lado, a Índia é também uma referência para ambos, que a visitaram pelo mesmo motivo: a espiritualidade.

Tendo também explorado a religião, nesse sentido, Jung pela via dos símbolos, Hesse pela via do Budismo.

Por outro lado, a importância do conceito de Sombra, tal como definido por Jung, é bem patente na vida e obra de ambos. Sendo “Narciso e Goldmundo” um belo contraste entre a consciência do ego e a persona, e a totalidade psíquica.

À qual Jung deu o nome de Self.

No livro “C. G. Jung e Hermann Hesse: Um registo de duas amizades”, Miguel Serrano refere que os personagens Narciso e Goldmundo e Siddartha, bem como Sinclair e Demian têm muito em comum, no caso dos primeiros. Quando não são a mesma pessoa, no caso de Demian e Sinclair, aludindo precisamente aos conceitos junguianos de sombra, ego, persona e Self.

Narciso e Goldmundo representam duas tendências essenciais num homem: a contemplação e a ação. Já Siddhartha e Govinda representam características opostas, devoção e rebelião.

Qualidades patentes em todos nós, individualmente.

Pensamos em nós, mas também somos caridosos para com os outros. Deparando-nos muitas vezes divididos entre a introversão e a extroversão, tipos psicológicos tais como definidos por Jung. Aludindo à polarização do ego, cuja ansiedade se resolve com a presença do Self e o contacto permanente entre ambos. Permitindo assim amena convivência entre os opostos, a cujo estádio Hesse chegou, nas suas obras.

O livro de Serrano é uma leitura essencial para quem se encontra dividido entre a razão e a emoção, o dever e a vontade. Cujos paradoxos encontram eco tanto na obra de Jung quanto na de Hesse. Dois dos pensadores e existencialistas mais influentes do século XX

E a referência mundial no que à busca pelo sentido da vida diz respeito.

Um pela via da Psicologia e o outro pela da Literatura, ainda que não se excluam mutuamente.

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